A diplomacia do presidente abraham lincoln: a política no período pré-guerra



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Considerações finais 

O  presidente  Lincoln  não  conseguiu  evitar  a  secessão  e  a  guerra,  mas  o  problema 

advinha do passado, pois a não proibição da escravidão já havia dividido o país na própria 

feição  da  Constituição  americana,  e  questões  relativas  ao  abolicionismo  eram  sempre 

decididas de maneira a contentar a ambas as partes (como o Compromisso Missouri) para 

evitar  conflitos.  Porém,  no  meio  do  século  XIX,  onde  a  população  do  Norte  era  muito 

superior ao do Sul, e a industrialização havia penetrado em estados nortistas, este consenso 

estava  se  tornando  problemático  e  sem  solução,  e  consequentemente  novos  estados  que 

entravam  para  a  União  não  adotavam  a  escravidão  e  sim  o  trabalho  livre.  Assim,  o  peso 

eleitoral  do  Norte  era  muito  maior,  e  indubitavelmente,  com  mais  delegados,  seus 

candidatos a presidência seriam sempre eleitos. Deste modo, a questão da escravidão não 

ficando resolvida na fundação do país reverberou décadas depois.  

O Sul com uma população menor, contando com milhões de escravos, que não tinham 

direito  a  voto,  não  se  sentia  representado  em  um  governo  pró-abolicionismo,  por  isso 

decidira-se  sair  da  União  e  criar  um  novo  país  onde  pudesse  manter  as  suas  instituições 

econômicas, utilizando o trabalho de escravos em plantações de algodão. Assim sendo, os 

cinco meses de negociações jamais conseguiriam evitar a secessão, pois os estados do Sul 

estavam  decididos  pela  separação.  Isto  fica  evidente  pelas  tentativas  diplomáticas  feitas 

para evitar a secessão, como a Transação Crittendem, Conferência de Paz e pelo discurso 

apaziguador de Lincoln.  

A respeito do abolicionismo de Lincoln, cabe ressaltar que durante a sua vida política 

fez  discursos  ambíguos  onde  às  vezes  era  contra  a  escravidão,  pois  achava-a  injusta  e 

cruel,  porém  em  determinados  momentos  para  não  descontentar  estados  escravistas 

deixava  claro  que  não  a  tocaria,  chocando-se  com  o  paradigma  abolicionista  do  jovem 

partido  republicano.  Também,  deve-se  citar  que  o  abolicionismo  de  Lincoln  não  deve  ser 

confundido  com  igualitarismo  racial,  pois  o  mesmo  acreditava  na  superioridade  da  raça 

branca.   

Apesar  disso,  demonstrou  sabedoria  quando  alertou  os  estados  rebeldes  que  estes 

deveriam respeitar o princípio da maioria, pois um dia os mesmos poderiam estar sujeitos a 

divisão  por  outra  minoria.  Além  disso,  ao  não  aceitar  a  ideia,  do  secretário  Seward,  de 

atacar  outros  países,  para  tentar  evitar  a  secessão  do  país,  conseguiu  evitar  que, 



 

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Revista Historiador Número 03. Ano 03. Dezembro de 2010  

Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador

 

indubitavelmente, os Estados Confederados fossem reconhecidos por outras nações, o que 



possivelmente também acarretaria em ajuda financeira e militar destes em favor dos estados 

rebeldes. Também, o próprio Lincoln já havia previsto em um discurso, dois anos antes de 

eleito,  que  uma  casa  dividida,  meio  livre  e  meio  escravocrata,  não  poderia  continuar 

existindo.   

Sobre o nacionalismo norte-americano, em meados do século XIX, deve-se citar que o 

mesmo  era  regional  nos  estados  do  Sul,  havendo  sim  uma  ligação  e  identificação  da 

população  com  os  seus  respectivos  estados,  onde  a  preservação  do  trabalho  escravo  era 

primordial.  Entretanto,  no  Norte,  este  protonacionalismo  que  surgiu  através  do  Partido 

Nativista  (depois  conhecido  como  Partido  Americano)  estava  mais  calcado  em  um 

xenofobismo  econômico  e  religioso,  pois  os  estrangeiros  que  chegavam  ao  país, 

principalmente alemães e irlandeses, concorriam no mercado de trabalho, em muitos casos 

ocasionando  desemprego  de  pessoas  nascidas  no  país,  porque  trabalhavam  por  salários 

mais  baixos,  e  porque  a  religião  destes  irlandeses  recém  chegados,  que  era  católica,  não 

agradava a uma população protestante.  

Assim  sendo,  o  nacionalismo  norte-americano  surgiu  na  mesma  época  de  outros 

nacionalismos europeus, como o alemão e o italiano, ou seja, foi forjado através da guerra. 

O  presidente  Abraham Lincoln,  neste caso  pode  ser  comparado  a  outros  estadistas,  como 

Bismarck e Mazzini, que unificaram a Alemanha e a Itália. No caso dos Estados Unidos, o 

nacionalismo  foi  forjado  entre  irmãos,  para  evitar  a  divisão,  e  que  este  seguiu  a  ordem 

teorizada  por  Hobsbawm,  de  primeiro  vir  os  estados  e  o  nacionalismo  para  depois 

formarmos uma nação. 



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