A construçÃo das personagens femininas em a bela e a adormecida, de neil gaiman



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ANÁLISE

Em nosso trabalho nos apropriamos do texto A Bela e a Adormecida (2015), do Neil Gaiman, para investigar através de uma análise comparativa com o conto A Bela Adormecida, escrito por Charles Perrault como são construídas as personagens femininas, Rainha e princesa presentes no livro. Antes de qualquer coisa, é necessário pontuar que ambos os textos apresentam características históricas e sociais que dizem respeito à época em que se encontram inseridos. Há, portanto, uma tessitura sócio-histórica que pincela as identidades das personagens analisadas.

No campo do protagonismo-heroísmo dessas narrativas, as personagens femininas aparecem em um número ínfimo em relação aos personagens masculinos. Isto está relacionado, principalmente, ao lugar que é atribuído socialmente às mulheres e a construção de sua identidade. Desde a antiguidade paira sobre a mulher a concepção de ser imperfeito e moralmente inferior ao homem. Esse pensamento está alicerçado em raízes religiosas. Kramer e Sprenger discutem e enfatizam isso na obra O martelo das feiticeiras:

Mas a razão natural está em que a mulher é mais carnal do que o homem, o que se evidencia pelas suas muitas abominações carnais. E convém observar que houve uma falha na formação da primeira mulher, por ter sido ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela do peito, cuja curvatura é, por assim dizer, contrária à retidão do homem. E como, em virtude dessa falha, a mulher é um animal imperfeito, sempre decepciona e mente. (2000, p.116)


Seguindo esta linha religiosa, há uma atribuição sobre a conduta e ao corpo das mulheres que advêm, em parte, em consequência da desobediência de Eva, descrita nos textos bíblicos, já que, é ela quem primeiro experimenta o fruto proibido por Deus: “e viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também o seu marido, e ele comeu com ela”. (Gênesis 3: 6). Embora ambos tenham praticado o pecado, a maior parte da culpa recai sobre Eva. O ato culmina na passagem de um estado paradisíaco de nudez sem vergonha para um de nudez consciente e pecaminosa. Por essa razão, a humanidade perdeu o direito da vida infindável depois daquele momento. Surgindo, assim, para os judeus, mulçumanos e cristãos a concepção de pecado herdado, ou seja, a tendência inerente a todos de pecar. É também a partir dessa perspectiva que surgem as ligações entre pecado, corpo e mulher. Pois, elas se apresentam como manipuladoras da beleza e do charme para enganar o homem. A ameaça sedutora, durante a Idade Média, é acusada de compactuar com atos demoníacos, representando um instrumento do mal. Alicerçado ao pensamento de que é um ser mais carnal, portanto mais pecadora, utilizando as palavras de Kramer e Sprenger (2000, p.116) “a mulher é um animal imperfeito, sempre decepciona e mente”.
Neste cenário, alia-se a submissão, por ser concebido como um sujeito inferior, a dependência de uma figura frágil, suscetível e a espera de salvamento. No conto em análise A Bela Adormecida, do Charles Perrault a princesa é salva duas vezes pelo príncipe. Vejamos alguns trechos do conto que confirmam essa afirmação:




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