A filosofia e sua presença nos currículos brasileiros: um breve resgate histórico


A Filosofia como componente curricular no Brasil colônia



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crisforoni, A FILOSOFIA E SUA PRESENÇA NOS CURRÍCULOS BRASILEIROS
A Filosofia como componente curricular no Brasil colônia 
O ensino de Filosofia no Brasil tem hoje, segundo Ceppas (2010), uma história rica e 
multifacetada. A Filosofia, desde o Brasil Colônia até nossos dias, não teve um lugar definido 
nos currículos escolares; é impossível falar em um “tempo” destinado para essa disciplina na 
grade curricular do Ensino Médio brasileiro, anterior aos anos de 1930, onde segundo Horn 
(2009) a Filosofia passou a ocupar e a disputar um espaço na grade curricular com outras 
disciplinas. Entretanto, historicamente, acabou por não exercer uma “forte” e “marcante” 
influência como as demais disciplinas sobre o sistema nacional de ensino brasileiro. Apenas a 
partir dos anos de 1930 a 1970, que teremos alguns programas oficiais obrigatórios da 
disciplina, que na prática não significaram um ensino de Filosofia efetivo.
A Filosofia chegou ao Brasil Colônia juntamente com a Companhia de Jesus. Um olhar 
mais minucioso sobre sua história nos currículos do Ensino Médio brasileiro então, nos remonta 
ao período colonial, indicando um ensino de “caráter utilitário”; visto que estava a serviço ora 
dos interesses jesuíticos, como ferramenta doutrinadora repleta de concepções religiosas e 
políticas, ora por vezes seu ensino estava a serviço das elites econômicas, servindo como 
privilégio intelectual de uma pequena elite economicamente e politicamente dominante. Dessa 
forma, “[...] o ensino no Brasil, da colônia à Primeira República, atendia, sobretudo, aos 


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ISSN 1984-3879, SABERES, Natal RN, v. 19, n. 2, Agosto, 2018
http://www.periodicos.ufrn.br/saberes 
ISSN 1984-3879, SABERES, Natal RN, v. 19, n. 2, Agosto, 2018, 219-233.
interesses políticos, sejam os da metrópole, sejam os de nossa emergente classe dominante, dos 
proprietários de terra e senhores de engenho que aqui se instalaram” (CEPPAS, 2010, p.173). 
A educação jesuítica estava voltada para a catequese dos índios e o ensino das 
primeiras letras para os grupos das elites ou os senhores de terras, que posteriormente iriam 
seguir com seus estudos na Europa. “A educação jesuítica, através das escolas e missões da 
Companhia de Jesus, foi à base da educação no Brasil Colônia, até a expulsão da Ordem, em 
1759” (CEPPAS, 2010, p. 173). Naquele período (século XVI), a educação estava, portanto, 
sob a responsabilidade dos padres jesuítas, que fundaram um colégio imbricado à instrução e 
educação dos “homens brancos”, baseado na escolástica e na catequização como ferramenta 
civilizadora dos indígenas. Objetivava-se, assim, ampliar o exército dos soldados de Deus, a 
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