500 dias sem você



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“Eu emano a paz na consciência de quem
segue dando o seu melhor. Mesmo com o
coração marcado por pequenas farpas, eu
tenho o sorriso mais tranquilo do mundo.”
438º dia
Não duvide quando digo que já lhe esqueci. É isso o que eu faço: aguento
passar pela sua rua mesmo com as lembranças de todas as vezes em que
fizemos do porteiro plateia para nosso espetáculo de carinho e conflito. Ora
gritos com o dedo empunhado na cara, ora beijos com o coração exposto na
mão. Eu suporto a imensidão de uma cama de casal sem lados dispostos
deitando-me na diagonal. Eu tiro o telefone do gancho só pra não precisar
atendê-lo e descobrir que, mais uma vez, não era você. Eu acredito que mais
vale compor um rio de lágrimas do que desembocar insegurança em cada
onda de afeto.
Você não sabe quantas vezes eu escondi que me importava demais. O quanto
a solidão era devastadora, a ponto de se passar por saudade. Ou o quanto me
pareceu óbvio que todas as minhas escolhas me faziam cruzar o seu caminho.
Para mim, quando te conheci, estava na cara que era você. Era você a razão
de minhas noites em claro com a incerteza do futuro. Era você a angústia no
peito que me invadia sempre que dizia “não” a outra pessoa. Era por você que
eu guardava as coisas mais lindas que tinha, era por você que não
desperdiçava meu amor com mais ninguém. Foi por você que eu aprendi a
esperar e a enxergar a beleza na solidão.
Agora você entende o que a sua falta me fez? Eu não vivi nada parecido com
isso, não tive sequer tempo. Por ninguém valia tanto a pena tentar de novo,
nem mesmo por você. Mas eu me martirizava pelo que nunca tivemos, pelo
que passei a vida buscando e, às vezes, o cansaço era maior que a crença de


que esse amor existia. Como eu poderia saber o que encontrar depois de ter te
perdido? Mesmo assim, eu sorrio a cada despedida de sua lembrança. Apesar
de tudo, eu sei que a gente só sente saudade do que foi bom. E, abusando da
sorte, eu tento te abandonar. Eu me despeço das roupas embevecidas com o
seu perfume, entorno o choro como cachaça a fim de virar meu mundo. Eu
me desfaço em excesso e me refaço ao avesso para não deixar qualquer pista
de que ainda te espero na portaria.
Não posso negar, é pura teimosa. Tanto te quis e tanto fiz por te querer que
gastei todas as fichas de credibilidade e carisma das quais tanto me
orgulhava. Eu apostei tão alto em você que paguei até por mim. Não vou
mais ser a mesma pessoa, disso eu sei. Mas não me importa nem um pouco.
Eu estou muito mais forte do que da última vez em que nos vimos. Eu emano
a paz na consciência de quem segue dando o seu melhor. Mesmo com o
coração marcado por pequenas farpas, eu tenho o sorriso mais tranquilo do
mundo. Provavelmente, vou tornar nossa pior briga em uma piada interna e
debochar da sua sanidade quando questionar minha saudade. Eu rio
perdidamente no marasmo entre o medo e o apelo. Posso te querer de volta o
quanto for, mas nunca mais do que a mim. Eu preciso me encontrar de novo
em meio aos trejeitos que trago de ti.
Não duvide que eu já te esqueci. Nada vai me convencer de que é pra ser
você. Talvez nunca tenha sido você. Da próxima vez que me vir, por favor,
não insista. Você teve sua chance. Aliás, várias vezes. E desperdiçou cada
uma delas. Você conseguiu, você me venceu. Eu não acredito mais que
preciso de alguém, sobretudo não acredito que preciso de você. Talvez nunca
tenha precisado. Mas, lá no fundo, onde a minha alma palpita a cada
encontro, eu ainda tenho esperança de que, um dia, eu dê de cara com quem
me faça mudar de ideia. No fundo, eu torço para encontrar alguém por quem
valha a pena mudar de ideia.


“A paz que eu buscava estava no adeus que eu
não permitia que acontecesse. Eis o que
aprendi sobre a desistência: não nos mata,
mas, sem dúvidas, nos fortalece.”
446º dia
Foi tão estranho perceber que já não gosto mais de você que quase quis me
desculpar por isso. Sério. Bobagem minha sentir culpa por fazer o que foi
melhor pra mim! Mas eu estou tão bem, sinto tanta gratidão por tudo o que
vem acontecendo em minha vida, que até fico sem jeito de demonstrar isso na
sua frente. Passei tanto tempo idealizando que você era a pessoa capaz de me
fazer sentir assim, e agora fico me perguntando se, na verdade, não andei
boicotando minha própria felicidade ao seu lado.
Foi tão estranho perceber que o sossego que eu buscava com a sua presença
foi a sua ausência que me trouxe. Eu estava no caminho errado,
definitivamente. Talvez por isso tenhamos andado tanto em círculos,
repetindo velhos erros, nos castigando. Não estou desmerecendo nada do que
senti por você, muito pelo contrário, só mesmo algo muito forte e verdadeiro
pode nos fazer acreditar que vale a pena tanta insistência. Mas, afinal, eu me
enganei: não é o sentimento que mantém duas pessoas juntas, e sim uma baita
persistência. De ambas as partes, é claro. E uma parte de mim sempre vai
sentir sua falta, até porque eu não queria que tivesse terminado dessa forma.
Aliás, eu não queria que tivéssemos terminado como se nunca tivéssemos
existido. Mas se todo início é difícil, todo final é nostálgico.
É triste se despedir de alguém que significou tanto. Porque foi real e foi
único, e foi nosso. Foi tão estranho perceber que isso também não nos
pertence mais. Mas, quando eu vejo você, só consigo pensar “que bom que
aconteceu!”. Tudo. Eu, você e o fim. Principalmente o fim. A paz que eu


buscava estava no adeus que eu não permitia que acontecesse. Eis o que
aprendi sobre a desistência: não nos mata, mas, sem dúvidas, nos fortalece.


“O amor que eu conheci contigo está cansado,
mas não perdeu as esperanças de renascer.
Em outro peito. Em outra vida. Dessa vez,
minha, e não mais nossa.”
452º dia
Tanto quis te esquecer que esqueci do que acontece depois do fim. Percebi
que tudo o que eu senti por ti havia passado. Aquela confusão de saudade,
ciúme e medo deu lugar a um completo silêncio. Tentei encontrar alguma
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