639 ensino e história: o uso das fontes históricas como ferramentas na produçÃo de conhecimento histórico


O  USO  DAS  FONTES  HISTÓRICAS  EM  SALA  DE  AULA:  O



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O  USO  DAS  FONTES  HISTÓRICAS  EM  SALA  DE  AULA:  O 

DOCUMENTO  HISTÓRICO  E  SUA  UTILIZAÇÃO  COMO  FERRAMENTA 

NA APRENDIZAGEM HISTÓRICA. 

 

Não é recente a idéia de que pressupomos que os alunos entram 



em  contato  com  a  história  especialmente  através  de  meios  de 


 

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comunicação como a televisão, games, imagens, HQ, canções, enfim, uma 

série de objetos que fazem parte do cotidiano das sociedades atuais. Pelo 

mesmo motivo estes elementos que remontam à história, podem permitir 

ao aluno que este recrie a história em sua estrutura cognitiva, ainda que 

em  um  primeiro  momento,  partindo  de  sua  própria  vivência,  de  seus 

valores e tradições.  

 

Os  alunos  quando  adentram  o  universo  escolar,  possuem  idéias 



tácitas  sobre  os  acontecimentos  ou  instituições  históricas  e  essas  idéias 

funcionam como fonte de hipóteses explicativas na senda de compreender 

o  passado,  as  instituições,  as  pessoas,  os  valores,  as  crenças  e  os 

comportamentos (MELLO, 2001, p.45). 

  

 

As  fontes  históricas  assumem  um  papel  fundamental  na  prática 



do ensino de história, uma vez que são capazes de ajudar o aluno a fazer 

diferenciações,  abstrações  que  entre  outros  aspectos  é  uma  dificuldade 

quando tratamos de crianças e jovens em desenvolvimento cognitivo. No 

entanto, diversificar as fontes utilizadas em sala de aula tem sido o maior 

desafio dos professores na atualidade (FONSECA, 2005, p.56). 

 

O  professor  age  como  um  mediador  e  através  do  diálogo,  ou 



seja,  do  entrelaçamento  entre  sua  fala  e  a  fala  do  aluno  de  forma 

dinâmica propicia a atribuição de novos significados sobre a história, sobre 

conceitos  históricos.  Este  pode  utilizar  mediadores  culturais  (fontes 

históricas)  tentando  circular  assim  uma  interação  entre  um  objeto  da 

história  e  as  representações  que  os  alunos  irão  formar  sobre  a  história. 

Assim:  


  

A  presença  de  outros  mediadores  culturais, 

como os objetos da cultura, material, visual ou 

simbólica,  que  ancorados  nos  procedimentos 




 

647 

de  produção  do  conhecimento  histórico 

possibilitarão  a  construção  do  conhecimento 

pelos  alunos,  tornando  possível  “imaginar”, 

reconstruir o não vivido diretamente, por meio 

de  variadas  fontes  documentais.  “(SIMAN, 

2004, p.88)”. 

 

Nesse  sentido,  as  fontes  históricas  forjadas  a  princípio  num 



circuito  de  historiadores  que  as  legitimam  enquanto  tal  através  do 

discurso  histórico  poderá  ir  além,  tratando-se  da  relação  de 

ensino/aprendizagem  da  história.  Elas  podem  durante  as  aulas  torna-se 

uma  ferramenta  cultural  capaz  de  permitir  ao  aluno  fazer  diferenciações 

entre  o  passado  e  o  presente  através  da  contextualização  das  fontes  na 

história.  

 

Ao  fazer  uso  das  fontes  como  ferramenta  de  aprendizagem  não 



se  deve,  no  entanto,  descaracteriza-la  como  documento  histórico.    O 

aluno  deve  perceber  de  que  forma  a  história  é  escrita  e  qual  o  valor 

simbólico destes artefatos para determinadas sociedades. 

  

 



Segundo Carlos Nogueira Fino,  

 

A inclusão de uma nova ferramenta ela própria 



portadora de uma carga cultural anterior, que 

conduziu  a  concepção  e  construção  num 

processo de comportamento, introduz diversas 

funções  novas  relacionada  com  uso  de 

referidas ferramentas e com seu controle (...) 

Assim,  a  utilização  de  artefatos,  deve  ser 

reconhecida 

como 


transformadora 

do 


funcionamento da  mente, e não apenas como 

meio  de  facilitar  processos  mentais  já 

existentes. (FINO, 2001, s/p) 

 

É  necessário  ampliar  o  conceito  de  ferramenta  de  maneira  a 



entendê-la  como  capaz  de  auxiliar  o  estabelecimento  de  uma  ação 


 

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complexa na estrutura cognitiva do aluno e sua compreensão da história. 

É necessário que a ferramenta seja pensada como parte do sujeito em si, 

uma  vez  que  esta  auxiliará  o  aluno  a  formar  conceitos  sobre  a 

representação que o aluno fará dos conceitos históricos. 

 

Para  pensarmos  a  idéia  de  ferramenta  cultural  e  a  inter-relação 



entre  história  e  ensino

325


  nossos  estudos,  apóiam-se  nas  concepções 

trazidas  por  Lev  Semenovich  Vygotsky.  O  autor  contribuiu  para  área  da 

psicologia,  da  pedagogia  e  recentemente  para  história,  atribuições  que 

longe de serem ultrapassadas, nos ajudam a compreender o aluno como 

um agente social e como se estabelece os significados que se expressam 

através da linguagem e antes na estrutura cognitiva do indivíduo em suas 

fases iniciais.  

 

O autor privilegia a aquisição de conhecimento pela interação do 



sujeito com o meio, o sujeito é interativo, adquire conhecimento a partir 

de  relações  intra  e  interpessoais  e  de  troca  com  o  meio,  a  partir  de  um 

processo denominado mediação. (RABELO; PASSOS, 2009, s/p) 

 

A  criança  possui  o  que  ele  denomina  de  uma  zona  de 



desenvolvimento  potencial,  com  o  auxílio  das  ferramentas  e  através  da 

mediação o professor seria capaz a partir das generalizações, estimularem 

a formulação do pensamento por conceitos, uma vez que: “O adulto não 

pode  transmitir  a  criança  o  seu  modo  de  pensar.  Apenas  lhe  fornece  o 

significado já acabado de uma palavra, em torno do qual a criança forma 

um complexo”(VYGOTSKY, 2007, p.44-100) 

 

A  construção  de  significado  pelo  indivíduo  é  estabelecida 



socialmente em uma relação de aprendizagem que supõe trocas, diálogos, 

                                                 

325

  Os autores Coller e Scribner, em prefácio à obra de Vygotsky, Mind in Society, encontram nessa obra uma 



influência do materialismo dialético afirmando que ela explora o conceito de ferramenta de modo que encontra 

antecedentes diretos em Engels. Ver: FINO, Carlos Nogueira, 2001, s/p 

 



 

649 

análises que tomam sua forma concreta na linguagem, sem ela o homem 

não seria social, histórico ou cultural.  

 

Ainda segundo Vygotsky: 



 

O  significado  de  cada  palavra  é  uma  generalização,  um  conceito  e  como 

as generalizações e os conceitos são inegavelmente atos de pensamentos, 

podemos  encarar  o  significado  como  um  fenômeno  do  pensar. 

(VYGOTSKY, 2007, p. 75-100). 

 

Os  conceitos  se  formam  pela  capacidade  de  significação  que  o 



indivíduo  vai  adquirindo  ao  longo  de  seu  desenvolvimento  biológico  e 

cognitivo,  que  não  se  estabelece  de  forma  mecânica,  mas  por  atribuição 

de  sentidos.  As  ferramentas    são  em  sua  essência  transformadoras  da 

mente.  “Os  processos  sociais  e  psicológicos  humanos  formam-se  através 

de  ferramentas,  os  quais  servem  para  proceder  a  mediação  entre  os 

indivíduos e o meio físico que o envolve”. (FINO, 2001, s/p) 

 

Dessa forma, as fontes históricas quando assumem também uma 



função  pedagógica  mediada  pelo  professor,  deve  ser  entendida  como 

capaz de construir significados específicos que vão auxiliar o aluno a fazer 

abstrações,  diferenciações  o  que  levará  este  a  constituir  determinados 

conceitos sobre a história. 

 

É  importante  no  processo  de  significação  que  o  aluno  fará  das 



fontes históricas que este perceba através de outros textos, da ampliação 

do sentido destas  fontes, que se  trata de artefatos culturais, repletos  de 

historicidade.  O  professor  deve  considerar  que  os  alunos  possuem  pré-

conceitos  (no  sentido  de  não  terem  conceitos  formados)  sobre  a  história 

quando se defrontam com o aprendizado em história.  

 



 

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Neste  sentido,  as  fontes  não  devem  ser  usadas  somente  como 

ilustração, pois possuem uma função específica para o ensino de história. 

Deve-se  enquanto  professor,  considerar  as  operações  cognitivas  que  o 

aluno  sofre  ao  usar  sua  imaginação  para  tentar  criar  um  raciocínio 

histórico,  não  basta  apenas  que  o  aluno  evidencie  os  temas  históricos, 

mas  consiga  estabelecer  a  relação  presente  e  passado:  “propiciar  a  eles 

além  do  que  a  experiência  vivida  pode  revelar,  identificando,  nos 

testemunhos  do  passado,  elementos  de  continuidade  e  de  ruptura”

(SIMAN, 2004, p.89) 





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