500 dias sem você



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500-dias-sem-voce-1
“Não adianta chorar pelo coração partido;
quem o feriu não vai saber curá-lo. O único
amor capaz de nos salvar é, e sempre será, o
próprio.”
488º dia
Eu passei meses esperando que você me dissesse alguma coisa, esperando
que você fizesse alguma coisa, que você sentisse alguma coisa. Torci à noite
em silêncio pra que gostasse de mim, me perguntei se já tinha outra pessoa
em sua vida com quem você insistisse em ficar, assim como fez comigo.
Pra mim, nunca foi igual. Já te disse isso. Eu soube, desde o primeiro
momento, que você era um "problema", mas eu havia me convencido de que
nunca me apaixonaria por ti, portanto, não tive medo. Não pensei duas vezes.
Não era pra ser você, disso eu tenho certeza.
Mas não sei em que momento percebi – já que custei a admitir – que a gente
não controla o que sente. É como se existisse alguém dentro de mim que
queria te sacudir pelos ombros, queria te dizer "Para de ignorar essa vozinha
que diz pra ficar comigo. Para de pensar! Para de me afastar!". Diante do meu
próprio desespero, eu me calava.
Eu já quis voar no seu pescoço e pedir "pelo amor de Deus, me dê uma
chance!". Mas resisti porque é isso que a gente aprende a fazer. Porque é isso
que eu ensino a fazer, inclusive. Porque eu sempre tive muito medo de estar
só nessa, de parecer fora da realidade e de dar voz à paixão. Porque eu tenho
orgulho. E, principalmente, porque eu me via com você e você me queria a
distância.
Eu queria que fosse simples, te juro. Mas eu ainda estou aprendendo a lidar


com isso, por isso eu falho. E se você quisesse ficar comigo, eu te
decepcionaria várias vezes, sei disso. Porque não tem receita de bolo. Eu só
finjo que sei o que estou fazendo. Eu sou uma bagunça, está na cara. Não
seria fácil. Mas eu quis tentar por você. E eu não me arrependo. De nada. Eu
podia ter sido melhor pra você, sei disso. Eu não sabia que era capaz de me
sentir assim, não sabia que podia ver tanta esperança em alguém. E agora eu
sei.
Culpo a minha intuição, pois pressenti todas as vezes em que estivemos por
um triz. Eu sei, parece bobagem, mas, numa batalha entre razão e emoção,
quase sempre o sentimental vence. Mas isso não quer dizer que eu ganho,
muito pelo contrário. Quer dizer que eu insisto, que eu vou atrás, que eu
prometo o que não posso cumprir.
Confesso que já juntei meus cacos e entreguei paa a mesma pessoa que os
quebrou: você. Porque acreditava na mudança, no amadurecimento e,
sobretudo, no amor. No entanto, percebi que, à medida que permitia que você
fosse responsável por uma parte tão importante de mim (se não for a mais),
perdia o controle do seu impacto em todos os aspectos da minha vida.
Bastava uma discussãozinha besta e eu passava o resto do dia de cara
fechada. Não tirava da cabeça nenhuma dúvida gerada pelas entrelinhas que
só eu via. E logo eu, que reverenciava a entrega e levantava a bandeira dos
apaixonados, aprendi que não posso permitir que o comportamento de
ninguém tire a minha paz.
A partir do momento em que isso acontece é como se eu passasse a viver em
função da sua vida, das suas vontades, dos seus sentimentos. Ninguém pode
ser responsável por determinar o que é melhor pra mim, com quantas
lágrimas faço um sorriso, com quantos passos dou a volta por cima. É uma
questão bem simples: não adianta chorar pelo coração partido; quem o feriu
não vai saber curá-lo. O único amor capaz de nos salvar é, e sempre será, o
próprio.


“Todas as vezes que você me machucou foram
por não me permitir te amar. E eu, inocente,
achei que fossem por não querer me amar.
Ninguém pode me dar aquilo de que eu
preciso. A minha verdadeira história de amor
sempre foi comigo.”
494º dia
Veja se você consegue me entender: não me falta nada. Eu juro. Desde que
eu saí da sua vida, pude caminhar em direção a minha. É até irônico que eu
só tenha conseguido alcançar tudo o que sempre quis depois de te perder.
Acho que era porque enquanto eu queria você, eu não queria mais nada tanto
assim. Acabei me acomodando, ou simplesmente me desfocando.
Você não faz ideia de quanta energia já desperdicei tentando juntar as pistas
de onde você estava, e principalmente, com quem. Você não faz ideia de
quantas noites fui dormir rezando pra não acordar com sua ausência batendo
na minha porta e estragando meu dia. Você não faz ideia do que foi percorrer
esse caminho só, mas olhando para trás pra ver se você corria e me alcançava.
E me decepcionar toda vez que percebia a distância aumentando entre nós.
Você não faz ideia do quanto esperei por ti, na mesmice, fazendo tudo do
mesmo jeito pra ver se você, me vendo assim, se lembrava que já me amou.
Agora eu te entendo. Eu sei, é difícil de acreditar, não é? Eu, que tornava seu
ponto final reticências, estou, finalmente, do seu lado. Pena que você já não
está mais aqui. Mas é aquela coisa: se estivesse, talvez eu nunca tivesse
vindo. Logo eu, que tanto tentei quebrar seu muro, construí aos poucos um
em volta de mim. Não me entenda mal, eu estou bem. Acontece que levei


tanto tempo pra me sentir assim, eu quis tanto, eu tentei tanto – e eu desisti
tantas vezes também – que percebi o quanto faz sentido você não querer se
envolver em determinados momentos. Você se encontrar e ter medo de se
perder por alguém. Você estar só e não sentir solidão. Você não ter ninguém
te esperando em casa, nenhum número na discagem rápida, ninguém em
quem pensar antes de dormir, ninguém de quem lembrar ao acordar e
considerar isso liberdade.
E hoje a história mudou. É sério. Basta olhar pra mim que você vai perceber,
eu também mudei bastante. Eu me sinto incrível, tenho um orgulho imenso
de mim. Acho que estou cada vez melhor e tenho ao meu redor pessoas que
fazem questão da minha presença. E eu nem preciso me esforçar pra isso.
Agora eu entendo. Como eu poderia viver com alguém o que não conseguia
viver comigo? Você tinha razão esse tempo todo. Você nunca foi capaz de
me fazer feliz. Só eu tenho esse poder. Porque, mesmo com as incontáveis
vantagens de amar alguém, nada se compara ao amor que cultivamos por nós
mesmos. E você sabia disso. Sabia tanto que tentou evitar, tentou me evitar.
Sabia tanto que tentou fugir e tentou se enganar. Porque eu te traria o caos, a
bagunça de morar em outro peito, o aconchego de estar com alguém que te
admira. Tudo do que você nunca admitiu gostar tanto. E agora eu te entendo.
Tudo aconteceu naturalmente depois que eu parti da sua vida, depois que eu
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