500 dias sem você


parte. Hoje, qualquer coisa é muito pouco, todo mundo é muita gente. Tem



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parte. Hoje, qualquer coisa é muito pouco, todo mundo é muita gente. Tem


que fazer valer, tem que fazer querer. Não te deixei por pouco, eu te troquei
pela minha liberdade.
Aprendi que não podia controlar suas escolhas e que, às vezes, ao invés de ter
teimado em te provar a coerência do meu lado, deveria simplesmente ter
aceitado sua divergência. Aprendi que você não me compreendia sem
palavras e que, mesmo quando eu as dizia, você relutava em concordar.
Claramente, não estávamos na mesma frequência.
Sinceramente, eu devia ter feito menos, tentado menos, sentido menos. Mas,
quando a gente se entrega demais, tende a achar que existe uma fórmula
mágica de compensação. Aprendi que isso não existe, algumas pessoas nunca
conseguirão ver quem tiveram do lado mesmo depois de perdê-las. Aliás,
aprendi muito sobre perda, sabe? Não dói por aquilo que tínhamos, mas
peloque nunca tivemos. Dói pelo que gostaríamos de ter, mas acabamos nos
acovardando no receio de deixar escapar uma chance. Talvez a última.
Por muitas vezes, me perguntei que chance era essa, se amor era mesmo esse
bicho de sete cabeças com o qual lutamos desde quando nos conhecemos. Se
iríamos esquecer antigas rupturas quando fizéssemos novas memórias. Ou,
melhor, boas memórias. Há algo de sobrenatural e divino em toda história
que já ouvimos que nos faz acreditar que para o amor acontecer tem que estar
escrito, tem que ser destino. Mas, mais do que nunca, acredito que o destino é
puramente força de vontade. Talvez, se tivéssemos dado tão certo quanto eu
te pedia, sequer fôssemos nós mesmos. E como poderíamos amar a quem não
conseguimos conhecer? Ainda que eu saiba que isso não vai mudar nada, não
consigo evitar a nuvem de conflitos que paira sob a minha cabeça me
lembrando do que fiz e do que podia ter feito.
Se você leu até aqui, saiba que não volto atrás. Eu achei que pudesse te
esperar a vida toda, mas quem sabe o que esperar da vida, afinal de contas?
Sinto o que você, talvez, nunca possa entender, de tão forte e contraditório.
Agradeço por tudo o que aprendi com você, mas agora sou eu que faço as
escolhas. Posso tropeçar novamente e até cair, mas essa caminhada é minha e
sei que sempre vou me reerguer.
Não sei se faz um dia ou um ano desde que te escrevi esta carta, mas te deixei


para trás, te deixei livre. E torço para que, logo, aprenda a não deixar quem te
ama ir embora. Pode ser sua última chance.


“Não se ensina alguém a ter consideração. A
forma como a pessoa te retribui diz mais sobre
ela do que sobre você”
227º dia
Eis uma coisa que eu aprendi: ninguém está destinado a ficar com ninguém.
Almas gêmeas, em tese, não existem. O que eu já vi – e invejei, admito –
foram duas pessoas apaixonadas, aceitando os defeitos, enaltecendo as
qualidades, engolindo o choro, reformulando as críticas para que fossem
construtivas e diminuindo o tom de voz uma para a outra. Esse esforço
colossal felizmente não é da conta de ninguém a não ser dos próprios
envolvidos. E quanto mais fácil, simples ou divino eles fazem soar, mais
estão dando o braço a torcer por trás. Não se ensina alguém a ter
consideração. A forma como a pessoa te retribui diz mais sobre ela do que
sobre você. Amor é para dois, para dez, para mil, mas, para uma pessoa só, se
não for próprio é mera vaidade.
Bobagem é acreditar que exista uma relação perfeita, sem altos e baixos, sem
desistências, sem colidir. O ideal, de fato, seria o meio termo: se está ruim,
conserte. Se você fez tudo o que pôde e não melhorou, desapegue. Falar é
fácil, eu sei. Mas é essa substancial mania de achar que o amor é feito de
extremos que nos faz acomodar. E se você não estiver disposto a fazer a sua
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