A construçÃo de imagens imperiais romanas: imaginário e representaçÃo dos governos de trajano e adriano



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A CONSTRUÇÃO DE IMAGENS IMPERIAIS ROMANAS: 



IMAGINÁRIO E REPRESENTAÇÃO DOS GOVERNOS DE TRAJANO E 

ADRIANO (SÉCULO II d.C) 

 

Américo Henrique Marquez do Couto 

 

 

 Império Romano, como forma de governo, configurou-se a partir de 31 



a.C, com a vitória de Caio Otávio sobre Marco Antônio na Batalha do Actium

descaracterizando o segundo Triunvirato. Numa conjuntura de manutenção de 

pontos  positivos  vigentes  na  Res  Publica,  Otávio  tornou-se  o  Príncipe, 

configurando outro sistema de governo aos romanos. Durante o Principado

1

, os 


Imperadores  romanos  tornaram-se  os  maiores  representantes  do  poder. 

Segundo  Géza  Alfoldy  (ALFÖLDY,  1989:  123  -  236),  o  Princeps  dispunha  de 

um poder ilimitado, não existindo no Estado Romano outro poder que pudesse 

ser  exercido  como  alternativa  ao  do  Imperador.  O  Imperador  detinha  a 



tribunicia  potestas  (podia  tomar  qualquer  iniciativa  legislativa),  o  imperium 

proconsulare  maius  (direito  de  governar  sozinho  as  províncias  imperiais  e  em 

conjunto  com  os  magistrados  escolhidos  pelo  Senado  podia  governar  as 

províncias  senatoriais),  e  o  direito  de  indicar  qualquer  membro  para  a  ordem 

eqüestre.  

Além  destes  direitos  constitucionais,  o  Princeps  possuía  a  dignitas,  ou 

seja, mais alta posição pessoal no Imperium, podendo apelar a sua auctoritas 

pessoal  que  lhe  conferia  a  autoridade  sobre  tudo  e  todos  (autoritate  omnibus 

praestiti),  pois  o  Imperador  era  a  encarnação  de  todas  as  antigas  virtudes 

                                                            

1

  Primeira  fase  imperial.  Estende-se  de  31  a.C  até  aproximadamente  235  d.C,  início  da 



Anarquia Militar. 

O



 

romanas, sendo as principais a virtus, a clementia, a iustitia e a pietas, além da 



ciuilitas  (CORASSIN,  1983:  200).  Com  isso,  o  seu  prestígio  era  inigualável, 

tendo  o  título  de  Imperator  Caesar  Augustus  e  possuindo  acesso  ao 



Patrimonium  Augusti  que  lhe  davam  o  direito  de  enumerar  todos  os  seus 

poderes  e  cargos  em  trajes  e  insígnias,  demonstrando  em  público  sua 

autoridade, além de possuir os bens de coroa imperial e da própria res privata

tornando-o  assim  o  homem  mais  rico  e  importante  do  Imperium.  (ALFOLDY, 

1989). 

Estes, denominados de Princepes



2

, dispõem de um poder ilimitado, não 

havendo  no  Estado  Romano  outro  poder  alternativo  ao  do  Imperador 

(ALFOLDY,  1989:  116),  sendo  este  detentor  de  prestígio  e  riqueza.  Suas 

imagens  foram  difundidas  nos  domínios  do  Império,  dando-lhes  ainda  mais 

poderes  e  estabilizando  o  sistema  político-administrativo,  o  que  corroborou 

para a perda sucessiva de poderes dos Senadores. 

O Império Romano, segundo M. Rostovtzeff, nunca foi e nem pretendeu 

ser um Estado mundial com caráter nacional, ou seja, um Estado no qual uma 

nação domina e se impõe às outras pela coesão: pela sua constituição, tornou-

se  cada  vez  mais  cosmopolita.  Isso  lhe  possibilitou  forças  e  lhe  permitiu, 

mesmo diante de diversas problemáticas do sistema político imperial, manter a 

estrutura  mesmo  após  os  intensos  conflitos  do  III  século  e,  mais  tarde,  a 

crescente pressão dos seus vizinhos. Esta manutenção também se caracteriza 

pela  cultura  que  era  por  todos  valorizada,  unindo  assim  os  habitantes  do 

Império nestes momentos de perigo (ROSTOVTZEFF, 1983: 214). 

                                                            

2

  Na  concepção  de  diversos  historiadores,  dentre  eles  destacamos  Michael  Grant,  Richard 



Saller e Paul Petit “primeiro homem do Estado”.

 



 

A  estruturação  do  sistema  de  governo  do  Império  Romano  foi 



estabelecida por Otávio Augusto, durante seu governo, e foi desenvolvida pelos 

seus sucessores tornando este sistema cada vez mais metódico e sistemático. 

Já  no  II  século  da  Era  Cristã,  encontramos  um  sistema  de  governo  cujos 

princípios  fundamentais  estavam  fixados,  sendo,  portanto,  as  introduções 

sistemáticas  posteriores  apenas  alterações  e  aperfeiçoamentos  de  detalhes 

que não atingiam a estruturação básica. 

Princeps, dentro de inúmeras titulações e funções, possuía a posição 

de pontifex maximus, que lhe dava a condição de ser o chefe da religião estatal 

e de ser venerado por todo o Império. Contudo, a vida religiosa de seus súditos 

não  era  afetada  em  seu  desenvolvimento  por  qualquer  interferência  por  parte 

do Estado. Até o culto ao Imperador, no qual ele era recebido como chefe, era 

organizado  inteiramente  pelas  cidades  de  governo  próprio  e  por  grupos 

voluntários denominados de Augustales

 

Segundo  Peter  Burke  (2004),  as  imagens  nos  oferecem 



evidências de práticas sociais. Neste sentido, podemos observar a importância 

desta  conjuntura  junto  às  propagandas  imperiais,  pois  os  Imperadores 

utilizavam  de  suas  imagens  para  controlarem  e  explicarem  suas  práticas 

sociais.  Assim,  como  denota  Burckhardt  (BURCKHARDT,  apud:  BURKE, 

2004:36), as imagens e as manifestações artísticas públicas são testemunhas 

de etapas passadas do desenvolvimento do espírito humano, objetos nos quais 

é  possível  ler  as  estruturas  de  pensamento  e  representações  de  uma 

determinada época. 

Segundo  Peter  Burke,  qualquer  imagem  pode  servir  como  evidência 

histórica  (BURKE,  2004;  20-21).  Neste  sentido,  os  Imperadores  Trajano  e 




 

Adriano  nos  deixaram  várias  evidências.  O  uso  destas  imagens  nos  permite 



observar  como  seus  poderes  foram  difundidos  nos  domínios  do  Imperium 

Romanum  além  de  demonstrar  suas  preferências  pelo  mundo  helênico,  no 

caso  de  Adriano.  As  imagens  de  governantes  estão  diretamente  vinculadas  a 

expressões de triunfo, demonstrando seu objetivo de difusão da representação 

de  poder  aos  seus  governados.  Trajano  e  Adriano  repassaram  imagens  com 

esta  característica,  mas  observa-se  uma  preocupação  específica  com  sua 

aparência.  Assim,  vários  historiadores,  como  Mark  D.  Fullerton  que,  baseado 

em  exemplos  vindos  da  Historia  Romana  e  da  Historia  Augusta,  afirma,  por 

exemplo,  que  Adriano  rejeitou  o  retrato  tradicional,  idealizado  e  sem  barba, 

instituído  por  Otávio  Augusto,  seguindo  o  estilo  romano  imposto  pelo  próprio 



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