A constituição da História Como Ciência



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Ciò che è vivo e ciò che è morto della filosofia di Hegel, publicado em 1907. O balanço do que estaria vivo e do que estaria
morto no sistema de Hegel leva Croce ao seguinte:
Será  preciso  conservar:  a  parte  vital,  isto  é,  a  original  concepção  do  conceito,  do  universal  concreto;  a  dialética  dos  contrários  e  a  teoria  dos  graus  de
realidade.  E  rechaçar,  apoiando-se  sobre  esta  nova  concepção  e  desdobrando-a,  todo  panlogicismo  e  toda  construção  dialética  do  empírico;  reconhecer  a
autonomia das várias formas do espírito, em sua necessária conexão e unidade; e, por último, resumir toda a filosofia em uma pura filosofia do espírito (que
poderá ser chamada de lógica-metafísica)
[237]
.
Croce aceitou como central a teoria do devir de Hegel, acrescentando-lhe uma diferenciação crucial, que é a distinção entre


opostos e distintos. Diz Sofia Vanni Rovighi:
Croce aceita a concepção dialética de Hegel, isto é, a concepção de que a realidade é um processo, um devir, no qual é necessário o momento da negação.
Isto  é  “o  que  está  vivo”  na  dialética  hegeliana,  enquanto  “o  que  está  morto”  é  a  tentativa  de  sintetizar  os  distintos;  no  devir  do  espírito  sintetizam-se  os
opostos, não os distintos. Opostos são, por exemplo, belo e feio, verdadeiro e falso, moral e imoral; distintos são belo de verdadeiro, verdadeiro de útil, útil de
moralmente bom. Ora, o belo não existiria sem o feio, o verdadeiro sem o falso, e assim por diante; mas não existe síntese dos distintos, nem passagem de um
para o outro. [...] No entanto eles não são compartimentos estanques, sendo, na verdade, partes de um organismo, que é espírito. “Os distintos existem em
número finito: seu número é oferecido pela história, pelos tipos fundamentais de atividade espiritual que se encontram na história, e são arte, ciência, atividade
econômica, atividade moral; seus objetos são o belo, verdadeiro, útil, bom. Entre estes quatro momentos da vida espiritual existe não apenas unidade orgânica,
mas circularidade, o que significa que um pressupõe o outro: a atividade prática pressupõe o conhecimento, o conhecimento do universal (conceito) pressupõe
o conhecimento do individual (intuição), a atividade prática dirigida a fins universais (ética) pressupõe as atividades dirigidas para fins particulares (economia).
Mas, por sua vez, a atividade prática cria o material do qual o artista extrairá suas intuições, e assim por diante
[238]
.
Leon Dujovne apresenta com clareza e elegância o sistema de Croce:
o espírito uno e indivisível tem uma estrutura dinâmica na qual cabe distinguir quatro graus ou momentos distintos. Eles formam um círculo perpetuamente
penetrado pela vida do espírito, o qual, sempre repleto de experiências, enriquece-se sempre. Os quatro graus de experiência, da atividade do espírito, são os
objetos, os temas: a estética, a lógica, a economia e a ética. Não há filosofia fora destas quatro disciplinas
[239]
.
No  sistema  hegeliano  os  opostos  são  sintetizados  no  Espírito  Absoluto,  “síntese  de  muitas  determinações”,  universal
concreto. No sistema crociano a tríade de distintos desdobra-se nos três níveis da existência autônoma do Espírito, a saber:
estética, lógica e prática, que se divide em economia e ética. Há ainda um último passo que completa o sistema e o sintetiza, a
quarta esfera do Espírito, que é o pensamento histórico ou historiografia. Diz Croce:
a filosofia não pode ser, nem na verdade foi jamais, senão filosofia do espírito; [...] (e) a filosofia do espírito não pode ser no concreto, ou não tem sido na
verdade  nunca,  senão  pensamento  histórico  ou  historiografia,  em  cujo  processo  ela  representa  o  momento  (também  este  historicamente  condicionado)  da
reflexão  metodológica,  a  qual  se  pode  dar  maior  ou  menor  destaque,  fazendo-a  objeto  de  tratamento  literário  ou  didático  particular,  porém  que,
intrinsecamente, é inseparável do processo que é único
[240]
.
De que resulta a tese central de Croce de que a filosofia é historicismo absoluto. Émile Bréhier apresenta a Filosofia do
Espírito  de  Croce  como  baseada  em  duas  esferas,  que  se  subdividem,  a  saber:  a  esfera  teórica,  na  qual  estão  incluídas  a
atividade do Espírito como intuição, representação e expressão englobadas na estética; e a atividade da consciência universal
em  sua  unidade  com  a  consciência  individual  por  meio  da  lógica. A  outra  esfera  reúne  a  atividade  prática  da  vontade,  do
querer,  e  se  subdivide  em  querer  do  particular,  que  constitui  a  economia,  e  o  querer  do  universal,  que  é  o  campo  da
ética
[241]
.  Ou  ainda,  o  Espírito  desdobrar-se-ia  em  cognitivo  que  busca  o  conhecimento  o  qual  se  dá  como  conhecimento
intuitivo, conhecimento do particular de que cuida a estética; e conhecimento do universal, conhecimento intelectivo, que é a
lógica. Por outro lado, o Espírito é também volição, ação, é prática, e nessa condição ele se faz como vontade do indivíduo,
como querer do indivíduo, como economia, e como vontade do universal, como querer do universal, como ética. Daí que, em
seu conjunto, o Espírito seja pensamento e ação, isto é, história, como Croce explicitou em seu livro de 1938, La storia como


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