A família salesiana


Preciosa herança que exige fidelidade



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Preciosa herança que exige fidelidade

A “Família Salesiana” de Dom Bosco é um fato eclesial.

Indica a coparticipação no espírito de Dom Bosco e na sua missão com os consequentes laços que intercorrem entre os vários grupos de congregados: Salesianos, Filhas de Maria Auxiliadora, Cooperadores, e outros grupos ins­tituídos posteriormente.

Todos juntos constituímos na Igreja uma espécie de “etnia espiritual”. Essa comunhão “começa a aparecer a partir de um dado histó­rico complexo. Dom Bosco, para realizar a sua vocação de salvação da juventude pobre e aban­donada, procurou uma ampla união de forças apostólicas na unidade articulada e vária de uma ‘Família’”.6

Ela já está comprovada por uma experiên­cia vivida em comum por mais de um século.

Depois do Concílio, as tarefas de reflexão e de renovação exigidas para esclarecer a identi­dade e relançar a atualidade dos vários carismas do Povo de Deus despertaram um renovado empenho para promover uma cons­ciência mais explícita, maior união e mais estreita colaboração entre quantos participam num mesmo carisma.

Falar da “Família Salesiana” não significa, pois, arrazoar num sentido de inovação com fantasia utopista; trata-se de um dado concreto, de um fato espiritual, que tem uma dimensão histórica e vigor de verdade que interpelam seriamente a nossa fidelidade a Dom Bosco e aos tempos.

A Família Salesiana — afirma o Capítulo Geral Especial — é uma realidade eclesial que se torna sinal e testemunho da vocação de seus membros para uma missão particular, segundo o espírito de Dom Bosco;



a Família Salesiana exprime — na linha de quanto a Igreja disse de si mesma — a comu­nhão entre os diversos ministérios a serviço do povo de Deus; e completa as vocações parti­culares para que se manifeste a riqueza do carisma do Fundador;

a Família Salesiana desenvolve uma espiri­tualidade original, de natureza carismática, que enriquece todo o Corpo da Igreja e se torna modelo pedagógico cristão todo particular”.7

Nem todos ainda, talvez, entre nós, empenharam-se em examinar com olhar agudo e objetivo o processo histórico providencial pelo qual Dom Bosco foi, na Igreja, um “Fundador” e, em consequência, toda a realidade eclesial da Famí­lia Salesiana por ele iniciada. Devemos saber captar melhor a dimensão verdadeiramente grande da paternidade de Dom Bosco e da pers­pectiva apostólica do seu carisma, e encontrar a maneira de honrá-lo e reconhecê-lo deveras como um dos grandes Fundadores na Igreja.

Nosso Pai sentiu-se investido pelo Alto de uma vasta missão juvenil e teve clara consciên­cia de ter sido chamado, para isso, a tornar-se Fundador não simplesmente de um Instituto religioso, mas de todo um movimento espiritual e apostólico de vastas proporções. A amplidão de horizontes do seu plano fundacional jorrava de um impulso superior e da vastidão e com­plexidade das urgências dos destinatários con­fiados à sua vocação.

Sentiu-se chamado a iniciar um peculiar trabalho de salvação que se devia traduzir em amplo e concreto “projeto operativo”, com o envolvimento de todas as forças disponíveis. Ele mesmo dizia: “Tempo houve em que podia bastar estarmos unidos na oração; mas hoje em dia são tantos os meios de perversão, sobretudo para dano da juventude de ambos os sexos, que é preciso unir-nos no campo da ação e agir”.8

“Temos em andamento — exclamava em outra ocasião — uma série de projetos que diante do mundo parecem fábulas ou coisa de louco; mas assim que se tornam manifestos, Deus os abençoa de modo que tudo vai de velas enfuna­das. Motivo para rezar, agradecer, esperar e vigiar”.9

Dom Bosco foi magnânimo e corajoso; pôs a serviço da sua vocação peculiar todos os dotes de inteligência, criatividade e coragem com que fora enriquecido, movido também por múltiplos dons e moções do Espírito do Senhor.

“Por um lado, ele parece às vezes persuadi­do de possuir uma espécie de investidura uni­versal da juventude abandonada, por outro, tem bem presente que o problema dos jovens supera em muito o âmbito das suas obras e cria especí­ficas responsabilidades eclesiais e civis. Em ambos os casos, o convite para cuidar dos jovens é feito também a pessoas não oficial­mente enquadradas nas suas instituições, tra­balhando nas respectivas paróquias, cidades, países, famílias”.10

Pois bem: se pensamos que no nosso século o problema das massas de jovens necessitados “é uma realidade que, em relação a Dom Bosco, atinge hoje dimensões quase incomensuráveis”, havemos de considerar muito mais urgente a necessidade de um alargamento de perspectivas na interpretação e promoção da Vocação salesiana.

Já o Capítulo Geral Especial havia escolhi­do o tema da Família Salesiana como uma das linhas mestras da nossa renovação: “Os Sale­sianos — está escrito no documento 1, nº 151 — não podem repensar integralmente a sua vocação na Igreja sem se referirem àqueles que juntamente com eles são depositários da vontade do Fundador. Por isso procuram maior ‘unidade de todos, embora na autêntica diversidade de cada um’”.11

Eis uma verdade sobre a qual devemos refletir seriamente: a nossa vocação salesiana, na sua integralidade concreta, faz-nos participar vitalmente numa “experiência de Espírito San­to” vivida e coparticipada por tantos outros para permutar entre si suas riquezas12 e assumir com mais consciência de conjunto as suas tare­fas.13 Todo Irmão deve pensar que a sua pro­fissão religiosa o incorpora simultaneamente na Congregação e na Família Salesiana, na qual lhe oferece vasta área de estímulos para a san­tidade e de colaboração apostólica, ao mesmo tempo que lhe abre à frente um horizonte operativo quase temerário e de verdadeiro pro­tagonismo eclesial e civil.

Por isso, queridos Irmãos, devemos olhar para a “Família Salesiana” como para uma rea­lidade objetiva e uma esperança de crescimento, com uma verdade própria a ser conhecida e amada e com múltiplas exigências que nos farão progredir na fidelidade a Dom Bosco.




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