A construçÃo das personagens femininas em a bela e a adormecida, de neil gaiman


Trecho 1: O príncipe salva a princesa do encantamento



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Trecho 1: O príncipe salva a princesa do encantamento

Então, com o fim do encantamento, a princesa acordou; mirando-o com mais ternura nos olhos do que um primeiro encontro parecia permitir, disse a ele:

- É você, meu príncipe? Você, que se faz esperar por tanto tempo? (p.9)
Trecho 2: O príncipe que tornara-se rei, salva a princesa da ira de sua mãe-ogra apenas com sua presença.

Todos estavam lá e os carrascos já se preparavam para atirá-los no tonel quando o rei, que não era esperado assim tão cedo, entrou no pátio a cavalo [...] até que a ogra, enraivecida com o que estava vendo, jogou-se ela mesma de cabeça no tonel, onde os bichos ferozes que ela mandara pôr lá a devoraram num instante. (p.16)


Pode-se pensar, neste caso, na construção de uma identidade que a torna invisível enquanto sujeito, as mulheres aqui estão à sombra desses homens, por isso a determinação de suas ações, seus destinos dependem deles. Aos homens, ao filho e ao marido, elas pertencem, as suas vozes são ecos de um discurso fomentador da ideia de silenciamento e submissão. Neste âmbito de discussões sobre gênero-identidade, a concepção de gênero está atrelada também à história do movimento feminista contemporâneo, suas lutas principalmente no campo das politicas de incorporação. Imbricado a isto, tem-se a noção de identidade que é produzida, contestada, questionada, evidenciando, portanto, uma relação fundamentada historicamente, assumindo um caráter aberto e provisório. Nesse sentido, as lutas feministas alicerçam como um dos objetivos tornar as mulheres visíveis, saindo do lugar de ocultação que “A segregação social e política a que as mulheres foram historicamente conduzidas tivera como consequência a sua ampla invisibilidade como sujeito [...]”. (LOURO, 2014, p.21). E que, aparece em oposição aos múltiplos discursos “[...] que caracterizaram a esfera do privado, o mundo doméstico, como o "verdadeiro" universo da mulher, já vinha sendo gradativamente rompida, por algumas mulheres”. (LOURO, 2014, p.21).

Sem dúvida, desde há muito tempo, as mulheres lutaram para romper com os discursos de imobilidade e taciturnidade, e gradativamente promover a mudança na concepção de gênero e uma construção libertária de identidade. Dessa maneira, os estudos feministas foram importantes, pois:


levantaram informações, construíram estatísticas, apontaram lacunas em registros oficiais, vieses nos livros escolares, deram voz àquelas que eram silenciosas e silenciadas, focalizaram áreas, temas e problemas que não habitavam o espaço acadêmico, falaram do cotidiano, da família, da sexualidade, do doméstico, dos sentimentos. (LOURO, 2014, p.23)
Partindo dessa perspectiva de mudança, torna-se oportuna a reflexão sobre como a literatura pode ser um espelho histórico dessas transformações sociais. O discurso que A Bela e a Adormecida (2015) deixa transparecer, principalmente, a liberdade de escolha e possibilidades de caminhos. Assume-se, neste caso, o protagonismo-heroísmo uma vez que a história é conduzida unicamente por suas escolhas, e os traços narrativos evidenciam a autonomia no ato questionar-se para tentar descobrir-se. Vejamos um fragmento que ratificam essa afirmação:



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