A comida de Rua como Significação e Identidade: Uma contextualização do consumo atual da comida de rua em Salvador/Ba



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RESULTADOS E DISCUSSÕES
No decorrer da pesquisa foi possível observar a grande diversidade, dentre idade e localização, dos consumidores da comida de rua em Salvador. Considerada um produto afetivo e de forte representatividade cultural, a comida de rua, para a maioria dos participantes, resume-se em uma alimentação fornecida fora do ambiente residencial, desde ambulantes à pontos fixos da cidade, sempre remetida aos produtos locais e consumidos desde a infância.

A dinâmica do comércio de alimentos vendidos informalmente é visível, encontrados em todas as partes da cidade os mesmos são comercializados ao longos dos anos, alguns com mais vinte anos de peregrinação nas ruas soteropolitanas. Possuindo uma grande variedade, os produtos mais comuns encontrados até hoje nas ruas são: acarajé, abará, amendoim (cozido ou torrado), banana real, balas de coco/nego bom, beiju, bolinho de estudante, cana em rolete, caldos, cavaco, cocada, cuscuz, espetinhos, feijoada, geladinho, milho, mingaus, pamonha, passarinha, quebra-queixo, queijo-coalho, sarapatel e taboca (Marcelo e Brígida, 2014).

Apesar de todos estes produtos serem citados na pesquisa como consumidos, os mais identitários são o acarajé e abará sendo o de maior aquisição pela população, as guloseimas com menores porcentagens de consumo são citadas posteriormente como desconhecidas, o que nos leva a observação da faixa-etária e localização destes consumidores ou a forma como a mesma é vendida pois fatores como estes podem influenciar no não reconhecimento ou consumo do produto.

Segundo Boog, “a alimentação é ponto vital e central da formação social” (5), inicia-se na infância, através da influência familiar, seguido dos grupos em que se convivem e posteriormente pelo pertencimento pessoal. Com isto aquiri-se costumes, tradições, orientações do que se comer, onde e quando, construindo-se assim hábitos alimentares (Garcia, 2005). A prática alimentar nas ruas de Salvador baseia-se geralmente pela necessidade de uma alimentação rápida em meio à agitação do dia a dia, a praticidade em encontrar produtos durante a rotina urbana influência, segundo participantes, o consumo de alimentos do comércio informal. Sendo ressaltado que os produtos regionais são melhores que os lanches comuns e que consumi-los gera a percepção do pertencimento e valorização dos produtos locais, além do valor acessível e da satisfação palativa.

As práticas e hábitos alimentares demonstram diversos aspectos da população, Mintz afirma que a alimentação está vinculada ao sentido próprio e à identidade coletiva, onde promove a experiência social, cultural, histórica e pessoal (6). Durante a pesquisa, observou-se que a maioria dos participantes identificaram diversos produtos como identidade alimentar soteropolitana, o acarajé e abará, novamente, estavam entre os mais citados, os quais participantes afirmava-os como produtos de representação cultural pela sua origem afro brasileira. Além destes, produtos como beiju, queijo coalho e amendoim, também eram citados e remetidos à cultura nordestina e a diversidade alimentar da região. Essas afirmações trouxeram observações e reflexões sobre a importância da valorização cultural dos produtos regionais e como os mesmos ganham visibilidade quando os consumidores possuem conhecimento sobre o produto, sua origem e produção.

Todos os produtos destacados na pesquisa são citados, alguns em menores porcentagens, direcionados à momentos de lazer e consumo familiar delegando sempre boas lembranças, épocas festivas e até mesmo as memórias da infância. Os participantes também citam produtos regionais não destacados na pesquisa que são ou já foram vendidos nas ruas de Salvador possuindo o mesmo intuito de memória e significação, os mesmos ressaltam como a forma de venda desses produtos foram modificados por conta da urbanização e ou chegada de fast-foods na cidade e isto faz-se perder a valorização e o consumo do produto ao longo dos anos.



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