A construçÃo das personagens femininas em a bela e a adormecida, de neil gaiman



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Trecho 2 de A Bela e a Adormecida (2015)
Ela mandou buscar o noivo, pediu-lhe que não fizesse cena; disse que ainda se casariam, mesmo ele sendo apenas um príncipe, e ela, uma rainha, e fez cócegas no belo queixo dele, e beijou-o até que ele abrisse um sorriso.

Ela mandou buscar a cota de malha.



Ela mandou buscar a espada. Ela mandou buscar mantimentos e o cavalo, e em seguida cavalgou palácio afora, em direção ao leste. (p.21)
O príncipe é mencionado unicamente nesta passagem, mas as dúvidas sobre o casamento estão a todo o momento atormentando a personagem, percebido por meio da construção narrativa, utilizando-se de metáforas em diversos momentos, como exemplo, ao construir a Rainha como uma guerreira – ela forja-se com uma espécie de armadura e manda pegar sua espada (ilustração 2) - que luta não apenas contra o sono da maldição, mas principalmente, quer descobrir-se e sair do emaranhado de anseios e dúvidas.

Ilustração 2: A Rainha forja-se em uma guerreira.



A aventura se desenvolve, e após percorrer o caminho tortuoso até o castelo, enfrentar os mais diversos perigos, como lutar contra os adormecidos “Cada rua em que a rainha e os anões entravam estava cheia de adormecidos envoltos em teias de aranha [...] todos eles se arrastando sonambulamente” (p.35), conseguem encontrar a princesa adormecida, e na tentativa de conseguir acordar os habitantes e quebrar o feitiço, a Rainha a beija (ilustração 3).

Ilustração 3: O beijo entre a Rainha e a Adormecida

Cabe neste momento, uma reflexão sobre os aspectos identitários do sujeito na pós-modernidade, que define identidade como sendo uma noção móvel e transitória “conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. A identidade torna-se uma ‘celebração móvel’” (HALL, 2015, p.11). Nesta perspectiva, a identidade desse sujeito não é definida biologicamente, não é unívoca, mas fracturada. Nesse viés de mudança, está conectada também a ideia de diferença sexual como suporte primordial e imutável de gênero. Seguindo esse ponto de vista, rompe-se a barreira de determinação binária biológica, possibilitando a mobilidade das concepções e pluralizando as maneiras de ser, uma vez que, as escolhas não são feitas de maneira mecânica e linear. O beijo entre a Rainha e a Adormecida (ilustração 3) figurativiza a pluralização de caminhos e possibilidades.

Após essa cena, o que parecia caminhar para o salvamento da bela e Adormecida princesa dos braços da bruxa má, põe em debate a premissa de que os vilões e heróis estão sempre muito bem desenhados e seu caráter raramente será motivo de desconfiança, quando na verdade a natureza humana não se estrutura de forma dualista, bem e mal, não se distribuem em polos antagônicos, e mais do que isso, as experiências individuais e as vivências sociais nos afetam de maneira direta e ajudam na jornada do descobrir-se, somos muito mais complexos do que qualquer rótulo social. Atentemos para o fragmento abaixo que assevera essa afirmação:






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