A escrita da história do egito antigo



Baixar 1.05 Mb.
Pdf preview
Página5/11
Encontro09.07.2022
Tamanho1.05 Mb.
#24189
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
a escrita da hsitria do egito antigo
descritos em conjunto como reis do final do Protodinástico ou reis do final de Naqada 
III, que reinaram no Egito antes da unificação política do país” (CASTILLOS, 2002, 83). 
Com relação aos nomes dos governantes é interessante notar que o nome do 
faraó Narmer, da Dinastia “0”, e de sete sucessores da I Dinastia, já aparecem 
relacionados ao deus Hórus (QUIRKE, 1990, 22). Neste momento temos o surgimento 
daquele que seria o primeiro título que constituía os cinco nomes da titulatura real ao 
longo de todo o período histórico: Hor, que é o nome de “Hórus” (FAULKNER, 1976,
173), e que representa um falcão, símbolo do rei, pousado sobre uma fachada de um 
palácio, denominada serekh, sob a qual se escrevia o nome do monarca. A imagem 
transmite a ideia de que o palácio é o lugar onde está o Hórus vivo, e por tal razão esta 
forma de escrever o nome pode ser interpretada como “Hórus (está) no palácio” ou 
“Hórus (está dentro) do palácio” (ARAÚJO, 2001, 827). 
A sucessão dos reis, cujos nomes aparecem sob o mesmo símbolo com aspecto 
divino, pode ser claramente compreendida de acordo com a noção de tempo linear
associada à eternidade-djet, pois reflete uma continuidade. Cada um dos reis ocupa o 
lugar de Hórus, o que reforçaria a ideia de que existiriam laços de parentesco entre 
eles, pois todos estariam ligados a um antepassado comum. Em épocas posteriores o 
faraó recebia este título quando ascendia ao trono, razão pela qual não era algo 
inerente à pessoa, mas à função que o rei desempenhava (SHAW & NICHOLSON, 1995, 
247). 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
270
Associada a esta função está o título real Hor-nub, que significa “Hórus de 
Ouro” (FAULKNER, 1976, 174). A primeira vez que o símbolo do falcão foi associado ao 
sinal hieroglífico de um colar, que se lê nub e literalmente significa “ouro”, ocorreu 
durante o reinado de Den, da I Dinastia (QUIRKE, 1990, 23). É por meio desta 
aproximação dos dois sinais, falcão e colar de ouro, que uma cena mítica era revivida 
(GRALHA, 2002, 93). A referência ao ouro, substância que compunha a carne dos 
deuses, remete à ideia de que se trata diretamente de um ser divino, do próprio Hórus 
que assumiu o lugar de seu pai na terra como governante. O signo nub, no entanto, 
pode ter outra leitura, nubti, que faz dele um adjetivo nisbé, interpretado como 
“pertencente a” ou “relacionado com”. Nubti, então, poderia ser entendido como “o 
que pertence a Nubet”, sendo esta a cidade de origem do deus Set, antagonista de 
Hórus no mito que resulta em sua nomeação como faraó. Desta maneira, o título 
poderia ter uma conotação diferente, representando a vitória de Hórus sobre Set na 
disputa pelo trono do Egito, ou da ordem sobre o caos (ARAÚJO, 2001, 827). 
Seja qual for a interpretação mais próxima do significado original do título 
“Hórus de Ouro”, é certo que os mitos antigos, organizados e ressignificados 
posteriormente, atualmente nos auxiliam na compreensão da posição divina do rei ao 
longo de toda a história egípcia. As origens são encontradas nos mitos cosmogônicos, 
principalmente naquele originário da cidade de Heliópolis. Segundo esta versão, o 
deus-sol Ra, ou Atum, concebeu dois filhos: Shu, personificação do ar, e Tefnut, a 
representação da umidade. A geração que os sucedeu, formada por Geb, a terra, e 
Nut, o céu, acabou por conceber cinco divindades que nasceram e passaram a habitar 
a terra: Osíris, Ísis, Set, Néftis e Hórus, o velho. Neste ponto a genealogia produzida 
pelos sacerdotes de Heliópolis acabou por relacionar o mito de Osíris com o da criação 
pelo demiurgo Ra. 
Originalmente Osíris era um deus ctônico e da vegetação, oriundo de uma 
cidade do Delta, chamada Busíris. Com o crescimento de seu culto, ao final do Reino 
Antigo, Osíris acabou por absorver as características de outros deuses e tornou-se deus 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
271
dos redivivos. O principal antagonista de Osíris no mito da realeza divina era o seu 
irmão, Set. Este deus, conhecido pelo epíteto de “o vermelho”, estava relacionado ao 
território árido que circundava o Vale do Nilo e passou a personificar o caos. No 
segundo século de nossa era o escritor grego Plutarco escreveu uma versão do mito de 
Osíris
7
utilizando-se de diversas fontes que estavam disponíveis. Os episódios que 
compõe o mito foram colocados em sequência, mas há controvérsias quanto à 
exatidão, pois certas passagens não aparecem nas fontes egípcias. O entendimento 
desta história, portanto, deve ser efetuado a partir das fontes faraônicas, que 
permitem uma versão específica do mito, a exemplo do Grande Hino a Osíris
8
. Neste o 
deus é homenageado pelas Duas Terras, por sua “regência estável” e pelo fato de que 
é ele quem “estabelece Maat pelas Duas Margens” (ARAÚJO, 2000, 341). Mas a ordem 
vigente não perdurou, visto que Osíris foi atacado por seu irmão, que almejava acabar 
com sua hegemonia. 
Os Textos das Pirâmides nos informam que “Osíris foi abatido por seu irmão 
Set” (FAULKNER, 1969, 231) em Nedit, uma localidade situada próximo a Abydos. Por 
ser um momento dramático não há detalhes sobre o assassinato do deus, mas é certo 
que Osíris, pela tradição, teria se afogado no Nilo. Set neste ponto substitui o irmão no 
trono do Egito. A continuidade do mito trata da procura do corpo do deus, na qual Ísis 
utiliza-se de sua magia. Nas palavras do Hino a Osíris: “Ísis, a akhet, protetora de seu 

Baixar 1.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal