7ª e diç Ão atu aliz ada e a mp liada Atividade Física, Saúde Qualidade de Vida



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ATIVIDADE FÍSICA, SAUDE E QUALIDADE DE VIDA
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Lazer Ativo e 
Qualidade de Vida 
do Trabalhador
TÓPICOS NESTE CAPÍTULO
 
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Qualidade de vida do trabalhador
 
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Trabalho, lazer e saúde
 
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Lazer Ativo
 
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Promoção da saúde e qualidade de vida no contexto do trabalho: 
modelos e evidências
Qualidade de Vida do Trabalhador
O século XX foi marcado pela rapidez e intensidade nas mudanças sociais e 
tecnológicas, particularmente na segunda metade deste período. Nem o mais 
otimista e inventivo dos homens no início do século passado anteciparia o que 
viria a ser o modus vivendi no mundo desenvolvido cem anos depois. 
Mais do que por outros acontecimentos relevantes, o século passado será 
lembrado pelas revoluções demográficas, sem precedentes, que mudaram o 
cenário mundial. Aspectos quantitativos, como o crescimento populacional e o 
aumento na expectativa de vida média, resultaram num mundo superpovoado 
e com um contingente de pessoas idosas que não para de crescer. Talvez ainda 
mais significativa tenha sido a extensão da expectativa da vida profissional, 
a ponto de ultrapassar, muitas vezes, a própria existência das empresas – en-
quanto o trabalhador precisa de 35 anos para se aposentar, poucas empresas 
ultrapassam a marca de 30 anos de existência – num mundo extremamente 
competitivo, globalizado e em constante transformação tecnológica.


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Drucker (2001), em seus ensaios sobre o homem, destacou também as 
mudanças de ordem qualitativa no último século, como a transformação 
da força de trabalho – do trabalho essencialmente manual e não qualifi-
cado para atividades basicamente intelectuais –, começando pelos países 
desenvolvidos e estendendo-se progressivamente aos emergentes. É cada 
vez maior a proporção dos chamados trabalhadores do conhecimento (em 
inglês – knowledge worker, termo criado por Peter Drucker referindo-se ao 
trabalhador moderno).
Nas últimas décadas, observou-se também uma série de modificações no 
processo e organização do trabalho em decorrência do avanço tecnológico, 
da automação, da microeletrônica e da robótica. Surgiram novos postos de 
trabalho, desaparecendo outros; novas formas de gestão foram propostas vi-
sando à produtividade e qualidade de produtos para um mercado cada vez 
mais globalizado. A intensificação do ritmo de produção e a cobrança crescente 
por qualidade, ao lado da ampliação das jornadas de trabalho, têm levado a 
exigências que parecem contrariar as previsões de Domenico de Masi: de que 
o século XXI traria em seu bojo a redução do tempo semanal dedicado ao 
trabalho e a consequente ampliação do tempo livre. 
Na busca da produtividade e qualidade do produto, para um mercado ex-
tremamente competitivo, os atributos exigidos do trabalhador moderno passam 
a ser formidáveis: saúde “perfeita”, competência, qualificação, polivalência, 
criatividade e disciplina, tornando a dedicação permanente ao trabalho um 
empecilho ao lazer e ao convívio com os filhos, familiares e amigos (Barreto, 
2001). Em muitos países e em muitas instituições, felizmente, já há a preocu-
pação com a humanização das condições de trabalho, o que inclui a devida 
atenção ao lazer e à promoção da qualidade de vida da pessoa que trabalha 
e de seus familiares. Quando isso acontece, a produtividade e a qualidade 
do trabalho, na pior das hipóteses, não têm sido prejudicadas. Num cenário 
mais otimista, acredita-se que trabalhadores mais felizes e saudáveis podem 
produzir mais e melhor.
Recentemente, a par das questões de qualidade e produtividade, a ên-
fase dada ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade social das 
empresas, tem levado a uma crescente preocupação com a qualidade de vida 
dos trabalhadores, de seus familiares e da própria comunidade afetada pelos 
processos de produção. Observou-se, neste processo, que nenhuma área do 
conhecimento – e, por conseguinte, nenhuma área estratégica das empresas 


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– daria cabo, isoladamente, das tarefas de promoção do bem-estar e qualidade 
de vida dessas pessoas.
A articulação ou integração de áreas e setores dentro das empresas é uma 
necessidade, quando o tema é a promoção da saúde e da qualidade de vida 
dos trabalhadores. Em particular, educação, saúde e lazer, têm contribuições 
específicas a dar quando se busca educar o trabalhador, incentivá-lo a mudar 
comportamentos e oferecer oportunidades para que esses comportamentos 
saudáveis sejam mantidos. Este capítulo tem por objetivo reunir as bases 
teóricas e oferecer subsídios para essa articulação em prol do bem-estar do 
trabalhador e da sustentabilidade da empresa.
Os temas saúdebem-estar e qualidade de vida no contexto do trabalho 
vêm ganhando cada vez mais espaço, tanto academicamente quanto nas áreas 
estratégicas das empresas. Sem deixar de priorizar a produtividade, isso acon-
tece por seu valor no contexto social geral, como também porque as pessoas, 
concomitantemente, começam a trabalhar cada vez mais cedo e se mantêm por 
mais tempo ativas no mercado de trabalho. Ao contrário do que antecipavam 
alguns teóricos do trabalho e do lazer, o mundo contemporâneo do trabalho 
parece tomar uma configuração percebida pelas pessoas como mentalmente 
e espiritualmente pouco saudáveis. Isso tem instigado estudos de diferentes 
áreas como saúde, ecologia, ergonomia, psicologia, sociologia, economia, ad-
ministração e engenharia (Assunção, 2003; Vasconcelos, 2001).
Boa parte da literatura recente nesta área tem enfatizado a necessidade 
de se adequar o ambiente de trabalho ao trabalhador, de forma a promover o 
bem-estar e a qualidade de vida de seus integrantes (Centers for Disease Con-
trol and Prevention, 2012; OMS, 2010; Working well: A global survey of health 
promotion and workplace wellness strategies, 2012; WHO/World Economic 
Forum, 2008). De fato, o ambiente e as condições de trabalho têm grande 
influência na saúde geral e na qualidade de vida de todos os indivíduos. 
Expressões como satisfação no trabalho, salário, sucesso na carreira, bens 
adquiridos, relações sociais, disposição, entre outras, têm sido cada vez mais 
associadas ao conceito de qualidade de vida, pois grande parte de nossa vida 
transcorre no ambiente de trabalho (Sucesso, 1998). Nesse contexto, os fatores 
socioambientais (no caso do indivíduo trabalhador, o ambiente e as condições 
em que ele trabalha), somados aos fatores individuais (relacionados ao estilo 
de vida individual), resultam na percepção de bem-estar do indivíduo, um 
claro indicador de sua qualidade de vida. 


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