A escrita da história do egito antigo



Baixar 1.05 Mb.
Pdf preview
Página4/11
Encontro09.07.2022
Tamanho1.05 Mb.
#24189
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
a escrita da hsitria do egito antigo
 
Figura 1 – Texto hieroglífico, transliteração e tradução de uma data presente na estela nº 583 do Museu 
Britânico.
Outras datas são mais específicas, pois marcam também o dia e o mês de uma 
estação. Tal precisão tinha como objetivo principal registrar os acontecimentos 
importantes, fossem eles de cunho político ou religioso. Quando da morte de um 
monarca a datação recomeçava com o seu sucessor, e isto se tornou uma tradição dos 
egípcios antigos. Tal delimitação do tempo tinha um fim não somente prático, mas 
também psicológico, pois cada novo reinado era visto como um novo começo, no qual 
o faraó que estivesse no trono representaria os mitos universais da realeza com 
eventos de seu próprio tempo (SHAW, 2000, 06). 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
268
A HISTÓRIA DO EGITO ANTIGO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A 
CRONOLOGIA EGÍPCIA 
A constituição de uma de sequência mais precisa para a história egípcia, além da 
cronologia proposta por Manethon, só foi efetivada a partir de uma série de 
documentos de diversas naturezas, como maças, paletas, estelas comemorativas, anais 
reais, papiros descobertos em arquivos de templos e decorações de tumbas, cujas 
inscrições puderam ser traduzidas. Ao procurarem pelas raízes do estabelecimento dos 
faraós como governantes no Vale do Nilo, o que marca o início do primeiro Estado 
organizado na história da humanidade, os pesquisadores se depararam com um 
problema, pois as fontes para o início da cronologia egípcia, por estarem mais 
distantes no tempo, conservaram-se em menor número. Neste sentido, um 
documento foi de fundamental importância. 
A denominada Pedra de Palermo, que leva este nome porque seu maior 
fragmento está conservado no museu desta cidade italiana
6
, é o mais antigo dos 
documentos egípcios que traz uma lista com nomes e realizações dos soberanos. 
Trata-se de uma parte de uma estela de basalto da V Dinastia, escrita em ambos os 
lados com anais reais que vão dos “servidores de Hórus”, governantes míticos que 
teriam lutado junto com o deus Hórus pela supremacia política no território egípcio, 
até o reinado de Niuserré Ini (c. 2416-2392 a.C.), o sexto rei da V Dinastia (SALES, 2001, 
667). Na estela os nomes dos governantes são seguidos pelos de suas respectivas 
mães, os principais acontecimentos de cada reinado, como a fundação de um templo, 
a realização de um festival ou a confecção de uma estátua, listados ano a ano, além de 
medições anuais das cheias do Nilo. Tal documento, publicado no princípio do século 
XX, aliado às escavações realizadas por Petrie que trouxeram à luz nomes de 
6
Fragmentos menores estão conservados no Museu do Cairo e no Museu Petrie do University College, 
em Londres. 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
269
governantes que seriam anteriores à primeira dinastia, comprovou que a sequência 
proposta por Manethon apresentava divergências com relação às demais fontes. 
Assim, para incluir os governantes que surgiram e que não constavam na obra 
Aegyptiaca, alguns pesquisadores conceberam uma nova dinastia, denominada “0”. 
Pesquisas recentes levadas a cabo em Abydos revelaram outros nomes de príncipes 
que foram agrupados na peculiar “Dinastia 00”. (WILKINSON, 2001, 52; CASTILLOS, 
2002, 82). Na opinião de Juan José Castillos tais príncipes “seriam mais corretamente 

Baixar 1.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal