A constituição da História Como Ciência


As influências recebidas por Pirenne



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A Constituicao da Historia como Ciencia de Ranke a Braudel - Julio Bentivoglio
As influências recebidas por Pirenne
Antes de discorrermos sobre a contribuição mais consistente de Pirenne para a historiografia ocidental como um todo – ou
seja, sua influência sobre uma nova historiografia que já seria tipicamente contemporânea, e sua contribuição mais específica
como historiador medievalista –, será oportuno ressaltar as influências que recebeu de outros historiadores, e as influências
que ele mesmo exerceria. Sobre o primeiro item, podemos ressaltar alguns autores que fazem parte da rede interautoral que
fornece  a  Pirenne  um  ambiente  teórico  e  historiográfico  importante.  Como  Pirenne  formou-se  e  completou  a  sua  formação
entre  três  países  –  primeiro  a  Bélgica,  depois  a  França,  e  finalmente  a Alemanha  –,  teremos  no  seu  acorde  historiográfico
desde a presença de notas de influência mais locais, como a do medievalista belga Godefroid Kurth (1847-1916), como a de
notas de maior penetração na historiografia europeia: Arndt, Bresslau, Lamprecht e Schmoller.
Godefroid  Kurth,  medievalista  belga  hoje  pouco  conhecido,  representou  o  contato  e  impulso  inicial  de  Pirenne  para  o
estudo da História, contrariando os planos familiares que lhe indicavam uma carreira no Direito. Kurth certamente contribuiu
não  apenas  para  direcionar  Pirenne  para  o  estudo  da  Idade  Média,  como  também  para  a  sua  abertura  temática
[143]
.  Além
disto, Kurth era já um historiador problematizador, e fazia, no título de um de seus livros, uma pergunta que mais tarde seria
central na obra de Pirenne: O que é a Idade Média? (1897). Esse empenho em repensar de uma nova maneira as fronteiras
historiográficas  entre  as  grandes  eras,  que  veremos  tão  claramente  em  Pirenne,  foi  uma  primeira  influência  recolhida  de
Godefroid Kurth, que também estenderia para Pirenne a sua preocupação com A nacionalidade belga (1913).
De  Gustav  von  Schmoller  (1838-1917)  –  professor  de  Economia  Política  nas  universidades  de  Halle  (1864-1872),
Estrasburgo (1872-1882) e Berlim (1882-1913) – Pirenne herdaria a preocupação central com a dimensão econômica para a
análise  histórica.  Pode-se  dizer  que  o  economista-historiador  Schmoller  estendeu  uma  ressonância  fundamental  sobre  o
historiador-economicista  Henri  Pirenne,  que  soube  desenvolver  à  sua  maneira  este  encontro  fundamental  entre  economia  e


história. Schmoller foi um dos impulsionadores da escola alemã da Economia Histórica, e era um intelectual atento não apenas
à  Economia  e  à  História,  como  também  ao  Direito  –  três  aspectos  que  também  veremos  ocupar  uma  posição  central  em
Pirenne. Sua abordagem da economia através da história também pressupunha uma análise comparativa no tempo e no espaço,
uma instância adicional que também veremos em Pirenne, que foi ele mesmo um dos primeiros proponentes de uma abordagem
especificamente  comparada  da  História,  conforme  veremos  mais  adiante.  A  teoria  das  etapas  da  evolução  econômica  –
configurando  as  economias  aldeã,  citadina,  territorial,  nacional  e  mundial  –  também  pode  ser  atribuída  a  Schmoller,  e  logo
veremos as ressonâncias da mesma no acorde historiográfico de Pirenne, que dedicou especial atenção a analisar a passagem
de aldeias medievais à dimensão da cidade, a inserção das cidades medievais em um território mais vasto, e, finalmente, a
integração destas a uma rede mais ampla a partir do comércio de longa distância.
Também podemos entrever nesta rede interautoral a importância de Karl Gotthard Lamprecht (1856-1915), um historiador
igualmente preocupado com a importância da instância econômica para a história
[144]
, e que se notabilizaria particularmente
por  sua  ultrapassagem  dos  estreitos  limites  da  historiografia  política  tradicional  e  por  sua  atenção  mais  específica  aos
aspectos  culturais,  a  tal  ponto  que,  por  sua  singular  atenção  tanto  à  economia,  à  cultura,  e  mesmo  a  aspectos  psicológicos,
chegou a atrair contra si hostilidades dos historiadores estritamente políticos das universidades alemãs. É muito interessante,
aliás,  visualizar  esta  rede  interautoral  que  liga  Lamprecht  aos  próprios  jovens  historiadores  dos Annales,  um  pouco
diretamente, e um pouco através do próprio Henri Pirenne. Em 1900 Lamprecht publicaria uma obra intitulada A  abordagem

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