500 dias sem você



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“Então acabou. Não o amor, mas a gente. O
sentimento vale a pena, mas a gente não. Eu
sei ir embora, sei recomeçar, sei te esquecer,
te juro. Mas não sei parar de amar você.”
415º dia
Eu sei ir embora. Eu sei entrar na sua vida, me apossar da sua rotina,
conquistar seus pais, sei te amar, mas sei ir embora. Sei te querer bem de todo
o coração e não querer ficar. Eu sei partir o peito até te caber dentro, partir a
cara de tanto me expor a tapa, e sei não voltar. Sei dizer adeus sem falar uma
palavra. Sei terminar o que você não soube começar.
Eu sei que não dá mais. Quem gosta também desiste. E quem ama, mais do
que ninguém, sabe dizer que acabou. Então acabou. Não o amor, mas a gente.
O sentimento vale a pena, mas a gente não. Eu sei ir embora, sei recomeçar,
sei te esquecer, te juro. Mas não sei parar de amar você. Portanto, só deixo de
estar aqui.
Você pode vir quando quiser; eu vou te ouvir, vou te fazer sorrir, vou me
emprestar a ti… A gente se entende, você sabe. Eu sei o que a saudade é
capaz de fazer contigo, mas não fique. Por favor, não fique.
Vamos fingir que não houve mal nenhum quando chegou ao fim o que nos
fazia bem. Não seja tão exigente consigo, não temos culpa. Ou será que tudo
o que temos quando não há mais relação é culpa? Já não sei dizer.
Nem excesso de querer faz milagre. Foi lindo e intenso. Mas foi, e não é. Já
foi. Fui embora, mas ainda te tenho amor. Por favor, saiba receber.


“Me amar me fez outra pessoa. Aprendi a me
aceitar de novo, a aceitar quem eu me tornei
depois de você, sabe? Meus pés estão
cravados no chão, mas meu coração, pela
primeira vez em muito tempo, suspira em
paz.”
423º dia
Confesso que não esperava que viesse à minha procura. Achei, sinceramente,
que você fosse dessas pessoas que enterram a história e fingem que não
aconteceu. Achei que na hora que se interessasse por alguém iria me esquecer
completamente. Então me surpreendi quando disse que sentia minha falta e
que faria de tudo pra me reconquistar, quando pediu perdão por coisas que
sequer tinha feito. Pois é, como eu lhe disse, minha vida melhorou muito. Eu
melhorei muito. Arrisco dizer que essa é a minha melhor fase e, finalmente,
consigo aproveitá-la sem me sentir perdendo na corrida contra o tempo.
Depois da tempestade que fazíamos juntos, descobri que a calma sempre
vem. E, nesse caso, tem andado arrastado, com sorriso espaçoso e a incrível
mania de me fazer bem.
Eu estou irreconhecível, juro. Tudo bem que estou me cuidando mais e até
cortei o cabelo, mas não é por isso, é porque eu aprendi a recomeçar.
Demorei um tempo pra pegar o jeito, admito. Mas logo me flagrei rindo só ao
acordar. O amor próprio fez isso comigo. Aliás, o que o amor já fez por mim
é mais do que eu poderia pedir. Me amar me fez outra pessoa.
Aprendi a me aceitar de novo, a aceitar quem eu me tornei depois de você,
sabe? Meus pés estão cravados no chão, mas meu coração, pela primeira vez


em muito tempo, suspira em paz. Ando dormindo tão bem que você nem
imagina! Parece que tudo ao meu redor ganhou cores que antes eu não podia
ver. Eu sinto amor por onde passo, como se eu tivesse algum magnetismo
natural que me faz agradecer cada pessoa que cruza meu caminho. Tenho me
focado na minha carreira, investido 100% do meu tempo em mim, e o
resultado disso está estampado na minha cara. Quem me vê hoje nem imagina
o que eu passei pra chegar até aqui.
Eu me sinto forte, tenho a sensação de estar inquebrável, embora você, mais
do ninguém, saiba de quantos cacos se faz meu coração. Estou feliz, te juro.
É absurdo isso porque a felicidade é tão volátil que, olhando atentamente, a
única coisa que realmente mudou foi a forma como eu me sinto sobre o
mundo, sobre mim e sobre você. E logo eu, que nunca quis me envolver,
sinto gratidão por você ter me dado a oportunidade de me reinventar. Eu
finalmente quebrei minha redoma de decepções.
Não aconteceu assim, de uma hora pra outra, mas veio na hora certa em que
pude aceitar que mereço o amor de novo, e não que nasci pra ser só. O amor
próprio me fez acreditar novamente em mim. Então, sinto muito se já não
consigo acreditar em ti.


“Não é orgulho, meu bem. Nunca foi. Onde
o orgulho habita, o amor não pisa, sei bem
disso. E, sem dúvidas, eu te amei. Mas não
recomendo.”
@BENDITACUCA


431º dia
Você não tem o direito de voltar agora que eu segui em frente. Você não tem
o direito de se indispor sempre que lhe questiono o que ainda tenho entalado.
Você pensa que pode vir, depois de tudo, e agir como se fôssemos dois
estranhos que acabaram de se conhecer? O que você espera que eu faça com
tudo o que sei sobre ti? Aliás, com tudo o que sei sobre a gente. Você não
tem o direito de subestimar minha memória e enaltecer as partes boas para
acobertar as ruins. Tampouco de achar que o tempo foi o pivô do
esquecimento, quando só eu sei em quantos porres e em quantos ombros
chorei por ti.
Você não tem o direito de bagunçar minha vida com suas promessas,
entoando poesia ao pé do meu ouvido. Nem tem o direito de desviar meu
caminho para dar de cara com teu retorno. Você não tem o direito de deixar
teu cheiro impregnado no meu lençol quando sai sorrateiramente antes que eu
possa acordar, muito menos tem o direito de permanecer e me trazer café na
cama como se isso compensasse as noites que me deixou em claro. Você não
tem o direito de me citar teus fracassos com outras pessoas para exaltar que
não encontrou ninguém igual a mim. Você devia ter percebido isso antes, e
não reaparecido para pedir outra chance depois de tanto ter feito por outras
bocas.
Você não tem o direito de sentar de pernas cruzadas e me olhar como na
primeira vez que nos vimos, nem o direito de trazer no sorriso a paz que eu
tanto procurei em outro rosto. Você não tem o direito de invadir minha vida
agindo como se não tivesse saída a não estar comigo outra vez. Nem o direito
de se envolver com a primeira pessoa que esbarrar na esquina e abusar da
liberdade como se a saudade não lhe valesse de nada. Também não tem o
direito de me tratar como se eu fosse a única pessoa na sua vida, quando
ainda lembro o quanto disputei por esse título e, por isso, hoje sequer o quero
mais. Eu segui em frente, juro. E, mesmo assim, não sei o que fazer com essa
angústia no peito de torcer pra que, dessa vez, você faça direito.
Apesar de tudo, mesmo você que você negue, você quer estar comigo, e é


isso que te incomoda. O fato de eu ter chegado sem pedir licença e ter
acampado na sua vida, espalhando minhas tralhas, trazendo bagagens
pesadas, impregnando teu lençol com meu cheiro e tuas noites com meus
planos. E eu me recusei a sair por muito tempo. No fundo, a gente tem tanto
medo de se envolver, de se apegar, do sofrimento em si, que passamos a
impedir que qualquer coisa boa comece, para evitarmos seu fim.
Eu não vou permitir que você faça isso de novo e chegue de mansinho
trazendo no bolso o sossego que eu perdi da última vez que te vi sair pela
porta. Você não sabe por quantas noites desejei que isso acontecesse, nem
sabe que todas as vezes que meu celular vibrava, eu só queria que fosse você.
Você não imagina de quantas saídas eu tive que me desvencilhar, nem como
meu coração disparava toda vez que uma foto sua surgia na timeline do meu
Instagram. Você não tem ideia do ciúme que eu senti de todo sorriso seu que
não fosse por minha causa. Como você acha que eu vou conseguir engolir
isso? Não é orgulho, meu bem. Nunca foi. Onde o orgulho habita, o amor não
pisa, sei bem disso. E, sem dúvidas, eu te amei. Mas não recomendo.
É um completo absurdo que você me peça mais uma chance quando sabe
exatamente o que é capaz de fazer comigo. Quem você pensa que é para
voltar na hora que quiser? Você deve sincronizar seu relógio ao meu e, logo
te adianto, está em desvantagem. O tempo passou e você fez questão de não
ver. Hoje, você não me é suficiente. Todas as faltas que eu buscava suprir em
ti, hoje, transbordam. Eu não precisava de você tanto quanto merecia ter a
mim. Se tem uma coisa boa que posso dizer a seu respeito, com certeza, foi o
quanto amadureci contigo. Ninguém é de todo ruim, contanto que nos faça
melhor.
Não é possível que seja amor o que te fez voltar. O nome disso é carência ou,
sei lá, imaturidade. Mas amor, não. Você não quer meu bem, você me quer ao
seu lado sem nem mesmo se preocupar com o quanto me faz mal. Isso é
posse, sequer pode ser ciúmes. Você podia ter me reivindicado e nunca fez. É
claro que você mexe comigo, e arrisco dizer que é capaz que assim seja
sempre, mas eu sei que, cedo ou tarde, as cicatrizes que você me deixou vão
parar de latejar. Vai ser assim porque tem que ser assim. Você me deixou
livre e agora que experimentei o doce gosto que tem ser independente, não
volto a ser sua sombra jamais. Você não tem nenhum direito de roubar minha


liberdade, tampouco de fazer tanto mau uso do meu coração. Ponha-se em
seu lugar.



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