A constituição da História Como Ciência


parte do complexo de textos, que abarcam a quarta parte da



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pensiero e como azione, que faz parte do complexo de textos, que abarcam a quarta parte da Filosofia do espírito, a teoria da
história, que reúne ainda o livro publicado, inicialmente, em alemão, em 1915, Teoria e história da historiografia ; e o livro
de 1941, Il carattere della filosofia moderna
[242]
.
Tanto quanto no caso da teoria da história, quarta parte da Filosofia do Espírito, as outras três partes também desdobram-se
em  vários  livros.  No  caso  de Estética,  o  livro  de  1902  é  o  primeiro  de  uma  série  que  inclui,  entre  outros, Breviário  de
estética,  de  1913; La  poesia,  de  1936. A  lógica,  segunda  parte  da  Filosofia  do  Espírito,  foi  iniciada  com  o  livro  de  1905,
Lógica  como  scienza  del  concetto  puro,  a  que  se  seguiu,  em  1909, Lógica  em  versão  desenvolvida.  A  terceira  parte,  a
Filosofia da Prática, teve início com a publicação do livro de 1907, Filosofia del diritto como economia, seguido, em 1909,
de Filosofia della pratica economia ed etica, em sua forma completa
[243]
.
Não fazem parte do que Croce chamou de Filosofia do Espírito os livros Materialismo storico e economia marxista,  de
1900;  o  livro  já  citado  sobre  Hegel,  de  1907;  e La  filosofia  di  G.B.  Vico,  de  1911.  Contudo,  esses  livros  têm  importância
capital  na  elaboração  do  sistema  filosófico  crociano  que,  fundamentalmente,  foi  elaborado  a  partir  de  um  diálogo  com  as
filosofias  de  Vico,  Hegel  e  Marx  e  decisivamente,  pela  direta  influência  de  Francesco  de  Sanctis.  Foi  com  De  Sanctis  que
Croce aprendeu que o espírito, o universal, punha-se no particular, no imediato, mediante a intuição, na obra de arte, o que faz
da  estética  o  momento  inicial  de  apreensão  do  universal,  que  deve  passar,  para  se  realizar,  pela  lógica  e  pela  prática,
economia e ética, até se materializar na história, que Croce diz ser sempre história contemporânea, no sentido em que ela é a
permanente  totalização,  a  permanente  presentificação  do  devir  da  consciência,  que  se  realiza  como  pensamento  e  ação.  Diz
Croce:
a história não se constrói nunca sobre narrativas, senão sobre documentos, ou sobre narrativas reduzidas à condição de documentos e tratados como tal. E se
a história contemporânea surge diretamente da vida, isso ocorre também com o que pode ser chamado de não contemporâneo, porque é evidente que só um
interesse da vida presente pode mover-nos a indagar sobre um fato passado; e quando este se verifica com um interesse da vida presente não corresponde a
um interesse do passado, mas do presente [...] (daí que) a verdadeira história é história contemporânea
[244]
.


Essa  permanente  contemporaneidade  da  história  estabelecida  por  Croce  é  tanto  um  modo  de  romper  com  as  pretensas
histórias universais quanto com as filosofias universais como sistemas fechados. Croce foi crítico implacável das filosofias da
história, rejeitando “qualquer intento de impor à história um curso abstrato e determinado [...] Para Croce toda a história era
história  humana  e  –  particularmente  para  o  jovem  Croce,  que  influenciou  Gramsci  –  nenhuma  barreira  ou  limite  impedem  o
homem de seguir qualquer curso que escolha”
[245]
.
Um dos exercícios prediletos de Croce era aferir o vivo e o morto nos sistemas filosóficos que examinava. Esse exercício
poderá ser feito com relação ao próprio Croce. Mesmo os que cultivem o mesmo severo ânimo crítico de Croce, não podem
deixar de reconhecer o seu notável esforço intelectual, a sua quase inacreditável capacidade de trabalho, que fez dele um dos
homens  mais  eruditos  de  todos  os  tempos,  colocando-se  a  serviço  de  uma  causa  coletiva  de  grande  envergadura:  salvar  a
cultura  burguesa  no  momento  de  crise  disruptiva.  Doutrinador  do  capitalismo  liberal,  Croce  antecipou  o  processo  da  união
europeia.  Disse  ele:  “Este  processo  de  união  europeia,  que  é  diretamente  contrário  às  competições  dos  nacionalismos,  está
contra eles e um dia poderá livrar a Europa, por completo, deles [...]”
[246]
. Croce é, como disse Hayden White, o guardião
da cultura burguesa, o que buscou no campo da Filosofia a defesa do liberalismo humanista
[247]
. Escrevendo em 1915, Croce
se vê e a sua obra com palavras que poderiam ser subscritas hoje. Diz ele: “A alma permanece indecisa e a imagem de nós
mesmos, projetada no futuro, oscila deformada, como refletindo-se no espelho de um mar tempestuoso”
[248]
.


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