500 dias sem você



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“Então passa. Às vezes, sem que sequer
saibamos o porquê, mas passa. E talvez eu
passe por isso ainda milhares de vezes. Mas só
o amor verdadeiro, amor mesmo, não se
conjuga no passado. Não passa, fica.”
341º dia
Foi sem querer que vi você de mãos dadas com alguém no cinema. Sabe o
que eu senti? Nada. Engraçado, não é? Há um tempo isso teria me tirado do
sério. Juro. Mas você não sabia disso, é claro. Assim como você nunca soube
por quantas noites delirei ao acreditar que sua demora em me responder fosse
a constante atenção que dava a essa pessoa. Hoje eu reconheço o quanto isso
soa absurdo, mas na época dava um print na nossa conversa e mandava a
quem quer que fosse preciso até ouvir que você gostava de mim como eu
gostava de você. E agora tenho vontade de gargalhar quando te vejo, mal
consigo acreditar que já tremi dos pés à cabeça só de ouvir seu nome.
A impressão que eu tenho é de que, um belo dia, eu acordei e não pensei em
ti e isso se repetiu por vários dias até que, de repente, me dei conta disso e
percebi que havia te superado. Mas a verdade é que, naquela época, eu
achava que por ironia o tempo se arrastava, que se eu chorasse muito de uma
vez só não sobraria nem uma lágrima para o dia seguinte, que talvez com a
distância você sentisse a minha falta.
Ledo engano. Vi dia após dia cada uma das minhas esperanças tornarem-se
tolas frustrações. Sem dúvidas, foi preciso tempo, embora eu não saiba dizer
quanto. Não tem segredo, sabe? Quero dizer, a gente tem que se esforçar, é
claro.


No início, eu não me ponderava, decorava sua rotina e a dos seus amigos,
tentava adivinhar seus passos e casos, criava histórias pra satisfazer minha
curiosidade, me mordia de ciúmes. E, no fim das contas, continuava sem
você. Até que isso foi se tornando cada vez mais patético, minha razão estava
vencendo pouco a pouco a minha vontade de um recomeço. Quanto mais eu
via ou ouvia, pior ficava. Insistir no sofrimento desnecessário é autopiedade,
evita a saída. Temos o direito de ficar de luto após um término, é normal. A
gente só não pode se entregar, porque absolutamente tudo que sentimos
naquele momento é passageiro, garanto. Eu achava que esse sentimento
ficaria enraizado, sabe? Que você fosse me marcar de tal forma que eu
sempre lembraria de ti. Vi você de mãos dadas com outra pessoa e pensei:
onde eu estava com a cabeça quando me apaixonei por ti?
Então passa. Às vezes, sem que sequer saibamos o porquê, mas passa. E
talvez eu passe por isso ainda milhares de vezes. Mas só o amor verdadeiro,
amor mesmo, não se conjuga no passado. Não passa, fica.


“Aprendi a me perdoar para encerrar os
ciclos, a acreditar que mereço aquilo que
busco para aceitar que quando algo não
acontece como eu planejo, ainda assim é o
melhor pra mim. É o que eu preciso.”
@BENDITACUCA


349º dia
Às vezes, sem que eu sequer soubesse, me boicotei, me ceguei pelos
objetivos e não aproveitei o caminho como deveria. A maior parte da minha
vida estive em busca de algo, de alguém ou de mim. Ou dos três, confesso
minha ambição. É claro, fracassei tantas vezes quanto foi possível recomeçar.
Demorei um tempão pra entender que isso é normal. Foi durante esse
processo que amadureci e talhei meu caráter, que abri meu coração e
despertei minha consciência.
A forma como enxergamos o mundo é apenas reflexo de como vemos a nós
mesmos. Cada um de nós cria sua própria realidade e também seus monstros
internos. Nossa empatia é limitada à nossa capacidade de compreensão do
nosso redor. Ainda bem que hoje se fala mais – embora ainda não seja o
suficiente – sobre se colocar no lugar da mulher, do negro, do pobre, do
homossexual, mas ainda assim falta algo. Falta nos colocarmos no lugar de
quem está bem ao nosso lado. Por estar em pé de igualdade, acreditamos que
tenha a mesma realidade que nós. Mas, sinceramente, não fazemos ideia do
que o outro está passando a não ser que passemos pelo mesmo que ele.
Ninguém nasce desconstruído, a empatia é um trabalho para o resto da vida.
É por isso que julgar alguém é como apontar o dedo em frente ao espelho,
por isso que o pouco que fazemos em prol do outro lhe parece muito, por isso
que gratidão nunca é demais e bom senso é a virtude mais bem distribuída no
mundo; todo mundo acha que tem o suficiente. É por isso também que não
existem verdades absolutas, somos cocriadores da realidade. Verdade é uma
questão de ponto de vista. É por isso que não nos cabe fazer justiça com as
próprias mãos. É por isso, sobretudo, que devemos tratar as pessoas com
gentileza. Porque vamos decepcioná-las, porque o mundo nos decepciona.
Porque também decepcionamos a nós mesmos. Mas está tudo bem.
Porque só o simples fato de tentarmos ser boas pessoas, mesmo que não
saibamos direito como, já nos faz pessoas melhores.
Não vai ficando mais fácil, mas, desde que estejamos em sintonia com nosso


próprio coração e vivendo em verdade com a nossa essência, a esperança não
nos matará, e o Universo irá conspirar ao nosso favor. Está tudo bem, porque
aprender com os erros do passado não é um prêmio de consolação, é cruzar a
linha de chegada.
Ainda me pego ligando os pontos de coisas que me aconteceram há 5, 7, 10
anos! E, pior, é cumulativo. Enquanto tento resolver essas questões, surgem
novas dúvidas, novos medos, novos planos. Nunca terei todas as respostas, a
vida sempre vai dar um jeito de trazer novas perguntas. E então, antes que eu
perceba, estarei novamente entregue, à mercê da piedade de Deus, da ironia
do destino, da contradição do Universo e da justiça dos homens.
Aprendi a me perdoar para encerrar os ciclos, a acreditar que mereço aquilo
que busco para aceitar que quando algo não acontece como eu planejo, ainda
assim é o melhor pra mim. É o que eu preciso. É muita arrogância da nossa
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