500 dias sem você



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500-dias-sem-voce-1
“No passado não se ama. Ou se ama agora ou
nunca foi suficiente.”
79º dia
Você está bem, não está? Sei que está. Vejo suas fotos. Mesmo com a
imagem desfocada, seus olhos brilham. Eu me pergunto se alguma vez você
já me olhou desse jeito. Você fazia alguma ideia de quem eu seria pra ti
quando me conheceu? Você sequer planejou em segredo um futuro para nós
dois? Sei que é tarde, mas queria saber. Queria saber se era nítido o seu
“gostar de mim”. Queria saber se realmente se apaixonou por mim ou se era
como eu te via. Ou como eu te queria.
Já reescrevi nossa história com tantos finais diferentes, sabia? O que eu mais
gosto é aquele em que você ainda está comigo. Sou eu que não tiro o sorriso
do rosto e você que não para de me olhar como se eu fosse a pessoa mais
linda do mundo. Não me entenda mal, eu não te quero de volta. Aliás, eu
também sei que você não volta mais. Sério. Mas quem você é pra mim
ninguém nunca vai ser. Como eu posso não gostar de você desse jeito? Eu só
tive a parte boa! Às vezes, desejo que você tivesse aprontado uma sacanagem
imperdoável, que eu tivesse sofrido por decepção. Ou que tivéssemos tido
uma briga enorme recheada de inverdades e vãs tentativas de machucar um
ao outro enquanto nos despedaçávamos por dentro.
Mas não foi assim, e eu sinto falta de você. Como se depois de você faltasse
uma parte de mim. Há sempre um espaço reservado em meu peito
ironicamente ocupado pelo vazio que você deixou. E aquela certeza de que,
por mais que diminua com o tempo, não vai fechar. É apenas falta, não tem
nada nas entrelinhas.
Sinto falta da minha vontade desgovernada de tentar adivinhar o que você
estava pensando. Eu te enchia o saco e você pacientemente ria. Quando foi


que percebeu que não pensava mais em mim o dia inteiro? Levantou um
pouco mais tarde do que devia, tomou um café pelando e se deu conta de que
não precisava de mim ao seu lado?
Tenho essa cena em minha cabeça da última vez que engoli o choro por você.
Se eu soubesse que esse orgulho me faria até hoje imaginar tuas respostas, eu
teria te bombardeado. Acho que, no fundo, eu não acreditei que fosse minha
última chance definitiva. Como eu poderia, afinal? A gente sempre se supera
e volta. Ou voltava. Agora você está seguindo em frente. E eu aqui me
perguntando se na próxima vez eu vou fazer diferente.
Até já aceitei, sabe? Talvez tenha sido melhor assim. Eu tive meu espaço,
pude me reconstruir. Eu tive outras pessoas e, ao mesmo tempo, ninguém.
Ninguém pode ser você, essa é a parte ruim, mas estou me virando. Juro.
Prefiro que continue assim: eu no meu canto, você em seu lugar e meu
pensamento te trazendo pra mim de vez em quando. Desse jeito, ninguém
pode te tirar daqui de dentro. Não importa com quem eu esteja, nada vai
poder estragar você. Essa é só minha forma de te eternizar comigo. Não
quero que se torne passado, você é minha saudade. Só minha.
Eu poderia te escrever bonito, até te emocionar, sei lá. Mas no passado não se
ama. Ou se ama agora ou nunca foi suficiente. Sou coadjuvante no meu
próprio roteiro. E você está bem, não está? Sem mim, eu sei e não admito.
Não esqueço a foto, nem te esqueço fácil. Mas vou guardar esta carta pra ver
se aprendo algo.


“Ninguém fracassa por tentar, mas por insistir
no erro. Fracasso é quando a gente mantém
um relacionamento ruim por medo de não ter
um melhor e aceita menos do que é digno
porque duvida de si mesmo.”
86º dia
Já apostei comigo tantas vezes não ir atrás de você, não procurar saber da sua
vida, evitar os lugares em que você possa estar. É patética a necessidade que
eu sinto de você. Fico aqui juntando os cacos da nossa história à procura de
qualquer pista que me faça acreditar em destino. Confesso que trapaceio uma
vez ou outra, escondo a parte que mostra que não demos certo, que
discordamos e, às vezes, até mesmo toda a razão da nossa separação.
Podia ter sido diferente, sei bem disso. Depois que passa, fica tão fácil
pontuar nossos erros, as vezes em que eu poderia ter nos poupado de mais um
espetáculo de insinuações que circulavam minha insegurança. As vezes em
que você poderia ter falado honestamente sobre os motivos de seu ciúme. As
vezes em que nós dois nos viramos para lados opostos e fingimos dormir para
não encararmos nossa covardia em continuar cara a cara. Acontece que, com
o passar do tempo, eu percebi que, pra poder ter a minha saída triunfal e
dizer-lhe tudo o que ainda tinha entalado na garganta, você precisava vir
atrás.
Sendo assim, eu pacientemente esperei qualquer notícia sua durante dias,
talvez meses. Confesso que cheguei a te cercar nas redes sociais no aguardo
de que a qualquer momento você fosse se render à saudade. Mas a pior parte
era me perguntar o que diabos você estava fazendo – ou pensando – que não
tinha a decência de se comunicar comigo. Ensaiei nosso diálogo por noites


em claro. Eu já sabia na ponta da língua como me desvencilhar de qualquer
uma de suas investidas. Tinha decorado mais de trinta formas de dizer que
simplesmente não te queria mais. E já havia desdenhado das maiores
promessas que fingi ouvir aos quatro ventos. Esperei por uma ligação, esperei
por uma surpresa, esperei por um pedido de desculpas. Eu estava
prontamente à sua espera.
Então, passei a me perguntar o que você fazia, com quem estava e se pensava
em mim em algum momento. Senti falta de quando você era meu primeiro
bom dia e meu último boa noite. Senti falta de saber sua rotina, seu almoço,
seus planos. Senti falta de combinar o final de semana, um jantar fora, um
aniversário da família. Senti sua falta. Eu cavei minha própria cova.
No fundo, no fundo, eu só queria que as coisas voltassem a ser como eram.
Eu só queria ficar com você. Eu só queria apertar um botão e esquecer todas
as mágoas que sofri, toda a decepção que senti e todas as palavras que jurei
sobre as atitudes que nunca tomei. Eu só queria que tivesse sido um sonho
ruim e que você ainda acordasse ao meu lado.
Mas não foi assim. E você não veio atrás. Engoli em seco tudo o que tinha
ensaiado pra te dizer. Às vezes, a gente tem que esquecer como nos
sentimentos por alguém para nos lembrarmos de quem merecemos ter.
Ninguém fracassa por tentar, mas por insistir no erro. Fracasso é quando a
gente mantém um relacionamento ruim por medo de não ter um melhor e
aceita menos do que é digno porque duvida de si mesmo. O que mais nos
impede de desapegar é essa mania de cultivar esperança em cada detalhe.
No fim das contas, ninguém entra em nossa vida por acaso. Algumas pessoas
vão nos machucar, algumas vão nos amar e outras vão nos deixar. Mas todas
vão nos ensinar. E a gente vai se tornar melhor pra gente, e não só para a
próxima.



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