A família salesiana


Eclesialidade do Fundador



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Eclesialidade do Fundador

Para melhor compreender a densidade e riqueza da herança viva recebida de Dom Bosco e para individuar mais a fundo as responsabili­dades que dela derivam, convém que reflitamos um pouco sobre a dimensão eclesial que, por dom de Deus, tem um Fundador.

Talvez estejamos habituados a considerar Dom Bosco como uma espécie de “propriedade privada” da nossa Congregação, e assim não percebemos que estamos a manipular a sua figura e reduzir-lhe a função e transcendência histórica. Temos por certo a capacidade peculiar de achegar-nos a ele com um “conhecimento de conaturalidade”, que nos facilita a compreen­são e mais justo e mais objetivo aprofundamento; mas essa capacidade deve incitar-nos a estudá-lo na sua “eclesialidade”, sem reducionismos que lhe ofusquem os horizontes. Um Fundador é o portador de um determi­nado carisma, e dele todo o Povo de Deus, a Igreja, toma consciência, alegra-se e sente-se enriquecida pela sua contribuição espiritual e apostólica, abençoa os seus valores, promove e sustém a índole própria do seu carisma, exige que seja salvaguardada a sua identidade, e zela para que seja defendida sua integridade.14

Os Fundadores, lembrou-nos Paulo VI, foram “suscitados por Deus na Igreja”; por isso os seus discípulos têm a obrigação de ser fiéis “às suas intenções evangélicas”.15

O Fundador é um verdadeiro “centro ecle­sial de referência”, que não deve ser diminuído por uma visão apenas doméstica, bem intencio­nada é certo, mas talvez um tanto mesquinha e mesmo carola, que lhe altera os lineamentos e mutila a sua missão histórica objetiva.

O Concílio fala dos Fundadores como de uma expressão qualificada da realidade vital da Igreja.16 A Teologia, é pena, não estudou ainda de maneira adequada o alcance específico deles, enquanto expressão de eclesialidade. A função histórica de um Fundador insere-se no próprio mistério da Igreja em seu devir histórico: nela e por ela foi suscitado, com uma das expres­sões características da sua “vida e santidade”.17

Cada um dos Fundadores tem na Igreja uma espécie de unicidade, enquanto iniciador e modelo.

Justamente no ano passado, escrevendo às Filhas de Maria Auxiliadora, eu indicava três aspectos dessa singularidade do nosso Pai:

“— Antes de tudo, uma originalidade espe­cial: Dom Bosco não encontra outro caminho para realizar a sua vocação senão o de Funda­dor; vê-se quase forçado a iniciar uma experiên­cia inédita de santificação e de apostolado, isto é, uma releitura do Evangelho e do mistério de Cristo em chave própria e pessoal, com especial maleabilidade frente aos sinais dos tempos. Essa originalidade comporta essencialmente uma ‘síntese nova’, equilibrada, harmônica e, à sua maneira, orgânica dos elementos comuns à santidade cristã, onde as virtudes e os meios de santificação têm uma colocação própria, uma dosagem, uma simetria e uma beleza que os caracterizam.


  • Além disso, uma forma extraordinária de santidade. É difícil estabelecer seu nível, mas não se pode identificar com a santidade do ca­nonizado não-fundador (por exemplo, com a de um São José Cafasso). Tal extraordinariedade, que traz consigo novidades precursoras, atrai para a pessoa do Fundador, coloca-a no centro de consensos e de contrastes, faz dele um ‘patriarca’ e um ‘profeta’; jamais um solitá­rio, mas, sim, um catalizador e um portador de futuro.

  • Enfim, um dinamismo gerador de poste­ridade espiritual: se a experiência de Espírito Santo não for transmitida, recebida e depois vivida, conservada, aprofundada e desenvolvida pelos discípulos diretos do Fundador e dos seus seguidores, não se terá o carisma de fundação. Esse relevo é fundamental: Dom Bosco recebeu dons pessoais, que o acompanharam até a morte e fizeram da sua pessoa, por disposição divina, um centro fecundo de atração e irradia­ção, um ‘gigante do espírito’ (Pio XI), que deixou em herança um rico e bem definido patrimônio espiritual”.18

As notas específicas de Dom Bosco-Fundador traduziram-se, no plano dos fatos e da realidade efetiva, na elaboração do seu projeto operativo global, “substancialmente unitário e com características próprias, às quais se podem reconduzir as multiplicidades das intenções e das ações da sua existência dinâmica”.19

Com seu projeto operativo, nosso Pai deu à Igreja um método educativo verdadeiramente genial, fonte de uma criteriologia pedagógico-pastoral amplamente partilhada, que responde às exigências da juventude e das classes popu­lares e já deu frutos de santidade nos destina­tários e nos operadores do seu “Sistema Pre­ventivo”.

O projeto global de Dom Bosco concentra-se, do ponto de vista dos “operadores”, na convocação e organização de uma complexa associação de numerosos e diferenciados cola­boradores: uma “Família” que evangeliza a juventude com o Sistema Preventivo.

Se verdadeiramente quisermos ser fiéis a Dom Bosco-Fundador, devemos saber olhar para ele “eclesialmente”!






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