A família salesiana



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Eclesial, porque participação e expressão da vida e da santidade, da Igreja como Corpo de Cristo em unidade orgânica, sob o influxo vital do Espírito Santo que nela habita para fazê-la crescer harmonicamente como organismo vivo.

É, pois, uma caridade não só atual, mas também orientada pela Igreja através do mi­nistério da sua Hierarquia e à luz da eclesiali­dade de Dom Bosco: uma caridade vitalmente unida a dois centros eclesiais de referência, os Pastores e o Fundador!

Revigorar a nossa caridade pastoral não é simplesmente repetir e lembrar, mas amar pro­curando, sob a guia do Papa e dos Bispos e dos sucessores de Dom Bosco, criando e responden­do às interpelações das pessoas e dos tempos, justamente como fez o nosso Pai no século pas­sado. Mas isso só é possível com a condição de alimentarmos intensamente a nossa santidade, privilegiando, como escrevia na última circular,49 a profundidade quotidiana do encontro com Cristo e o empenho ascético.

Queridos Irmãos, lembremo-lo bem: revigo­rar em nós o carisma de Dom Bosco não pode significar outra coisa senão “projetarmos novamente, juntos, a santidade salesiana”: “Ou santos sale­sianos — dizia uma vez Dom Bosco — ou nada salesianos”.50

Eis o primeiro objetivo de crescimento da Família Salesiana: “avante” e “juntos” na intensificação daquele tipo de caridade pas­toral que nos faz sentir com Dom Bosco a paixão avassaladora do “da mihi animas, coetera tolle”!


  • Segundo objetivo: A evangelização educado­ra da juventude!

A caridade salesiana traz consigo especial sensibilidade apostólica das necessidades juve­nis. Suas opções operativas devem surgir tam­bém hoje, como ontem em Valdocco, da leitura apaixonada, concreta e pedagógica, das necessi­dades da hora. Se a “caridade oratoriana” é uma resposta existencial a certos desafios da realidade juvenil, não haverá nunca, para uma Família apostólica evangelizadora da juventude, uma fixação definitiva e estável da sua obra educadora. Há necessidade de que a nossa capa­cidade de ação seja sempre como um canteiro na primavera, do qual desponte um rebento de fresca atualidade.

Eis um enorme empreendimento para toda a Família:



  • Repensar juntos o Evangelho para que apareça como a mais verdadeira e indispensável mensagem para a juventude de hoje.

  • Estudar juntos o modo de recolocar a fé no centro da cultura que procuramos elabo­rar junto com os jovens, para que redescubram o verdadeiro sentido da existência humana.

  • Ajudar-nos mutuamente a reinventar a nossa capacidade de comunicação através de uma estrutura linguística adequada e acessível.

  • Procurar juntos, com coragem e constân­cia, a renovação das nossas estruturas de me­diação, que entraram em crise, como bem sabe­mos, com a mudança cultural existente há anos.

Esse objetivo complexo e vasto já nos levou a reatualizar o Sistema Preventivo, procurando formular com paciente inteligência um renovado Projeto educativo-pastoral; levou-nos também a reformular e propor um esquema atualizado de Espiritualidade juvenil. Tornemo-lo objeto de intercâmbio entre os vários grupos da nossa Família; iremos avante e cresceremos juntos como especialistas na evan­gelização dos jovens.

Deve-se notar a respeito que, sendo a Famí­lia Salesiana uma realidade eclesial, a sua pas­toral juvenil deverá ser pensada e programada a partir de dentro da Igreja local (nacional, re­gional e diocesana). Ter aos próprios cuidados uma porção juvenil do rebanho e agir nela com um estilo próprio de ação, não pode significar prescindir ou ser insensíveis à coordenação e às metas apostólicas promovidas pelos Pastores de todo o rebanho. Infelizmente permanecem ainda entre nós, neste campo, dificuldades que se res­sentem de certo passado e devem ser superadas com coragem.



  • Terceiro objetivo: Privilegiar a formação específica de cada grupo e o envolvimento do laicato.

É fundamental para toda a Família que os grupos cuidem da própria identidade, da forma­ção específica e das iniciativas de relação. É esta uma tarefa decisiva para a boa saúde e o incremento da comunhão: ter consciência clara da própria identidade para saber levá-la à co­munhão e tornar-se operativa.

A unidade no “carisma de Dom Bosco” não suprime, como vimos, as diferenças, mas as assume, revigora e coloca em relação de fecundidade apostólica.

Além do cuidado da identidade de cada grupo, uma meta hoje particularmente impor­tante a ser atingida com o concurso de todos é a de fazer com que o maior número possível de “leigos” conheça e partilhe os valores salesia­nos. Falo aqui do laicato na acepção esclarecida pelo Concílio.

Há na Família Salesiana vasto espaço para os leigos, seja entre os Cooperadores, seja entre os Ex-alunos, seja (num âmbito mais amplo) entre os colaboradores das nossas obras e entre os diversos simpatizantes, que de bom grado se consideram “Amigos de Dom Bosco”.

Vale a pena não subestimar a importância de um “vasto movimento de Amigos de Dom Bosco”, que constituiria uma espécie de halo ou Família Salesiana em sentido largo; ele pode surgir da convergência de muitos fermentos, interesses, simpatias, colaborações e movimen­tos.

Nas associações dos Cooperadores e dos Ex-alunos existe a possibilidade de articulação em subgrupos, que pode dinamizar e apro­fundar sua pertença salesiana. Alguns desses subgrupos já existem; outros poderão multiplicar-se; por exemplo: os “Jovens Cooperadores” (um pouco por toda a parte), os “Casais Dom Bosco” (para grupos de casais na Espanha), grupos de Ex-alunos particularmente empenha­dos no âmbito cultural e da escola, várias Associações de tipo mariano etc. Além disso, no âmbito dos simpatizantes e dos Amigos de Dom Bosco, há grande possibilidade de iniciativas urgentes, como, por exemplo, através dos meios de comunicação social.

Em todo esse campo deve-se favorecer, antes de tudo, um cuidadoso empenho de formação do laicato enquanto tal, à luz da abundante doutrina do Vaticano II e dos documentos magisteriais posteriores, especifican­do tal formação com a visão própria do carisma de Dom Bosco, lembrados de que o nosso Pai insistia em orientá-los praticamente para inicia­tivas concretas de bem: ele muitas vezes repe­tia, a propósito, a necessidade de concretude num empenho de “obras de caridade”!

Esse trabalho de envolvimento laical ampli­fica os horizontes das atividades de cada grupo na Família e nos convida a convencer-nos a apressar uma melhor coordenação de trabalho e de conjunto.

Estamos numa Família de apóstolos não encerrados exclusivamente nas exigências imedia­tas de uma obra ou de um grupo!



  • Quarto objetivo: Uma pastoral vocacional unitária!

Lembremos, por fim, que a vocação salesia­na se caracteriza pelo tipo de caridade que se encontra no ponto mais alto de todo o patrimô­nio espiritual de Dom Bosco. Ela é fundamen­talmente comum a todos os membros da Famí­lia; realiza-se, porém, com modalidades diversas conforme os grupos, categorias e pessoas. Esta comunhão diferenciada oferece vantagens não indiferentes para uma colaboração prática, sobretudo nas iniciativas de pastoral vocacional.

Se pensarmos que Dom Bosco foi “um excepcional e fecundo suscitador de vocações na Igreja”, havemos de concluir naturalmente que a sua Família deverá caracterizar-se por um empenho particular em cultivar a dimensão vocacional de toda a pastoral juvenil. Não esqueçamos que o dever de educar e guiar os jovens ao discernimento da própria vocação “nasce do direito da juventude de ser orientada, antes que de uma particular situação das voca­ções na Igreja. Tal ação funda-se nos aspectos essenciais da realidade da vocação: é uma ini­ciativa divina, que solicita a adesão humana, um chamado que exige uma resposta ligada a dina­mismos psicológicos e religiosos, que requerem uma ação pedagógico-pastoral apropriada”.51

Mas é ainda urgente melhorar a mútua preocupação na Família Salesiana pelas vocações específicas de cada um dos grupos. Neste campo podemos fazer muito mais se trabalhar­mos juntos: encontros de oração, de estudo, de animação, de programação, de informação, de comunicação de experiências, de centros comuns de orientação, de movimentos juvenis etc.

Em particular, merece atenção especial o cuidado dos subgrupos de Jovens Cooperadores e de Jovens Ex-alunos; está comprovado que uma boa animação desses subgrupos é pressuposto para o crescimento das duas organizações e vocacionalmente fecunda também para os outros grupos. Nestes últimos sete anos, por exemplo, 70 Jovens Cooperadores entraram nos noviciados salesianos, 52 nos das Filhas de Maria Auxiliadora, 18 nos seminários diocesa­nos, e 20 em outras Congregações.

Convido-vos a levar em grande consideração as “Conclusões” a que se chegou, a propósito, na última, a 9ª, “Semana de Espiritualidade” da Família Salesiana, em janeiro passado. São re­produzidas neste número dos Atos, na seção Documentos.




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