A diplomacia entre Brasil e Venezuela: o histórico que implicou na conjuntura atual e suas consequências



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1. 

A crise venezuelana  

A  crise  na  Venezuela,  não  é  algo  recente.  Para  compreender  com  aplitude 

todos os aspectos que cercam essa questão, é necessário regressar na história 

da  América  Latina  a  fim  de  desvendar,  as  razões  que  levaram  a  Nação 

venezuelana, à atual conjuntura.  

Situada na América do Sul, a Venezuela junto com o Brasil, e outros países 

da  região,  foram  colonias  de  exploração  e  obedecendo  um  certo  padrão 

histórico,  essas  encontram-se  num  padrão  de  países  subdesenvolvidos,  na 

atualidade.  Tal  disposição  ocorre  pela  natureza  do  tipo  de  ocupação 

realizada, que buscava captanear as regiões, extraindo os recursos naturais e 

enviando-os para o respectivo país sede. 

O  tipo  de  colonização  mais  comum  foi  o  praticado  no  Brasil  e  em 

praticamente  todo  o  restante  da  América  Latina,  sendo  caracterizado  pelo 

extrativismo e pela chegada de colonos que não têm a intenção de ficar no 

local por muito tempo. Normalmente, a colônia de exploração tem apenas um 

ou dois recursos naturais que interessam à metrópole, e por este motivo, suas 




Bárbara Pimentel Marim 

Marcelo Fernando Quiroga Obregon 

 

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terras não são desenvolvidas e sequer recebem atenção para receber colonos 

em  grandes  quantidades,  apenas  recebendo  homens  sozinhos,  que  chegam 

para pegar o que interessa e para partir (COLEGIO WEB, 2014). 

Superado tal aspecto, insta salientar quanto vasta instabilidade política que 

abarca todo o território da América Latina. E, nesse diapasão, é importante 

relembrar  as  diversas  revoltas  corridas  no  Brasil  e  em  seus  países  sul 

Americanos  à  época,  tais  como  a  revolta  da  Sabinada,  Farroupilha, 

Revolução Cubana e ainda, a Revolução Nicaraguense e Centro Americana.  

Ainda  tratando  de  um  contexto  histório,  todavia,  em  uma  história  mais 

recente,  na  década  de  30,  um  fenômeno  político  se  instalou  em  diversos 

países  da  região,  a  chamada  política  populista,  que  contibuiu  com  uma 

herança negativa para a economia dos países que a adotaram e será melhor 

abordada no tópico que segue. 

O tipo de governo denominado “populismo” consiste em práticas políticas, 

de um líder que se identifica com as massas, por meio de uma causa comum, 

ou seja, de um apelo ao povo, que, por sua maioria, contrapõe um grupo com 

representatividade na população a um grupo pertencente a “elite”. Vale dizer 

que  não  existe  uma  única  definição  do  termo,  e  que  o  mesmo  tem  sido 

ressignificado desde seu surgimento.  

A  expressão  populismo  é,  inicialmente,  vaga.  É  um  tema  controverso, 

complexo,  que  recebeu  várias  interpretações  e  suscitou  muitas  polêmicas. 

Enquanto um determinado estilo político, numa determinada realidade social, 

vários  movimentos  ocorridos  na  África,  Ásia,  Europa  do  Leste,  Rússia, 

Estados Unidos e América Latina receberam tal nomeação. Mas é necessário 

ressaltar que a utilização deste conceito recobre relações de classes que são, 

às  vezes,  muito  diversas,  abrangendo  situações  históricas  extremamente 

diversificadas.  Assim,  a  produção  e  a  validade  dos  conceitos  não  podem 

prescindir das configurações históricas específicas e determinadas; em outros 

termos,  os  conceitos  teóricos,  como  “abstrações  reais”,  são  historicamente 

determinados (BARROS, [2009?]). 

A  política  populista  possui  particularidades  tais  como  um  conteúdo 

específico, e não como uma maneira de exercício regular de poder. Dentre 

as  caracteristicas  da  estrutura,  a  que  mais  se  destaca  é,  de  fato,  o  contato 

direto entre as massas da sociedade, com o líder carismático. Esse contato se 

dá  de  forma  direta,  sendo,  portanto,  dispensado  o  intermédio  de  partidos, 

corporações, ou seja, terceiros de modo geral.  

No  Brasil,  Getúlio  Vargas  adota  uma  série  de  medidas  clássicas  do 

populismo, caracterizado pela existência de um lider salvador, carismático, 



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o histórico que implicou na conjuntura atual e suas consequências 

 

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centralizador, promovedor de reformas. Na Argentina, destaca-se o fenôneno 

do Peronismo, e já no México, o Cardenismo, entre outras figuras.

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A  fim  de  alcançar  o  seu  objetivo,  qual  seja,  ser  eleito,  o  líder  populista 

procura criar um vínculo emocional com as massas. Nesse sentido, surge um 

sistema de políticas ou métodos para que as classes sociais de menor poder 

aquisitivo, e as da clásse média urbana, se sintam atraídas pelo líde a fim de 

votar e lhe conceder prestígio. Considera-se esse modo o mais representativo 

para esse tipo de governante.  

Todavia,  o  contexto  internacional  torna  desfavorável  a  adoção  de  medidas 

assistencialistas, que são o pilar  das promessas de campanha, além de obstar 

o crescimento ecônomico das nações que adotam esse estilo de governo, em 

razão do alto custo público para manutenção das reformas populares.  

Assim,  corriqueiramente  os  resultados  alcançados  pelos  governantes 

populistas  são  positivos  em  um  primeiro  momento,  mas  levam  ao 

desequilíbrio  das  contas  públicas  ao  final  de  seu  mandato.  Cite-se,  a  esse 

respeito,  o  caso  venezuelano,  onde  Hugo  Chávez  ao  ser  eleito  em  1998, 

inicia uma ampliação da rede pública de saúde, alcançando uma redução da 

pobreza  significativa,  mas  quando  seu  sucessor  assume  o  governo  após  a 

morte  do  lider  chavista,  a  Venezuela  entra  em  uma  grave  recessão 

ecônomica,  com  impactos  que  serão  posteriormente  abordados  (JARDIM, 

2009). 

Pode-se, portanto, afirmar que o movimento populista latino-americano, foi 

um mecanismo de integração de massas que, além de expressivo, favoreceu 

em algumas situações, por um determinado espaço de tempo, bem como o 

desenvolvimento  social  e  econômico  do  país.  Mediante  esse  cenário  de 

aparentes conquistas, a política entra em crise.  

                                                             

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  No  decorrer  desta  análise,  ficou  caracterizada  que  o  populismo,  no  caso  brasileiro,  apareceu 



como uma espécie de recurso político do qual se lançou mão na luta de poder quando o Estado 

estruturado durante a República Velha,  controlado pelas oligarquias, entrou  em crise e teve de 

evoluir para a expressão de um pacto que começasse a incluir a massa.Essa vertente explicativa 

demoliu as noções liberais, oriundas tanto de um impopular moralismo tradicional, como de uma 

visão  um  tanto  psicologizante  da  história,  que  procuravam  explicar  o  fenômeno  populista 

fundamentalmente através do carisma do líder populista e pela ingenuidade inerente às massas. 

Tais noções, trabalhando apenas com as aparências, definiam o surgimento do populismo quase 

que pela simples aparição de um líder que, demagogicamente, carregava e dirigia as massas para 

a direção que lhe aprouvesse. Não podiam compreender que o fenômeno populista corresponde a 

uma  manipulação  das  massas  por  parte  do  líder,  mas  também  a  uma  satisfação  de  aspirações 

longamente acalentadas. Dessa maneira, o líder populista, em geral com forte dose de carisma, ao 

mesmo tempo em que procurava manipular as massas para que elas se enquadrassem dentro dos 

limites por ele impostos, também ativava mecanismos de satisfação de velhas aspirações — como 

por exemplo a legislação social — das massas trabalhadoras. (BARROS, [2009?]). 

 



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A queda populismo ocorre na década de 50, com o crescimento das tensões 

entre EUA e União Soviética. A época é marcada pelo contexto da Guerra 

Fria, período o qual os conflitos entre os respectivos países se dava de forma 

indireta,  principalmente  no  ano  de  1962,  com  a  ocorrência  da  crise  dos 

mísseis em cuba.  

Tal  evento desencadeia  o temor de  que na américa do sul, como um todo, 

haveria uma “ameaça comunista”, e que essa, portanto, deveria ser impedida. 

Fato esse, que veio a favorecer  uma série de golpes militares patrocinados 

pelos Estados Unidos, especialmente no Brasil e seus vizinhos.

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No Brasil, com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, a teor do que dispunha 



a  constituição  de  1946,  deveria  assumir  a  presidência  o  vice  do  canditado 

eleito, João Goulart (RODRIGUES, 2017). 

Entretanto,  Jango,  como  era  conhecido,  estava  em  viagem  à  China,  e  três 

ministros  que  eram  militares  discordavam  de  sua  posse,  dado  que 

acreditavam que as propostas defendidas pelo candidato filiavam-se à linha 

do PCB - Partido Comunista Brasileiro (SOUSA, [200?]).  

Por  outro  lado,  o  congresso  apoiava  a  posse  do  então  vice-presidente  e 

propôs  a  adoção  do  sistema  parlamentarista,  o  que  foi  brevemente 

implementado e, em 1963, revogado para a volta do sistema presidencialista.  

Vários países sul-americanos protagonizaram, no mesmo período, ditaduras 

militares.  Peru, Argentina, Guatemala, Paraguai, Uruguai, Chile, República 

Dominicana,  entre  outros,  passaram  por  décadas  de  regimes  ditatoriais 

militares, com o apoio estadunidense.  

A  Venezuela,  no  entanto,  alcançou  a  relativa  estabilidade  política  neste 

período após uma série de golpes ocorridos antes da década de 1950, graças 

aos  preços  do  petróleo  que  dispararam  na  segunda  guerra  mundial  e 

impulsionaram a sua economia permitindo a pacificação política. 

                                                             



4

 Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era 

restaurar  a  disciplina  e  a  hierarquia  nas  Forças  Armadas  e  deter  a  "ameaça  comunista"  que, 

segundo eles, pairava sobre o Brasil. Uma idéia fundamental para os golpistas era que a principal 

ameaça  à  ordem  capitalista  e  à  segurança  do  país  não  viria  de  fora,  através  de  uma  guerra 

tradicional contra exércitos estrangeiros; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros 

que  atuariam  como  "inimigos  internos"  –  para  usar  uma  expressão  da  época.  Esses  "inimigos 

internos"  procurariam  implantar  o  comunismo  no  país  pela  via  revolucionária,  através  da 

"subversão" da ordem existente – daí serem chamados pelos militares de "subversivos". Diversos 

exemplos  internacionais,  como  as  guerras  revolucionárias  ocorridas  na  Ásia,  na  África  e 

principalmente  em  Cuba,  serviam  para  reforçar  esses  temores.  Essa  visão  de  mundo  estava  na 

base da chamada "Doutrina de Segurança Nacional" e das teorias de "guerra anti-subversiva" ou 

"anti-revolucionária" ensinadas nas escolas superiores das Forças Armadas (CASTRO, 2017). 


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o histórico que implicou na conjuntura atual e suas consequências 

 

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Assim,  a  transição  dos  regimes  militares  para  o  período  democrático  atual 

ocorreu,  a  rigor,  com  o  final  da  guerra  fria  e  o  fim  da  suposta  “ameaça 

comunista”.  A  queda  do  muro  de  Berlin  simbolizou,  neste  aspecto,  a 

ausência  de  justificativas  para  regimes  ditatoriais  capitalistas  na  américa 

latina, dando lugar ao modelo neoliberal no início dos anos 90 para diversos 

países da região. 

O retorno do populismo ocorre num contexto de insatisfação com as políticas 

neoliberais implementadas no início da década de 90, intituídas após o que 

se convencionou chamar “O Consenso de Washington”, um documento com 

diretrizes  traçadas  por  economistas  e  o  Fundo  Monetário  Internacional 

(FMI).  


Entre as orientações sugeridas aos países latino americanos, vale mencionar 

a flexibilização das regulamentações havidas no mercado de ações, a redução 

da participação do Estado na economia através das privatizações e a tomada 

de empréstimos junto ao FMI para investimentos, entre outras ações.  

Os apoiadores do neoliberalismo esperavam um retorno alto à curto prazo, e 

projetavam  crescimento  do  Produto  Interno  Bruto  (PIB)  dos  países  que 

adotassem  as  aludidas  medidas.  O  que  se  viu,  no  entanto,  foi  o 

endividamento  externo  dessas  nações,  crescimento  do  desemprego,  e 

posteriormente  o  esvaziamento  dos  apoiadores  das  políticas  neoliberais 

propostas,  levando  à  criação  de  um  cenário  político  favorável  à  figuras 

populistas, conforme se verá. 

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 The one thing that is generally agreed on about the consequences of these reforms is that things 

have not quite worked out the way they were intended. Even their most ardent supporters now 

concede  that  growth  has  been  below  expectations  in  Latin  America  (and  the  "transition  crisis" 

deeper and more sustained than expected in former socialist economies). (…) On the extent of 

trade reform in Africa, see Vinaye D. Ancharaz (2003). between, but the market-oriented reforms 

of  the  1990s  proved  ill-suited  to  deal  with  the  growing  public  health  emergency  in  which  the 

continent became embroiled. The critics, meanwhile, feel that the disappointing outcomes have 

vindicated their concerns about the inappropriateness of the standard reform agenda. While the 

lessons drawn by proponents and skeptics differ, it is fair to say that nobody really believes in the 

Washington Consensus anymore.  

Tradução: A única coisa que geralmente é acordada sobre as conseqüências dessas reformas é que 

as coisas não funcionaram bem do jeito que foram planejadas. Até mesmo seus defensores mais 

fervorosos  admitem  agora  que  o  crescimento  tem  estado  abaixo  das  expectativas  na  América 

Latina (e a "crise de transição" é mais profunda e mais sustentada do que a esperada nas antigas 

economias  socialistas).  (…)  Sobre  a  extensão  da  reforma  comercial  na  África,  ver  Vinaye  D. 

Ancharaz (2003). entre, mas as reformas orientadas para o mercado nos anos 90 mostraram-se 

inadequadas  para  lidar  com  a  crescente  emergência  de  saúde  pública  na  qual  o  continente  se 

envolveu.  Os  críticos,  enquanto  isso,  sentem  que  os  resultados  decepcionantes  têm  justificado 

suas preocupações sobre a inadequação da agenda de reforma padrão. Embora as lições tiradas 

por proponentes e céticos sejam diferentes, é justo dizer que ninguém acredita mais no Consenso 

de Washington (RODRIK, 2006). 




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Com a implementação das reformas sugeridas e seu fracasso, as eleições do 

final da década de 90 e começo dos anos 2000 trouxeram à tona um contexto 

político  carente  de  figuras  populares,  privilegiando  a  eleição  daqueles  que 

prometiam  à  classe  trabalhadora  a  geração  de  empregos,  melhorias  dos 

direitos  trabalhistas,  programas  assistencialistas,  e  outras  demandas 

específicas das classes econômicas mais desfavorecidas. Destacam-se, entre 

eles,  Hugo  Chavez,  na  Venezuela,  Luiz  Inácio  Lula  da  Silva,  no  Brasil  e 

Cristina Kirchner, na Argentina.  

Entre  as  medidas  adotadas,  é  imperativo  nomear  a  adoção  de  programas 

assistencialistas (Bolsa  Família, no  Brasil,  e ampliação da rede de clínicas 

populares na Venezuela), e a reforma dos direitos trabalhistas, semelhantes 

àquelas implementadas na década de 30, representando uma nova política e 

que rompeu laços com uma elite que ocupava o poder (SILVA, [201?]).  

Tais personagens, foram eleitos com base na decepção de seus antecessores 

(neoliberais) cujas políticas sociais  não  estavam alinhadas com  o interesse 

do  povo.  Cite-se,  por  exemplo,  a  crise  na  Argentina,  ocorrida  em  2001, 

quando  o  governo,  de  maneira  equivocada,  resolveu  atrelar  sua  moeda  (o 

peso), a moeda norte-americana (o dólar), desregulamentando o mercado.  

A supracitada medida veio, em 1989, com o intuito de restaurar a economia 

que estava em queda, sendo esta uma das ações sugeridas no Consenso de 

Washington, entretanto, embora bem sucedida pra enfrentar a crise, em 2001, 

resultou no calote à credores estrangeiros, agravando a crise do país (BBC, 

2001).  


A crise humantária que atualmente assola a Venezuela, pouco diz respeito à 

seu regime de governo, mas em muito se relaciona com fatores econômicos, 

políticos  e  erros  estratégicos  ocorridos  na  administração  chavista 

(CORAZZA; MESQUITA, 2019).  

Os reflexos da instabilidade financeira que atinge a nação vizinha podem ser 

notados com o massivo fluxo imigratório de  venezuelanos que deixaram o 

país desde 2015, cujos dados levantados em agosto de 2018 apontam para o 

êxodo de 2,3 milhões de pessoas, numero superior, por exemplo, ao número 

de 1,5 milhões de refugiados que entraram na União Européia nos últimos 

04 anos (GLOBO, 2018).  

Apesar  da  comoção  da  comunidade  internacional  em  relação  do  governo 

autoritário  de  Nicolás  Maduro  e  sua  relação  com  os  direitos  humanos,  o 

momento enfrentado pela população venezuelana começou com a eleição de 

Hugo  Chávez,  em  1998,  e  com  os  erros  estratégicos  que  causaram  um 

escalonamento  dos  gastos  públicos,  hiperinflação  e  desemprego 

(ROBINSON, 2013). 




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Frise-se que a maior parte do governo de Hugo Chávez foi marcado por uma 

drástica  redução  da  pobreza,  e  uma  série  de  políticas  assistencialistas  que  

levaram ao ganho de um amplo apoio e simpatia da população.  

Todo  esse  contexto  não  só  levou  Chavez  ao  poder,  como  garantiu  sua 

permanência até 2013, quando escolhe como seu sucessor o atual presidente 

venezuelano, Nicolas Maduro.  

Todavia,  os  benefícios  sentidos  pela  população  tornaram-se,  em  última 

instância,  parte  da  razão  que  inviabilizaram  a  saúde  das  finanças  daquele 

país.  O  governo  Chávez,  ciente  das  reservas  de  petróleo  de  seu  país,  não 

diversificou  a  economia,  mantendo  o  pilar  financeiro  venezuelano 

sustentado,  majoritariamente,  nas  exportações  de  commodities  e 

principalmente no petróleo (REDAÇÃO CARTA CAPITAL, 2017).  

Pior, a tentativa dos economistas venezuelanos de alterar a taxa de câmbio 

para  combater  os  efeitos  da  inflação  apenas  estimulou  o  desabastecimento 

de  lojas  e  supermercados,  atingindo  ainda  mais  a  população  carente 

(CORAZZA; MESQUITA, 2019). 

Além  disso,  a  propaganda do  governo  Chavez  e  seguida  por  seu  sucessor, 

pregavam a rejeição ao “imperialismo americano” e ao “capitalismo”, o que 

eventualmente  levou  aos  Estados  Unidos  adotarem,  sob  pretexto  político, 

uma série de embargos econômicos e medidas protecionistas, prejudicando 

ainda mais as finanças venezuelanas.  

Some-se a tal fato que em 2014 a cotação do barril do petróleo superava os 

U$$ 110,00 doláres, mas no mesmo ano algumas questões causaram a queda 

drástica do valor do barril, levando-o para o patamar de U$$ 46,00 doláres, 

uma  redução  superior  à  60%  de  seu  valor  original,  atingindo  a  mínima  de 

U$$ 30,00 doláres em 2015 (ALVARENGA; TREVIZAN, 2016).   

Tal  conjuntura  econômica  levou  a  falencia  do  estado  venezuelano,  o  que 

inviabilizou as políticas assistencialistas implementadas pelo antessessor de 

Maduro,  causando  sequelas  econômicas  que  ainda  são  sentidas  na 

atualidade,  como  a  hiperinflação  e  o  desemprego  (REDAÇÃO  CARTA 

CAPITAL, 2017).  

Nota-se  que  a  política  populista  no  país  venezuelano  contribuiu,  portanto, 

para  o  agravamento  da  crise  atual, na  medida  que  os  altos  gastos  públicos 

necessários  para  a  manutenção  dos  programas  do  governo  chavista 

impossibilitaram a reserva de finanças, o combate à inflação, o que gerou a 

fuga  do  capital  estrangeiro  e  fechamento  de  diversas  empresas  no  país, 

aumentando o desemprego e concorrendo para a realidade recente 



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