A escrita da história do egito antigo



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a escrita da hsitria do egito antigo
INTRODUÇÃO 
O primeiro a reunir informações sobre o passado egípcio, sob o ponto que vista 
histórico, foi um sacerdote do Período Ptolomaico chamado Manethon, nascido na 
cidade de Sebenitos no terceiro século antes de Cristo. Sua obra, denominada 
"Aegyptiaca”, originalmente redigida em língua grega entre os reinados de Ptolomeu 
Sóter e Ptolomeu Filadelfo, somente chegou até o presente por meio de fragmentos 
transmitidos por outros autores, entre eles Flávio Josefo (século I d.C.), Júlio, o africano 
(c. 220 d.C.), Eusébio de Cesaréia (c. 320 d.C.) e George Syncello (c. 800 d.C.) (SALES, 
2001, 538; CLAYTON, 1999, 09-10; EMERY, 1961, 23-24). Provavelmente utilizando-se 
de diversos registros mantidos nos arquivos templários, entre os quais o de Heliópolis, 
Manethon organizou os reis em 30 dinastias, apesar destas possuírem erros 
cronológicos, visto que listou os faraós como tendo reinados sucessivos, o que na 
realidade não ocorreu. Houve dinastias simultâneas e outras que nunca existiram, o 
que levou a uma cronologia inicial que situava a unificação do Egito e o início do 
Período Dinástico em aproximadamente 4000 a.C.. Este recuo temporal extremo foi 
denominado pelos pesquisadores de “cronologia longa”, sendo muito utilizado ao 
longo do século XIX, mas passou por diversas revisões ao longo do século XX e, 
notadamente com as descobertas ocorridas a partir de 1960, vem se modificando 
continuamente (SHAW, 2000, 02). 
Mesmo fragmentada, a obra de Manethon serviu como base para o 
desenvolvimento da organização cronológica que moldou a história política do Egito, 
calcada em grande parte nos reinados do faraó e seus feitos. Esta organização foi uma 
preocupação constante dos egiptólogos ainda nos primórdios da arqueologia do Egito 
no século XIX, pois as grandes escavações da época que sucedeu a fase do 
antiquarismo, relacionada principalmente à coleta e à busca desenfreada pelos 
artefatos, direcionavam-se para descobertas de monumentos que pudessem contribuir 
de alguma forma para a cronologia egípcia. Uma carta escrita por Charles Edmond 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
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Gabet (1818-1869), encarregado por Auguste Mariette (1821-1881)
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de fiscalizar os 
trabalhos de escavação na cidade de Abydos, na área conhecida como “o terraço do 
Grande Deus”, deixa à mostra esta preocupação pela cronologia e a frustração pela 
ausência dos cobiçados monumentos: 
As famosas estelas “como ele jamais encontrara, e altas como 
um camelo” são simplesmente estelas ordinárias, três ou 
quatro, é verdade, são notáveis pelo estilo dos hieróglifos, mas 
em definitivo nada de datas, nada de estelas históricas. 
(SIMPSON, 1974, 08) 
A organização fundamental da cronologia acabou sendo efetuada durante a 
segunda metade do século XIX, pelo pai da egiptologia alemã, Karl Richard Lepsius 
(1810-1884), que dividiu o Período Dinástico em três reinos: “Antigo”, “Médio” e 
“Novo”. Estes são intercalados por “Períodos Intermediários”, excluída tal 
denominação para as épocas mais recentes, respectivamente tardia, grega e romana, 
referindo-se aqui somente à Antiguidade. Assim, qualquer obra de cunho egiptológico 
é tradicionalmente dividida nesta sequência em que os períodos intercalam momentos 
de estabilidade e de instabilidade, seja da própria ordem política, ou também social e 
econômica. 
Baseando-nos na cronologia proposta por John Baines e Jaromir Málek (1996, 
36-37), temos as seguintes datas: Dinástico Primitivo (c. 2920-2575 a.C.), Reino Antigo 
(c. 2575-2134 a.C.), Primeiro Período Intermediário (c. 2134-2040 a.C.), Reino Médio 
(c. 2040-1640 a.C.), Segundo Período Intermediário (c. 1640-1550 a.C.), Reino Novo (c. 
1550-1070 a.C.), Terceiro Período Intermediário (c. 1070-712 a.C.), Período Tardio (c. 
712-332 a.C.), Período Ptolomaico (já sob dominação grega; 332-30 a.C.) e Período 
Romano (como são designados os anos de dominação romana; 30 a.C.-395 d.C.). 
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François Auguste Ferdinand Mariette foi um egiptólogo francês cujas três maiores conquistas foram a 
criação do primeiro Serviço Nacional de Antiguidades, a formação do primeiro Museu Nacional no 
Oriente Próximo para abrigar as importantes descobertas arqueológicas da região, e o desenvolvimento, 
primeiramente no Egito e depois no mundo, de uma consciência sobre a destruição, expropriação, 
cuidados adequados e conservação de antiguidades (BIERBRIER, 2012, 356). 


NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade 
2014, Ano VII, Número I – ISSN 1972-9713 
Núcleo de Estudos da Antiguidade 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
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Outros egiptólogos propõem datas diferenciadas para cada época, o que altera a 
sequência supracitada, baseados em suas próprias interpretações. Tais divergências 
cronológicas continuam em debate, visto o sempre crescente número de pesquisas, e 
levam a alterações temporais que variam de uma década do Reino Novo ao Período 
Tardio e de até mais de um século para o início da história dinástica (CARDOSO, 1982, 
12). 
De forma geral a divisão da história egípcia teve como base o estabelecimento 
das dinastias, ou casas reais, cujos governantes, por vezes, não possuem laços 
consanguíneos
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, o que coincide com o processo de formação do Estado unificado em 
algum momento entre 3100 a 3000 a.C.. Ao mesmo tempo, a invenção da escrita 
também define o período histórico, separando-o da fase anterior, pré-histórica, que 
em sua época mais recente é conhecida como Pré-Dinástica, justamente por preceder 
a unificação dos reinos do Alto Egito (ao Sul) e do Baixo Egito (ao Norte). As fases 
principais que compõem a pré-história recente foram inicialmente estabelecidas a 
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