500 dias sem você



Baixar 0.66 Mb.
Pdf preview
Página17/38
Encontro01.08.2022
Tamanho0.66 Mb.
#24418
1   ...   13   14   15   16   17   18   19   20   ...   38
500-dias-sem-voce-1
“Se eu tivesse a chance de voltar ao passado,
ainda assim eu escolheria você de novo.
Porque tinha que ser você. Tinha, no passado.
Felizmente, meu futuro sou eu que decido.”
206º dia
Você foi o motivo de eu ir embora e também o de eu voltar. Parece piada.
Como posso ter saído com tanta convicção de que havia feito a escolha certa,
de que não valia a pena tentar de novo e de que ainda era cedo o bastante para
que a distância não doesse tanto assim e voltado com absoluta certeza de que
essa havia sido a melhor decisão? Pois é. Você. Sempre você.
Foi você desde o primeiro contato, foi você no primeiro beijo, foi você na
primeira vez que eu senti a famosa pontada no peito que avisa quando o amor
passa, ou melhor, quando o amor fica. Foi você na briga que me fez esquecer
completamente meu orgulho pra não dar o azar de te perder. Foi você que me
fez te amar, me pedindo pra voltar até quando eu levantava da cama pra beber
água. Foi você que me fez acreditar que era isso que eu queria, que me fez
mudar meus planos pra te caber neles. Foi você quem eu mais amei e foi você
quem mais me feriu.
Foi por você que eu achei ter pagado todos os meus pecados e por você que
eu senti gratidão só por ter te conhecido. Foi por você que eu mudei – por
mais que eu não goste de admitir – porque me fez enxergar como eu tinha
apego a certos defeitos. Foi por você que eu tentei me tornar uma pessoa
melhor, não só para você, mas para mim, foi por você que aprendi a aceitar
mesmo o que eu não conseguia compreender. Foi com você que eu aprendi
sobre a complacência do amor, sobre a abnegação dos próprios caprichos e
sobre o altruísmo de fazer por alguém mais do que já pensei em fazer por
mim. Foi com você que eu vivenciei o perdão, que descobri o quanto dói


lembrar e como é grande o esforço para esquecer.
Você. Que não se compara a ninguém que eu já conheci, que eu enxergo de
corpo e alma, que me faz derreter dos pés à cabeça quando vejo sorrir. Você,
que deixa minhas pernas bambas com sua presença. Você, que me deixa de
coração mole com sua ausência. Você, que já me fez perder a cabeça tantas
vezes; você, que hoje encontro do lado esquerdo do meu peito, em um espaço
só seu. É, você. Que talvez não tenha sido o grande amor da minha vida, mas
que, definitivamente, foi o primeiro. Foi tudo o que eu sempre quis e, ao
mesmo tempo, tudo o que eu evitava encontrar.
Se eu tivesse a chance de voltar ao passado, ainda assim eu escolheria você
de novo. Porque tinha que ser você. Tinha, no passado. Felizmente, meu
futuro sou eu que decido. Você é inesquecível, mas não insubstituível. Você
aí. Eu aqui. Melhor assim.


“A gente precisa estar disposto pra fazer dar
certo, pra não se apegar ao passado, pra
controlar nossas expectativas, pra aprender
com os próprios erros e, sobretudo, pra
desistir. Porque, às vezes, nosso coração
precisa ter paz, e não ter alguém.”
@BENDITACUCA


213º dia
Dia desses, um amigo meu me confessou que seu namoro não estava lá essas
coisas. Minha reação instintiva foi perguntar se ele já não a amava mais ou se
não a amava como antes. Ele disse que sim, o sentimento era o mesmo, mas
já não estava tão disposto.
E então eu entendi.
Temos mania de questionar o amor que a pessoa sente porque, lá no fundo,
acreditamos que isso seja o suficiente. Acontece que “o amor vence tudo”
nem sempre está se referindo ao amor ao próximo. Aliás, eu sou a prova viva
de quem preferiu se afastar quando sentiu que já não podia dar tudo de si na
relação e, muito menos, aceitar tão pouco. Porque o pior que podia nos
acontecer não era o término, era insistirmos ao ponto de nos odiarmos no fim.
Uma parte de mim reluta em compreender como eu podia gostar de você e,
mesmo assim, não te querer por perto. Isso me parece pior do que deixar de
gostar. Isso me parece pior do que se decepcionar. Por outro lado, gostar não
é o bastante, sei disso. Às vezes, nos apegamos àqueles momentos de alegria
pra acreditar que compensam o caos e vamos empurrando com a barriga,
torcendo para que no dia seguinte as coisas melhorem como num passe de
mágica, até porque, muitas vezes, não entendemos o que houve de errado. Ou
melhor, como paramos de dar certo.
Sempre defendi que não vale a pena estar com alguém que não tenha certeza
de que quer estar contigo, mas e quando os papéis se invertem? E quando sou
eu que não tenho certeza se quero estar na relação? Devo ouvir meu coração
ou a razão? Pois é. É difícil se colocar no lugar do outro, se compadecer com
suas dúvidas, inseguranças e medos. Quem escolhe o amor, a emoção como
caminho, está simplesmente ignorando o outro lado da história, mas não pode
exigir que o outro pense da mesma forma. Isso não mede o quanto se gosta,
mas o quanto vale a pena para cada um. Não tem certo e um errado. A
verdade é que a gente não tem como saber como o outro se sente, a menos
que passemos pelo mesmo que ele.


Mais do que ninguém, eu o entendi.
Estamos todos interligados, precisamos uns dos outros – mais de uns, menos
de outros. Então, meu esforço, muitas vezes, também precisa do seu esforço.
Eu não posso carregar o mundo nas costas. Ninguém pode. É por isso que
cada um de nós carrega um pouquinho – alguns mais e outros menos. E todo
mundo está procurando com quem dividir esse peso, com quem tornar de
alguma forma essa caminhada mais leve. Mas, no fundo, todo mundo sabe
que vai ter que lidar com seu próprio fardo; por vezes arrastá-lo, por vezes
escondê-lo. Mas nunca vai surgir alguém que o tire completamente de você.
Aliás, minto. Pra mim, essa pessoa foi você, e eu precisei esesperadamente
fugir porque você me fazia perder muito mais do que a cabeça e o coração.
Eu estava me perdendo.
No fim das contas, é tudo uma questão de disposição, e não de amor. A gente
precisa estar disposto pra fazer dar certo, pra não se apegar ao passado, pra
controlar nossas expectativas, pra aprender com os próprios erros e,
sobretudo, pra desistir. Porque, às vezes, nosso coração precisa ter paz, e não
ter alguém.


“Eu queria que você me quisesse por uma vida
inteira, e continuava a aceitar estar contigo
por uma noite mal dormida. Mas, hoje, da
mesma forma que meu coração foi dilacerado,
ele se tornou absolutamente mais forte; não se
doa em mil pedaços sem reivindicar cada
parte.”
220º dia
Se você está lendo isso agora, saiba que é tarde demais. Não sei se faz um dia
ou um ano desde que escrevi esta carta para você, mas nada mudou. Disso eu
sei. Eu já parti, saí da sua vida tão sorrateiramente quanto entrei. Talvez me
arrependa disso amanhã, mas, honestamente, pelo tempo que estive contigo,
perdi a conta do calendário. Não sei mais sequer quem sou hoje! A culpa
disso foi sua. Mas a culpa não é de todo má, eu que achei que pudesse esperar
a vida toda e não pude. Aliás, quem é que pode? Quem é que aguenta tornar a
insistência uma concorrência para o coração?
Meu bem, o cansaço me venceu quando bati à sua porta naquela madrugada,
quando fingi não te ver dando em cima de outras pessoas, quando, mesmo
assim, te deixei despir minha roupa. Eu achava que você me via como um
porto seguro, mas muitas vezes não passei de sua válvula de escape. Você
não faz ideia de quantas noites esperei ao lado do telefone qualquer proposta
presunçosa de ser casual. Eu queria que você me quisesse por uma vida
inteira e continuava a aceitar estar contigo por uma noite mal dormida. Mas,
hoje, da mesma forma que meu coração foi dilacerado, ele se tornou
absolutamente mais forte; não se doa em mil pedaços sem reivindicar cada
Baixar 0.66 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   13   14   15   16   17   18   19   20   ...   38




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal