A constituição da História Como Ciência



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A Constituicao da Historia como Ciencia de Ranke a Braudel - Julio Bentivoglio
Nota biográfica
Arnold  Joseph  Toynbee  nasceu  em  14  de  abril  de  1889,  em  Londres.  Proveniente  de  um  ambiente  familiar  da  burguesia
inglesa do final do século, teve sua educação inicial completada no Winchester College. Sua formação religiosa fortemente
alicerçada  na  ortodoxia  anglicana  foi  herança  do  ambiente  familiar.  Foi  também  do  ambiente  familiar  que  proveio  seu
interesse  pela  história:  seu  tio Arnold,  de  quem  herdou  o  nome,  foi  um  historiador  econômico  que  escreveu  um  importante
livro,  à  época,  sobre  a  Revolução  Industrial.  Outro  tio,  De  Paget,  foi  filólogo,  e  frequentemente  Arnold,  quando  criança,
utilizava  sua  biblioteca.  Sua  irmã,  Jocelyn,  tornou-se  arqueóloga  e  historiadora  da  arte. A  influência  mais  decisiva,  porém,
está na figura materna, Sarah Edith Marshall Toynbee, uma historiadora diletante, pertencente à primeira geração de mulheres
inglesas que entrou para a universidade e que, para sustentar o ensino do filho, aceitou a incumbência de escrever uma história
da Escócia, Tales from Scottish History . Como o próprio Toynbee reconhece, “Comecei a aprender latim com sete anos, mas
muito antes disso minha mãe fizera de mim um historiador, por ser ela própria historiadora”
[621]
.
A  geração  de  Toynbee  foi  uma  das  últimas  a  terem  tido  a  oportunidade  de,  ainda  na  juventude,  desfrutar  da  atmosfera
cultural vitoriana, firmemente ancorada num passado imperial que, no início do século XX, começa a perder suas forças
[622]
.
Com 22 anos Toynbee conseguiu entrar na prestigiosa Universidade de Oxford, no Balliol College, onde, em 1912, iniciou sua
carreira  acadêmica  como fellow  e  ganhou  uma  bolsa  de  estudos,  com  a  qual  realizou  uma  viagem  à  Grécia.  Essa  foi  uma
viagem fundamental para a vida do jovem professor, não só porque foi nela que completou sua “educação grega”, como fazia
questão  de  enfatizar,  mas  porque  delineou  sua  sorte  face  à  proximidade  da  Primeira  Guerra  Mundial.  Esse  destino  lhe  foi
apresentado,  segundo  sua  análise,  por  um  erro  no  mapa  que  seguia  para  orientar-se  em  uma  caminhada  entre  as  cidades  de
Kato  Vezáni  e  Gythion.  Tendo  esgotado  todas  as  suas  reservas  de  água  e  longe  de  qualquer  vilarejo  onde  pudesse  se
abastecer, Toynbee deparou-se com um riacho, à beira da estrada. Assim, ele narra a coincidência que selaria seu destino:
Curvando-me, mergulhei nele a boca e bebi o mais que pude. Foi somente depois de ter bebido até me fartar que notei um homem de pé, observando-me em
frente à porta de sua cabana. “Esta é uma água muito ruim”, declarou ele. Se este homem fosse um indivíduo responsável e de bom-senso me teria dito antes


que  eu  tivesse  tocado  a  água  com  os  lábios;  mas tivesse  ele  me  avisado,  conforme  deveria,  haveria  toda  a  probabilidade  de  eu  não  estar  vivo  agora.
Inadvertidamente salvou a minha vida; pois tinha razão a respeito do fato de que a água era poluída. Causou-me uma disenteria que continuou infectando-me
durante os seis anos seguintes, e desqualificou-me para o serviço combatente na guerra de 1914 a 1918
[623]
.
Muito  embora,  para  os  leitores  modernos,  a  descrição  das  dificuldades  pelas  quais  Toynbee  passou  em  virtude  desse
evento, à primeira vista sem importância, possua tons tragicômicos, o mesmo marcou profundamente sua trajetória pessoal e
profissional pelas décadas seguintes.
Em 1913 casou-se com Rosalind Murray, filha de Gilbert Murray. Em 1921 foi indicado para ocupar o cargo de professor
de  História  Grega  e  Bizantina  moderna,  no  King’s  College,  criada  com  o  financiamento  do  governo  grego,  e  teve  a
oportunidade  de  viajar  para  a  Grécia  e  a  Turquia,  onde  se  tornou  também  correspondente  do Manchester  Guardian.  Sua
análise dos conflitos entre Turquia e Grécia ao final da Primeira Guerra e o relato das atrocidades cometidas principalmente
pelas tropas gregas, em The Western Question in Greece and Turkey: a Study in the Contact of Civilizations , resultaram em
fortes  controvérsias  que  acabaram  por  tornar  sua  posição  politicamente  insustentável.  Em  1924  Toynbee  renunciou  ao
cargo
[624]
.
No  mesmo  ano  começou  a  trabalhar  no  Royal  Institute  of  International Affairs,  onde  permaneceria  até  1956,  e  na  London
University. Após o suicídio de seu filho mais velho em 1939, Toynbee separou-se de Rosalind. Em 1946 casou-se novamente,
com  Verônica  Boulter,  sua  assistente  de  pesquisa  no  Riia.  Mesmo  após  sua  aposentadoria,  em  1956,  Toynbee  permaneceu
extremamente  produtivo,  publicando  os  dois  volumes  finais  do Study  (XI  –  Mapas  geo-históricos  e  tabelas;  XII  –
Reconsiderações), entre outras obras. Arnold Joseph Toynbee morreu em 22 de outubro de 1975.

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