A diplomacia do presidente abraham lincoln: a política no período pré-guerra



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A política no período pré-guerra  

Nos  cinco  meses  de  negociações,  da  vitória  eleitoral  até  o  primeiro  embate,  no forte 

Sumter, algumas propostas foram apresentadas para evitar a secessão dos estados sulistas 

e  a  guerra.  A  política  e  a  diplomacia  agora  teriam  um  peso  fundamental  para  acalmar  os 

ânimos  exaltados  dos  derrotados,  e  também  para  não  permitir  que  o  país  fosse  dividido. 

Para os sulistas o novo presidente representava o fracasso econômico dos algodoeiros do 

Sul, pois tinham a certeza que estenderia o fim da escravidão a todos os estados da União. 

O futuro presidente, que só poderia assumir em março de 1861, sabia que negociar com o 

partido  adversário  havia  se  transformado  num  grande  problema,  porque  o  mesmo  durante 

as eleições dividiu-se.  

O  então  presidente,  James  Buchanan,  foi  advertido  pelo  seu  procurador  geral  que  a 

saída  de  qualquer  estado  da  União  era  ilegal,  mas  que  não  poderia  utilizar  de  meios 

coercitivos contra os mesmos. O próprio Buchanan não se sentia a  vontade para tratar do 

assunto  na  Casa  Branca,  pois  dos  seus  quatro  secretários  de  governo,  três  eram 

secessionistas.  Assim  o  que  restava  a  Buchanan  era  utilizar-se  de  meios  políticos  para 

contentar  os  estados  sulistas  e  evitar  a  secessão.  Um  dos  meios  empregados  seria  o  de 

oferecer projetos de transação aos rebeldes. 

No  dia  18  de  dezembro,  o  senador  John  J.  Crittenden,  do  Partido  Americano  pelo 

estado  de  Kentucky,  apresentou  um  projeto  de  transação  em  forma  de  emenda 

constitucional, onde era proposto que houvesse o estabelecimento da divisão dos territórios 

conforme o paralelo 36° 30’; a não interferência do  Congresso na questão da escravidão nos 

estados  em  que  ela  era  legal  e  no  Distrito  de  Colúmbia;  e  a  compensação  aos  donos  de 

escravos fugitivos que não eram recuperados.

7

  



O presidente eleito resolveu aceitar os dois últimos pontos, desde que os estados do 

Sul não abandonassem a União. Sobre o primeiro ponto, era enfático em não permitir que a 

escravidão fosse estendida a outros estados. Obviamente a transação Crittenden não tinha 

o  apoio  dos  políticos  republicanos,  que  eram  contrários  a  qualquer  acordo  que  tornasse  a 

escravidão  legal  nos  novos  estados.  A  primeira  tentativa  para  evitar  a  secessão  havia 

falhado,  e  o  próprio  Lincoln  disse  dias  depois  que,  “nenhuma  concessão...,  exceto  uma 

                                                           

6

  “O  Norte  concentrava  a  maior  população  do  país  –  por  volta  de  22  milhões  de  pessoas,  contra  9  milhões  no 



Sul,  sendo  que,  desse  total  geral,  perto  de  4  milhões  de  negros,  em  sua  esmagadora  maioria  escravos”. 

(JUNQUEIRA, 2001, p. 67) 

7

  O paralelo 36°30’, como marco de limite da escrav idão, foi estipulado em 1820 no acordo que ficou conhecido 



como “Compromisso do Missouri”, e nele ficaria estabelecido que a escravidão fosse somente permitida ao sul 

deste paralelo.

 



 

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renúncia a tudo quanto era digno de ser preservado e defendido, poderia satisfazer o Sul” 



(MORISON; COMMAGER, s/d, p. 73). 

Sem um acordo diplomático de ambas as partes o primeiro passo para a secessão foi 

dado  pelo  Estado  da  Carolina  do  Sul,  que  em  20  de  dezembro,  em  uma  Convenção  em 

Charleston, decide por unanimidade deixar a União. Na sua declaração de saída diz que “o 

Norte  elegera  como  presidente  um  homem  cujas  opiniões  e  propósitos  são  hostis  à 

escravidão” (COMMAGER; NEVINS, 1986, P. 245).  

No  dia  1°  de  fevereiro  de  1861  foi  à  vez  de  seis  es tados  saírem  da  união,  Geórgia, 

Alabama,  Flórida,  Mississipi,  Luisiana  e  Texas.  E  no  dia  4  de  fevereiro  os  delegados  dos 

sete estados se reuniram em um congresso na cidade de Montgomery, no Alabama. Neste 

mesmo  dia  uma  conferência  de  Paz  foi  marcada  em  Washington,  sob  a  direção  do  ex-

presidente  John  Tyler.  Esta  foi  feita  sob  pedido  do  Estado  da  Virgínia,  e  conseguiu  reunir 

delegados de 21 Estados. Depois de muitas discussões foi recomendado ao Congresso que 

fizesse  concessões  aos  donos  de  escravos.  Mas  o  Congresso,  em  vez  das  concessões, 

votou  uma  emenda  proposta  pelo  senador  Douglas,  estabelecendo  que  a  escravidão  não 

fosse tocada nos Estados que existisse e fosse estabelecida em lei.  

Entretanto,  esta  emenda  não  foi  ratificada,  porque  apenas  dois  Estados  votaram  a 

favor  (ROZ,  1942,  p.  199).  Porém,  foi  rebatida  através  de  uma  emenda  irônica  por  um 

congressista do Norte, que diz:  

Sempre  que  um  partido  for  derrotado  numa  eleição  presidencial,  esse 

partido pode rebelar-se e pegar em armas, a não ser que o partido vitorioso 

adote como próprios os princípios do derrotado e consinta em aceitar todas 

as emendas à constituição que este ditar; e assim, em tal caso, pode dar-se 

por terminada a União. (MORISON; COMMAGER, s/d, p. 73) 

Quatro  dias  depois,  aquilo  que  tanto  temia  o  presidente  Buchanan  e  o  seu  sucessor 

aconteceu,  pois  os  delegados  sulistas  decidiram  constituir  um  novo  país:  os  Estados 

Confederados  da  América.  Neste  congresso  ficou  decidido  que,  provisoriamente,  o  novo 

país teria como presidente Jefferson Davis e A. H. Stephens para vice. O próprio Davis era 

um  plantador  de  algodão,  mas  antes  da  retirada  dos  estados  sulistas  da  União  tinha 

demonstrado que deveria ser dada uma chance para a administração de Lincoln. Porém, os 

rumos da história o levaram a presidência de uma nova confederação.  

Os  idealizadores  desta nova  Confederação

8

  defendiam  a  soberania  dos estados,  por 



isso  a  saída  da  União  era  legal.  Para  eles  a  Constituição  Federal  havia  criado  uma 

confederação  e  não  um  governo.  A  questão  da  soberania  dos  estados  era  uma 

complexidade que permeava a recente história de um país com pouco mais de oitenta anos, 

                                                           

8

  Faz-se  importante  que  o  conceito  político  de  confederação  seja  exposto,  pois  o  mesmo  diz  que:  União  de 



Estados que conservando governo próprio, se submete a um poder central, no qual quase todas as decisões são 

tomadas por consentimento dos Estados confederados. (Larousse, 1998, p. 1556)  




 

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pois  os  que  advogavam  a  separação  do  Sul  diziam  que  as  treze  colônias  americanas,  no 



passado,  quando  sentiram  o  abuso  e  despotismo  da  Inglaterra  resolveram  separar-se 

legalmente,  consequentemente  acreditavam  que  agora  o  futuro  presidente  faria  o  mesmo 

com os estados do Sul, assim achavam que tinham o mesmo direito de seus antepassados 

fundadores da nação.   

Mas,  a  história  nos  mostra  que  o  caso  em  discussão  era  diferente,  pois  durante  a 

feição da Constituição Federal dos Estados Unidos, foram dados certos direitos e liberdades 

a cada estado, e que os mesmos representantes ratificaram esta Carta Magna do país, que 

foi promulgada em 17 de setembro de 1787, e nela ficou estabelecido que no artigo I, seção 

10,  que:  “Nenhum  estado  poderá  participar  de  tratado,  aliança  ou  confederação;  conceder 

cartas de corso; cunhar moeda...” (DIVINE et al, 1992, p.752).  

Entretanto, esta mesma carta deixava durante décadas desde sua feição um problema 

que  somente  agora  com  a  secessão  poderia  ser  solucionado,  ou  seja,  a  questão  da 

escravidão,  pois  no  seu  início  dizia  que  “Nós  o  povo  dos  Estados  Unidos,  a fim  de formar 

uma União mais perfeita, estabelecer a justiça,...” (Ibidem, p. 747). Fica claro que “o povo” 

era  tão  somente  o  cidadão  da  raça  branca.  Caberia  a  Lincoln,  contrariando  os  estados 

sulistas, modificar este paradigma político racial.    

Porém, para alguns autores, quando Davis falava em direitos dos estados na verdade 

estaria  pensando  e  agindo  em  termos  de  nacionalismo  sulista  (MORISON;  COMMAGER, 

s/d,  p.  71).  Em  termos  sociológicos  o  nacionalismo  sulista  era  contrário  ao  fim  da 

escravidão,  pois  utilizava,  predominantemente,  de  escravos  nas  fazendas  de  algodão,  e 

para  estes  “barões  escravocratas”  a  raça  branca  era  tida  como  superior,  enquanto  isso  o 

Norte do país possuía um sistema de mão-de-obra livre; e em termos econômicos havia um 

choque  de  interesses,  pois  colocava  em  lados  opostos  uma  nação  agrária  e  outra 

industrializada.  

Além disso, os estados do Sul eram contrários a gastos com melhoramentos internos 

(construção  de  ferrovias,  pontes  e  estradas),  que  foram  propostos  na  convenção 

republicana  que  indicou  Lincoln,  e  principalmente  sobre  as  tarifas  alfandegárias  altas  e 

protetoras  dos  produtos  do  Norte,  porque  elas  dificultavam  os  negócios  dos  ricos 

algodoeiros do Sul com os países da Europa, principalmente a Inglaterra.  

A  questão  do  nacionalismo  é  importante  para  entendermos  os  motivos  que  levaram 

alguns estados a saírem da União, pois os indivíduos que viviam nos estados tinham uma 

identificação maior com a terra de origem. Não havia naquela época o sentimento de nação 

norte-americana.  As  pessoas  se  definiam  como  virginianas  ou  texanas,  ou  seja,  sempre  o 

estado de origem vinha à frente da nação. Esta complexa relação entre estados permeou a 

história americana até o início do conflito.  



 

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Segundo Hobsbawm, “Em uma palavra, para os propósitos da análise, o nacionalismo 



vem antes das nações. As nações não formam os Estados e os nacionalismos, mas sim o 

oposto”  (1990,  p.  19).  Desse  modo  verificamos  que  o  sentimento  nacionalista  dos  sulistas 

era regional, ou seja, um nacionalismo estadual, onde a defesa dos seus ideais, escravismo 

e soberania dos estados, era essencial.  

Conforme  Martins,  na  metade  do  século  XIX  surgem  os  movimentos  nacionalistas  e 

democracias  modernas,  como  os  Estados  Unidos,  que  são  construídas  com  base  em  três 

dimensões:  razão,  vontade  e  justiça  (MARTINS,  2002,  p.  120).  Dentro  deste  paradigma 

nacionalista, os norte-americanos devem ser incluídos, pois:  

[...]. As nações modernas, integrando razão, vontade e justiça, formaram-se 

na  Europa  e  nos  Estados  Unidos  no  século  XIX.  Foram  construídas  pelas 

mobilizações  nacionais  criadoras  das  sociedades  modernas,  acarretando 

uma  ruptura  profunda  com  o  passado,  com  as  comunidades  tradicionais  e 

com a ordem hierárquica dos Antigos Regimes, assim como promovendo a 

unificação  econômica,  política  e  cultural  em  torno  de  instituições  comuns. 

Tornada  necessária  pelas  economias  industriais  em  plena  expansão,  a 

integração  nacional  surgiu  como  a  forma  política  e  social  mais  adaptada  à 

modernidade. [...] (Ibidem, p. 120-1). 

Entretanto, sem o sucesso da convenção de Paz, um mês depois, no dia 4 de março, 

havia  chegado  o  dia  da  posse  do  presidente  Lincoln.  Depois  de  receber  o  cargo  de 

Buchanan, revigorou o compromisso de não tocar na escravidão nos estados onde era legal. 

No seu discurso de posse procurou ser apaziguador para tentar trazer de volta os estados 

rebeldes  para  a  União,  porém  ressaltando  que  a  secessão  era  ilegal,  pois  feria  a 

Constituição  Federal,  e  que  a  solução  para  todos  os  problemas  estava  nas  mãos  dos 

secessionistas.  

Assim,  começa  o  discurso  dizendo  que  parece  existir  por  parte  dos  Estados  do  Sul 

certa  apreensão  pela  administração  Republicana,  porém  que  nunca  deveria  ter  havido 

motivo para este temor, pois a maior prova disto está em seus discursos anteriores, e cita 

uma  parte  de  um  destes:  “Não  tenho  nenhum  propósito,  nem  direito,  de  interferir  na 

instituição  da  escravidão  nos  Estados  em  que  ela  existe.  Acredito  não  ter  nenhum  direito 

legítimo de fazê-lo, e nenhuma inclinação para fazê-lo” (SYRETT, s/d, 212).  

Além  disso,  reitera  que  não  porá  em  perigo  a  propriedade,  a  paz  e  a  segurança  de 

qualquer  Estado.  Porém,  concorda  que  a  secessão  da  União  Federal  vem  sendo  tentada 

formidavelmente, mas adverte que a União dos Estados é perpétua. O presidente relembra 

que os Estados, na época da Independência, que eram treze, empenharam-se para que a 

União fosse perpétua, e que expressaram esta ideia através dos Artigos da Confederação, e 

que  qualquer  ato  de  violência  praticado  por  Estado  ou  Estados  contra  a  União  será 

encarado como insurrecional ou revolucionário (Ibidem).      

Diz  que  o  poder  que  lhe  foi  delegado  será  usado  para  defender  os  lugares  que 

pertençam  ao  governo,  e  reitera  que  os  correios  continuaram  sendo  fornecidos  em  todo  o 



 

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país, desde que não sofram qualquer tipo de violência. Num recado direto para os Estados 



rebeldes,  e  com  intenção  de  acalmá-los  diz  que  a  Constituição  em  nenhum  momento  fala 

que:  


Serão  os  fugitivos  do  trabalho  resgatados  pela  autoridade  federal  ou  pela 

autoridade  estadual?  A  Constituição  não  o  diz  expressamente.  Pode  o 

Congresso proibir a  escravidão nos territórios? Não o diz expressamente a 

Constituição.  Deve  o  Congresso  proteger  a  escravidão  nos  territórios? 

Tampouco o diz a Constituição expressamente. (Ibidem, p. 214) 

Acrescenta que deste tipo de perguntas é que nasceram as divisões entre maiorias e 

minorias.  Porém,  adverte:  “Se  a  minoria  não  aquiescer,  a  maioria  terá  de  fazê-lo,  ou  o 

governo se extinguirá” (Ibidem, p. 214). Aconselha que se uma minoria separar-se da União 

estará  abrindo  um  precedente  para  que  no  futuro  uma  minoria  nesta  nova  nação  também 

resolva  se  separar.  O  presidente  neste  ponto  do  discurso  lembra  que  a  “Ideia  central  da 

secessão é, manifestamente, a essência da anarquia” (Ibidem, p. 214).  

Sobre os motivos dos problemas da secessão concorda que são oriundos da questão 

da escravidão, pois alguns acreditam que é correta, e que deve ser difundida, e outros, ao 

contrário,  concordam  que  não  deve  ser  disseminada.  O  presidente  termina  o  seu  discurso 

colocando a questão da separação nas mãos dos Estados rebeldes, dizendo: 

Em vossas mãos, meus insatisfeitos concidadãos, e não nas minhas, está a 

momentosa questão da guerra civil. O governo não vos atacará. Não tereis 

conflito  algum  se  não  fordes  vós  mesmos  os  agressores.  Não  tendes 

nenhum juramento inscrito no céu para destruir o governo, ao passo que eu 

terei o mais solene para “o preservar, proteger e defender”. (Ibidem, p. 216)  

Com  este  discurso  teve  a  intenção  de  evitar  a  guerra  e  preservar  a  União. 

Provavelmente neste discurso, em que colocou nas mãos dos rebeldes a solução para o fim 

do  impasse,  já  admitisse  que  o  conflito  fosse  certo  e  iminente,  pois  antes  de  sua  própria 

posse  somente  dois  fortes  situados  em  territórios  dos  estados  rebeldes  não  tinham  sido 

ocupados pelos Estados Confederados, o Forte Pickens, em Pensacola, e o Forte Sumter, 

em Charleston, os demais caíram sem resistência. Além disso, estes fortes já haviam sido 

requisitados,  por  delegados  sulistas  em  visita  a  Washington,  dias  antes  da  posse,  mas  o 

futuro  Secretário  de  Estado  de  Lincoln

9

,  William  H.  Seward,  disse  apenas  que  estes  não 



seriam abastecidos, protelando a discussão sobre os mesmos.  

Porém, o discurso de Lincoln não foi suficiente para revogar os atos dos sete Estados 

rebeldes,  e  uma  semana  depois  de  seu  discurso,  eles  ratificaram  a  recém  criada 

Constituição  dos  Estados  Confederados,  onde  definiriam  os  seus  ideais  de  um  novo  país. 

Aprovada  no  dia  11  de  março  era  semelhante  com  a  dos  Estados  Unidos.  Nesta  nova 

                                                           

9

  Além  de  Seward,  o  Gabinete  era  composto  por  Salmon  P.  Chase,  de  Ohio,  Secretário  do  Tesouro;  Simon 



Cameron,  da  Pensilvânia,  Secretário  da  Guerra;  Gideon Welles,  de  Connecticut,  Secretário  da  Marinha;  Caleb 

Smith, de Indiana, Secretário do Interior; Montgomery Blair, de Maryland, Administrador Geral; e Edward Bates, 

do Missouri, Procurador Geral. 



 

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Constituição  o  poder  do  presidente  e  do  vice-presidente  seria  exercido  durante  seis  anos, 



porém sem direito a reeleição

10

. As maiores diferenças estavam, obviamente, relacionadas 



com  a  questão  da  escravidão.  Tratam  da  questão  da  importação  de  escravos  dizendo  no 

Artigo  I,  Seção  9  que  “Fica  proibida  por  este  instrumento  a  importação  de  negros  da  raça 

africana  de  qualquer  país  estrangeiro,  além  dos  Estados  ou  territórios  escravocratas  dos 

Estados Unidos da América;...” (SYRETT, s/d, 217).   

Sobre  a  questão  dos  escravos  fugitivos,  que  houvessem  escapado  ou  sido 

transportados  de  maneira  ilegal  para  outro  Estado,  fica  estabelecido  que  estes,  se 

requisitados  pelos  donos,  deveriam  ser  entregues.  Com  relação  à  criação  de  novos 

territórios e Estados, que sempre foi uma causa de atritos no Congresso, ficava estabelecido 

que:  

[Art.  IV,  Seção  3]  3.  Os  Estados  Confederados  podem  adquirir  novo 



território;  e  o  Congresso  terá  poder  de  legislar  e  prover  ao  governo  dos 

habitantes  de  todos  os  territórios  pertencentes  aos  Estados  Confederados, 

situados fora dos limites dos vários Estados; e poderá permitir-lhes, nessas 

ocasiões, e da maneira determinada por lei, forjar Estados para ingressar na 

Confederação. Em todos esses territórios, a instituição da escravidão negra, 

tal  como  ora  existe  nos  Estados  Confederados,  será  reconhecida  e 

protegida  pelo  Congresso  e  pelo  governo  territorial;  e  os  habitantes  dos 

vários Estados Confederados e Territórios terão o direito de levar para esse 

território  quaisquer  escravos  legalmente  possuídos  por  eles  em  quaisquer 

Estados ou Territórios dos Estados Confederados... .(Ibidem, p. 218).        

Os  Estados  rebeldes  ao  saírem  da  União,  criar  um  novo  país  e  instituírem  uma 

Constituição,  demonstravam  claramente  que  a  secessão  era  um  fato  para  eles 

inquestionável  e  consumado.  Além  disso,  os  delegados  Confederados  expressaram 

enfaticamente a sua defesa pela escravidão e sua expansão, ou seja, tudo aquilo que para 

eles  não  haviam  conseguido  fazendo  parte  da  União.  A  ratificação  da  Constituição 

Confederada  representava  para  os  rebeldes  a  expressão  legal  da  formação  de  um  novo 

país,  e  o  próximo  passo  seria  o  reconhecimento  da  sua  existência  por  parte  de  outras 

nações.   

Entretanto, Seward que havia perdido a indicação do partido para Lincoln, agora teria 

a  incumbência  de  negociar  com  os  rebeldes.  Ele  achava  que  a  secessão  era  apenas  um 

estratagema do Sul para conseguir concessões, deste modo se conseguisse negociar com 

os Estados rebeldes talvez voltassem para a União. Porém, o comandante do Forte Sumter, 

Major Anderson, comunicou ao Ministério da Guerra que estava cercado pelos exércitos da 

Confederação, e que possuía poucos víveres para resistir por muito tempo.  

                                                           

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  Nos  Estados  Unidos,  desde  sua  fundação,  o  mandato  do  presidente  tem  a  duração  de  quatro  anos,  e  a 



reeleição  por  indeterminadas  vezes  foi  permitida  até  a  promulgação  da  Emenda  XXII,  adotada  em  1951,  onde 

seria admitido apenas ocupar o cargo por duas vezes. O único presidente reeleito mais de uma vez, foi Franklin 

D. Roosevelt, que ocupou o cargo no período de 1933 a 1945.   



 

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Revista Historiador Número 03. Ano 03. Dezembro de 2010  

Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador

 

O  presidente  Lincoln,  antes  de  enviar  víveres  ao  Forte  Sumter,  resolveu  esperar  a 



decisão dos delegados da Virgínia, pois não haviam decidido ainda se ficariam do lado da 

União ou dos rebeldes. Porém, alguns delegados da Virgínia, contrários a separação, foram 

até  Washington  solicitar  ao  presidente  que  entregasse  o  Forte  Sumter,  mas  não 

conseguiram prometer a Lincoln que o Estado da Virgínia não abandonaria a União.  

Porém, o presidente constatando que ao entregar o Forte Sumter para a Virgínia, esta 

abandonaria a União resolve em fins de março que: “Contra a opinião do General Scott e de 

cinco  dos  sete  membros  do  seu  gabinete,  ordenou  que  se  preparasse  uma  expedição  de 

reforço para Fort Sumter” (MORISON; COMMAGER, s/d, p. 76).  

Entretanto, o secretário de Estado, Seward apresenta, no dia 1° de abril, a Lincoln um 

plano intitulado “Ideias submetidas à consideração do Presidente”, onde propõe que:  

...os Estados Unidos deviam provocar um conflito com a Espanha e com a 

França ao mesmo tempo, e possivelmente com a Inglaterra e com a Rússia 

também, como meio de unir novamente o Norte e o Sul a fim de irem juntos 

para a glória e a conquista! E Lincoln era convidado a nomear Seward seu 

primeiro ministro para pôr em prática esta insensata política! [...]. (Ibidem, p. 

76) 


O artifício de unir povos através da guerra, tentado por Seward, foi utilizado no século 

XIX por outros países. No caso dos Estados Unidos o plano de Seward tinha a intenção de 

não permitir a secessão do país. Segundo Hobsbawm “... não há modo mais eficaz de unir 

as  partes  díspares  de  povos  inquietos  do  que  uni-los  contra  forasteiros”  e  que  “...  nada 

estimula  melhor  o  nacionalismo,  em  ambos  os  lados,  que  um  conflito  internacional” 

(HOBSBAWM, 1990, p. 112).  

Porém, Lincoln não aceitou a ideia e mandou preparar uma expedição com destino ao 

Forte  Sumter.  O  presidente  dos  Estados  Confederados,  Jefferson  Davis,  deu  ordem  para 

abrir fogo contra o Forte Sumter caso este recebesse reforços, entretanto na noite do dia 11 

para  o  dia  12,  o  comandante  do  forte,  Major  Anderson,  sem  saber  que  Lincoln  havia 

mandado  uma  expedição  de  reforços,  aceita  a  rendição  em  dois  dias,  prazo  em  que 

terminariam os víveres do forte. Entretanto, os comandantes sulistas que cercavam o forte 

decidiram  bombardeá-lo  durante  a  madrugada  do  dia  12  de  abril,  pois  temiam  que  seu 

presidente fizesse um acordo com Seward (MORISON; COMMAGER, s/d, p. 76).  

A  política  e  diplomacia  do  presidente  Lincoln,  como  também  de  seus  antagonistas 

sulistas  não  foi  suficiente  para  arrefecer  os  ânimos,  e  consequentemente  não  permitir  que 

um  país  dividido  fosse  a  guerra  civil.  Segundo  Olleros,  “El  ‘borde’  de  la  política,  su  fin  (o 

fracaso)  está  em  la  guerra”  (2005,  p.  177).  Assim  sendo,  o  fracasso  da  diplomacia  entre 

Norte e Sul ocasionou uma guerra fratricida entre irmãos, que levaria milhares de pessoas a 

morte. 



 

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Revista Historiador Número 03. Ano 03. Dezembro de 2010  

Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador

 

Como  podemos  verificar  os  Estados  Unidos,  de meados  do  século XIX, passava  por 



um  emaranhado  de  problemas  sociais,  políticos  e  econômicos  que  acabaram  culminando 

em um conflito armado, que o próprio presidente Lincoln nos meses que se seguiram a sua 

vitória eleitoral não foi capaz de persuadir.    



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