A cinco Passos de Você



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A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott
EXAME 013052022, WORKSHOP TER 25JAN protected, Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)



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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento,
e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa
sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."



SUMÁRIO
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Capítulo 1: Stella
Capítulo 2: Will
Capítulo 3: Stella
Capítulo 4: Will
Capítulo 5: Stella
Capítulo 6: Will
Capítulo 7: Stella
Capítulo 8: Will
Capítulo 9: Stella
Capítulo 10: Will
Capítulo 11: Stella
Capítulo 12: Will
Capítulo 13: Stella
Capítulo 14: Will
Capítulo 15: Stella
Capítulo 16: Will
Capítulo 17: Stella


Capítulo 18: Will
Capítulo 19: Stella
Capítulo 20: Will
Capítulo 21: Stella
Capítulo 22: Will
Capítulo 23: Stella
Capítulo 24: Will
Capítulo 25: Stella
Capítulo 26: Will
Capítulo 27: Stella
Capítulo 28: Will
Capítulo 29: Stella
Oito meses depois
Capítulo 30: Will
Capítulo 31: Stella
Nota dos autores
Agradecimentos
Notas
Sobre os autores
Créditos


Para Alyson
R.L.
Dedicamos este livro e o filme a todos os pacientes,
famílias, corpo médico e pessoas amadas que travam
todos os dias, bravamente, a batalha contra a fibrose
cística. Esperamos quea história de Stella e Will ajude a
tornar essa doença mais conhecida e, quem sabe um dia,
a encontrar a cura.
M.D. e T.I.


capítulo 1
STELLA
Passo meus dedos pelo contorno
do desenho da minha irmã,
pulmões feitos a partir de um mar de flores. Pétalas florescem de
cada extremidade em uma explosão de rosa-claro, branco e um
azul mesclado, mas, de alguma forma, cada uma tem uma
singularidade, uma vibração que indica que florescerá para
sempre. Algumas nem floresceram ainda, mas consigo sentir a
promessa de vida pulsando dentro de cada um dos pequenos
botões, esperando para se desdobrar sob o peso do meu dedo.
Essas são as minhas favoritas.
Eu me pergunto, com bastante frequência, como deve ser ter
pulmões tão saudáveis. Tão vivos. Respiro fundo, sentindo o ar
entrando e saindo do meu corpo com dificuldade.
Ao percorrer a última pétala da última flor, minha mão desce
pelo desenho, meus dedos traçando o céu estrelado e cada
pontinho de luz que Abby fez na tentativa de capturar o infinito.
Eu tusso, afastando a mão, e me inclino para pegar uma foto de
nós duas na cabeceira da cama. Sorrisos idênticos aparecem por
trás dos grossos cachecóis de lã, as luzes de Natal do parque no
fim da rua cintilando sobre nossas cabeças como as estrelas do
desenho.
Havia algo mágico lá. O brilho sutil das lâmpadas dos postes,
a neve agarrada aos galhos das árvores, a quietude e o silêncio
de todo o cenário. Nós quase congelamos para tirar aquela foto
ano passado, mas era a nossa tradição. Abby e eu, enfrentando
o frio para ver as luzes de Natal juntas.
Essa foto sempre me faz lembrar daquela sensação. A
sensação de embarcar numa aventura com a minha irmã, só nós
duas, o mundo se expandindo à nossa frente como um livro
aberto.


Pego uma tachinha e penduro a foto ao lado do desenho
antes de me sentar na cama e pegar meu bloquinho e lápis da
mesa de cabeceira. Meus olhos percorrem a longa lista de
tarefas que fiz para mim mesma hoje de manhã, começando
com: 1: planejar uma lista de tarefas – o que já risquei com
satisfação –, e terminando com 22: contemplar a vida após a
morte.
É possível que o número 22 seja um pouco ambicioso para
uma tarde de sexta-feira, mas pelo menos agora posso riscar o
17: decorar as paredes. Passei a manhã inteira tentando deixar
esse quarto vazio com a minha cara, e agora, olhando ao redor,
observo as paredes cheias de desenhos que Abby me deu ao
longo dos anos – pontos de cor e vida pulando de paredes
brancas insossas –, cada um deles fruto de uma ida diferente ao
hospital: eu com o soro intravenoso no braço, a bolsa cheia de
borboletas de diferentes formatos, cores e tamanhos; eu com
uma cânula de oxigênio no nariz, o tubo se retorcendo para
formar o sinal do infinito; eu com um nebulizador, o vapor
formando uma auréola nebulosa. E há também o mais delicado:
um tornado de estrelas que ela desenhou na primeira vez que
vim para cá.
Não é tão sofisticado quanto seus trabalhos posteriores, mas,
por algum motivo, isso me faz gostar ainda mais dele.
E logo abaixo de toda essa vida está... o meu amontoado de
aparelhos médicos, bem ao lado de uma daquelas típicas
poltronas verdes de hospital, feita de um couro sintético horrível,
marca registrada de todos os quartos do St. Grace. Olho com
receio para a bolsa de soro vazia, ciente de que a primeira das
muitas rodadas de antibióticos do próximo mês está a
exatamente uma hora e nove minutos de distância. Sorte a
minha.
— É aqui — uma voz exclama do lado de fora do meu quarto.
Levanto a cabeça para olhar quando a porta se abre lentamente
e dois rostos familiares aparecem na fresta. Nos últimos dez
anos, Camila e Mya já me visitaram aqui um milhão de vezes, e,
ainda assim, nunca conseguem fazer o percurso da recepção até


meu quarto sem pararem para pedir informações para todas as
pessoas do prédio.
— Quarto errado — digo, sorrindo ao ver o alívio no rosto das
duas.
Mya ri, abrindo a porta por completo.
— Poderia ser mesmo. Esse lugar ainda é um maldito
labirinto.
— Vocês estão animadas? — pergunto, ficando de pé em um
salto para abraçá-las.
Camila se afasta para me olhar com um biquinho, seu cabelo
castanho-escuro acompanhando sua expressão cabisbaixa.
— Segunda viagem seguida sem você.
É verdade. Essa não é a primeira vez que a fibrose cística me
faz perder uma excursão, férias ensolaradas ou um evento
escolar. Em mais ou menos setenta por cento do tempo, levo
uma vida bem normal. Vou para a escola, saio com Camila e Mya
e trabalho no meu aplicativo. Só faço tudo isso com uma baixa
capacidade pulmonar. Mas nos outros trinta por cento, a fibrose
cística controla a minha vida. O que significa que, quando preciso
voltar ao hospital para uma revisão, perco coisas como uma
excursão para um museu de arte ou, como agora, a nossa
viagem de formatura para Cabo San Lucas.
Essa revisão em particular tem a ver com o fato de que eu
preciso de doses cavalares de antibióticos para finalmente me
livrar de uma dor de garganta e febre que não passam nunca.
Isso e o fato de que minha capacidade pulmonar está
despencando.
Mya se joga na cama, soltando um suspiro dramático ao se
deitar.
— São só duas semanas. Tem certeza que você não pode ir?
É nossa viagem de formatura, Stella!
— Certeza absoluta — digo com firmeza, e elas veem que
estou falando sério. Somos amigas desde o Ensino Fundamental,
e elas sabem a essa altura que, quando se trata de planos,
minha 
FC
é quem dá a palavra final.
Não é que eu não queira ir. É só, literalmente, uma questão de
vida ou morte. Não posso viajar para Cabo San Lucas – ou para


qualquer outro lugar, na verdade – e correr o risco de não voltar
viva. Não posso fazer isso com meus pais. Não agora.
— Mas você foi a chefe do comitê de planejamento esse ano!
Não dá pra pedir pra eles remarcarem? Não queremos que você
fique presa aqui — Camila diz, apontando o quarto de hospital ao
seu redor, que decorei com tanto cuidado.
Faço que não com a cabeça.
— Mas ainda temos as férias do meio do ano! E eu nunca
perdi nenhum “fim de semana das BFFs” das férias desde a
oitava série, quando peguei aquela gripe — digo com um sorriso
esperançoso, olhando de Camila para Mya. Nenhuma retribui
meu sorriso, no entanto, e preferem continuar me encarando
como se eu tivesse assassinado seus bichinhos de estimação.
Percebo que as duas estão segurando as sacolas com roupas
de praia que pedi para trazerem, então agarro as de Camila em
uma tentativa desesperada de mudar de assunto.
— Uuuh, biquínis! Temos que escolher os melhores — digo.
Já que não vou torrar no sol de Cabo com meu próprio biquíni,
acho que pelo menos tenho o direito de me imaginar lá enquanto
ajudo minhas amigas a escolher o que vão levar.
Isso anima as duas. Empolgadas, esvaziamos as sacolas em
cima da cama, criando uma mistura de estampas florais, bolinhas
e cores fluorescentes.
Analiso a pilha de Camila, pegando uma parte de baixo
vermelha que parece algo entre um biquíni e um pedaço de fio
dental, e eu sei de cara que aquela é uma peça que já pertenceu
à sua irmã mais velha, Megan.
Jogo a calcinha nela.
— Esse. É a sua cara.
Ela arregala os olhos e segura a peça por cima da roupa, na
altura da cintura, ajeitando, surpresa, os óculos de armação fina
com a outra mão.
— Bom, acho que a marquinha do biquíni até ficaria boa...
— Camila — eu digo, segurando um biquíni de listras azuis e
brancas que tenho certeza que ficará lindo nela. — É brincadeira.
Esse aqui é perfeito.


Ela parece aliviada e pega o biquíni da minha mão. Vou para a
pilha de Mya, mas ela está ocupada trocando mensagens com
alguém no celular, sentada na poltrona no canto do quarto e
sorrindo de orelha a orelha.
Tiro do meio da pilha um maiô que ela tem desde as aulas de
natação da sexta série e, com uma risadinha, mostro para ela.
— O que você acha desse aqui, Mya?
— Adoro! Parece ótimo — ela responde, digitando
freneticamente.
Camila ri ao colocar seus biquínis de volta na sacola,
lançando um sorriso malicioso para mim.
— O Mason e a Brooke terminaram — explica.
— Ah, meu Deus! Não acredito — exclamo. Isso sim é
novidade. Uma novidade ótima.
Bom, não para a Brooke. Mas a Mya é apaixonada pelo
Mason desde os tempos das aulas de inglês com a sra. Wilson
no segundo ano, e essa viagem é sua chance de finalmente fazer
algo a respeito.
Fico chateada por não poder estar lá para ajudá-la a colocar
em ação o plano “Romance tórrido com Mason em Cabo”.
Mya deixa o celular de lado e dá de ombros, levantando e
fingindo olhar alguns dos desenhos pendurados na parede.
— Não é nada demais. Vamos encontrar ele e o Taylor no
aeroporto amanhã de manhã.
Lanço um olhar significativo para ela, que abre um grande
sorriso.
— Tudo bem. É meio que demais.
Soltamos um gritinho, entusiasmadas, e eu escolho um maiô
lindo de bolinhas, que é super vintage e bem a cara dela. Ela faz
que sim com a cabeça e segura o maiô em frente ao corpo.
— Eu estava totalmente torcendo pra você escolher esse.
Viro para Camila e a vejo olhando para o relógio, ansiosa, o
que não me surpreende. Ela é a campeã da procrastinação, e
provavelmente ainda não separou nenhuma peça de roupa para
Cabo.
Exceto o biquíni, claro.


Ela vê que percebi sua inquietação e me lança um sorrisinho
tímido.
— Ainda tenho que comprar uma canga pra amanhã.
Camila sendo Camila.
Levanto da cama, sentindo um aperto no peito só de pensar
nelas indo embora, mas não quero atrasá-las.
— Bom, vocês têm que ir, então! O voo de vocês sai, tipo,
absurdamente cedo amanhã.
Mya olha ao redor com uma cara de tristeza enquanto Camila
retorce sua sacola cheia de biquínis no pulso. As duas estão
tornando a situação ainda mais difícil do que eu achei que seria.
Engulo em seco a mistura de culpa e irritação que parece formar
um bolo na minha garganta. Não são elas que vão perder a
viagem de formatura para Cabo. Pelo menos estarão juntas.
Abro o maior sorriso que posso para as duas, praticamente
empurrando-as porta afora. Minhas bochechas doem de tanta
positividade falsa, mas não quero estragar o momento.
— Vamos te mandar muitas fotos, o.k.? — Camila diz, me
abraçando.
— É bom mesmo! Me coloca em algumas com Photoshop —
digo para Mya, que é tipo a maga da Adobe. — Vocês não vão
nem perceber que eu não fui!
As duas enrolam na porta e eu reviro os olhos
exageradamente, empurrando-as porta afora.
— Saiam daqui. Vão ter uma viagem incrível!
— Te amamos, Stella — elas gritam enquanto seguem pelo
corredor. Eu as observo indo embora, acenando até os cachos
de Mya sumirem completamente de vista, e de repente não há
nada que eu queira mais do que ir com elas fazer as malas, e
não desfazê-las.
Meu sorriso desaparece quando fecho a porta e vejo a antiga
foto de família cuidadosamente pendurada ali.
Ela foi tirada há alguns verões na varanda da frente da nossa
casa, durante um churrasco de 4 de julho. Eu, Abby, meu pai e
minha mãe, todos com sorrisos bobos enquanto a câmera
capturava o momento. Sinto uma pontada de saudade ao lembrar
do barulho da madeira desgastada e frágil do piso que rangia sob


os nossos pés enquanto sorríamos e nos juntávamos para tirar a
foto. Sinto falta disso. De todos nós juntos, felizes e saudáveis.
No geral.
Isso não está ajudando. Com um suspiro, desvio o
pensamento, olhando para o carrinho de remédios.
Sendo sincera, eu gosto daqui. Essa tem sido a minha casa
longe de casa desde que eu tinha seis anos, então geralmente
não ligo de vir para cá. Faço meus tratamentos, tomo meus
remédios, bebo o equivalente ao meu peso em milk-shakes, vejo
Barb e Julie e vou embora até a próxima crise. Simples assim.
Mas dessa vez estou ansiosa, inquieta. Porque agora, em vez de
simplesmente querer ficar saudável, eu preciso ficar saudável.
Pelo bem dos meus pais.
Porque eles conseguiram estragar tudo com o divórcio. E,
depois de perderem um ao outro, não vão aguentar me perder
também. Eu sei disso.
Se eu conseguir melhorar, talvez...
Um passo de cada vez. Vou até a saída de oxigênio ao lado
da cama, checando duas vezes se a pressão está correta, e
escuto o sibilo estável do ar saindo dela. Passo a sonda em volta
dos meus ouvidos e prendo as pontas da cânula nas minhas
narinas. Suspirando, tento me ajeitar no desconforto familiar do
colchão do hospital e respiro fundo.
Estico o braço para pegar meu caderno e ver qual é o próximo
item da lista para me manter ocupada.

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