7ª e diç Ão atu aliz ada e a mp liada Atividade Física, Saúde Qualidade de Vida



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ATIVIDADE FÍSICA, SAUDE E QUALIDADE DE VIDA
AVD  autocuidado, mobilidade, alimentação, higiene pessoal (banho, uso 
da privada, controle de esfíncteres), vestir, despir, calçar. 
AIVD  fazer compras e lidar com dinheiro, utilizar telefone ou computador, 
limpar, cozinhar, utilizar transporte público.
Nos esportes, assim como nas AVD e AIVD, mais do que a precocidade é 
importante a oportunidade, a prontidão ou “momento certo” para o aprendi-
zado. Essa prontidão para a mudança e o aprendizado é relevante para todas 
crianças e adolescentes com deficiência intelectual, em particular aqueles com 
Síndrome de Down.
No início dos anos 90, um questionário proposto para avaliar a qualidade 
de vida de pessoas com Síndrome de Down incluiu as seguintes áreas de ava-
liação (Brown & Bayer, 1992):
„
coisas que você faz (inclui esportes, artesanato, ajuda em casa)
„
sua saúde (autopercepção, comportamento preventivo, atenção à 
saúde)
„
sua família e seus amigos (atores essenciais nos relacionamentos)
„
você e sua família (amor e afeição, aceitação, participação, voz ativa)
„
autoimagem (tem a ver com autoestima e facilidade de comunicação)
„
lazer (oportunidades, direito de escolha, lazer ativo e passivo)
„
trabalho (preparação, percepção de valor, satisfação pessoal)
„
você e a lei (direitos de ir e vir, de acesso, segurança, respeito)
„
ajuda que você precisa (em casa, na rua, na escola ou no trabalho)
Outra abordagem da qualidade de vida na Síndrome de Down foi proposta 
por Felce e Perry (1997) e sugere que se considere o bem-estar em diversos 
domínios: físico, material, social, emocional e produtivo. Outras abordagens 
incluem fatores como o controle sobre o ambiente em que se vive, o grau de 
atendimento das necessidades e interesses individuais, além do grau de em-
poderamento (decisões e escolhas individuais). 


233
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Com base no modelo de qualidade de vida proposto no capítulo 1 deste 
livro, pode-se construir uma medida para este constructo na Síndrome de 
Down, com duas dimensões: condições de vida e estilo de vida. Sugere-se 
manter, no caso do estilo de vida, os cinco fatores descritos no modelo do 
Pentáculo do Bem-estar (atividade física, alimentação, controle do estresse, 
relacionamentos e comportamento preventivo), alterando os itens específicos 
avaliados em cada um dos cinco fatores.
Ainda que não seja uma área de investigação que se possa dizer conso-
lidada, muitas pesquisas têm abordado este tema com análises narrativas, 
observacionais e abordagens qualitativas de diversos aspectos ambientais e 
comportamentais relacionados com a saúde, o bem-estar e a qualidade de 
vida de crianças e adultos com deficiência intelectual. Há uma tendência de 
consenso de que o estudo da qualidade de vida envolve percepções pessoais 
do ambiente e de características pessoais (como na abordagem apresentada 
neste livro). Assim, tanto os componentes objetivos como subjetivos são im-
portantes nos modelos e nas medidas da qualidade de vida, com a percepção 
de bem-estar individual sendo o “filtro” a partir do que os indicadores do 
mundo real (objetivos) são percebidos pelo indivíduo e como ele interpreta o 
controle que tem sobre seu ambiente.
Tais estudos ganham em relevância também pelo fato de estar aumen-
tando rapidamente a expectativa de vida das pessoas com Síndrome de Down. 
Daí a questão: se as pessoas com Síndrome de Down estão vivendo mais é 
preciso investigar e propor ações que melhorem a qualidade de vida nesses 
anos a mais, uma vez que existem evidências de que o cromossomo 21 extra 
(trissomia) está associado, entre outros fatores, a um risco aumentado de de-
mência e doença de Alzheimer precoces (a partir dos 45 anos, segundo Brown 
e colaboradores, 2001). 
Atentos ao processo de envelhecimento na Síndrome de Down e à carên-
cia de informações sobre a qualidade de vida a partir dos 40 anos de idade 
neste grupo populacional, Marques e Nahas (2003) realizaram um estudo de 
âmbito estadual (Santa Catarina), com visitas domiciliares e entrevistas a 30 
indivíduos (15 homens e 15 mulheres, com média de idade igual a 46 anos). 
A baixa estatura foi confirmada, com média de 151,9 cm para os homens e 
143,2 cm para as mulheres, com o IMC (Índice de Massa corporal) igual a 26,8 
(homens) e 31,3 para as mulheres. As entrevistas com pais ou cuidadores pró-
ximos indicaram como boa a condição de saúde física e mental. Observou-se 
a preferência por atividades de lazer passivas, principalmente assistir TV. Já 


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a prática de atividades físicas foi citada por 56% das pessoas. Com o uso de 
pedômetros, pode-se verificar uma média de 4.018 passos/dia (DP=2.377), 
com grande variabilidade interindividual (662 a 9.636 passos/dia). Os mais 
jovens e as mulheres eram mais ativas, e os mais ativos mostravam-se tam-
bém com maior grau de independência na realização das atividades da vida 
diária, como alimentar-se sozinho. Já nas AIVD, a falta de oportunidades e de 
orientação adequada revelaram-se como barreiras importantes para o baixo 
desempenho nessas tarefas. Em razão do baixo nível educacional e a falta de 
oportunidades no mercado de trabalho para essa geração com Síndrome de 
Down, pouco se pode dizer sobre essas variáveis, a não ser que o índice de 
alfabetização era inferior a oito porcento no grupo investigado. 
Atualmente, os avanços nos aspectos de promoção da saúde e prevenção 
de doenças tem chegado também às pessoas com Síndrome de Down, que 
estão vivendo mais e tendo mais oportunidades educacionais, de inserção no 
mercado de trabalho, maior envolvimento e integração social, além de um 
ganho sensível na independência e autonomia em seu cotidiano. Em suma, 
dadas as devidas oportunidades e o suporte necessário, a qualidade de vida 
das pessoas com Síndrome de Down tende a melhorar ainda mais no futuro 
próximo. Certamente, mais evidências sobre estilo de vida e bem estar dessa 
população são necessárias para que práticas baseadas em evidências sejam 
propostas, com maiores chances de efetividade.

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