500 dias sem você



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“Sempre vale a pena lutar por amor. Desde
que não seja só.”
192º dia
Sabe o que eu descobri? Que o amor não pesa nada e que não devemos
colocá-lo na balança. Quando a gente procura razões para estar com alguém,
acaba encontrando motivos para desistir. É sério.
Veja bem, qual relacionamento, se posto na balança, compensa?
Só vale a pena porque o amor vale a pena, mas temos dificuldade de acreditar
nisso a maior parte do tempo. Exceto quando nos apaixonamos mesmo,
porque a gente prefere que o mundo se exploda a ter que se afastar de quem a
gente gosta. Porque a gente se sente forte o suficiente pra suportar a distância
física, maduro o bastante pra lidar com as adversidades e confiante de que é
mais feliz assim. Mas quando a gente pensa racionalmente – prós e contras, o
que idealizamos e o que temos, o que fazemos e o que merecemos – quase
nunca é uma comparação justa. Sempre está faltando alguma coisinha,
sempre achamos que podemos mudar algo no outro ou que precisamos mudar
algo em nós mesmos. Me parece que o inconformismo é forte indicativo de
normalidade entre casais, por mais absurdo que soe.
Eu lembro de reclamar bastante sobre a frequência com que transávamos. No
início era enlouquecedor, algumas vezes não conseguimos sequer chegar em
casa de tanto tesão. O clima de tensão sexual era percebido por quem quer
que estivesse ao nosso redor. Meu deus, como eu amava isso! Com o tempo
fomos diminuindo o ritmo. Às vezes, eu me culpava e armava surpresas pra
chamar sua atenção, outras vezes, eu apenas me conformava. Confesso que,
certa noite, cheguei a sentir alívio por termos escolhido um filme para assistir
e por termos assistido, de fato, o filme inteiro. Sem interrupções, sem pausas,
sem amassos. Foi então que meu próprio comportamento me alarmou para


um possível problema: será que eu não gostava mais de você? Ou, pior, será
que você se sentia igual em relação a mim?
Você sabia que isso acontece com todo mundo? Pois é, eu não sabia. Eu
achava que era um problema nosso, exclusivamente nosso. Alguns casais
consideram isso vulnerabilidade ou falta de virilidade. Nós éramos um deles.
Sentimos tanta vergonha de quem estávamos nos tornando que não
admitimos nem para os nossos amigos! Pelo contrário, passamos a competir,
sem nos dar conta, com qualquer casal que ousasse demonstrar mais
juventude, paixão ou apetite sexual que nós. Pra mim, foi quando começamos
a desandar. O princípio do fim.
Eu senti que estava perdendo alguma coisa: uma oportunidade, a minha
própria liberdade, um tantinho de mim. Foi quando comecei a me questionar
se estava onde gostaria e se estava com quem realmente gostaria. Foi quando
comecei a acreditar que já não podíamos viver pra sempre juntos, como
imaginamos, daquele jeito. Foi quando deixei meu coração confinado em
dúvidas pra quebrar o encanto de que o amor fosse mesmo tudo isso que
dizem. E acabei esquecendo do que nos motivou a começar.
Porque, embora eu só tenha me dado conta disso agora, gastei muito esforço
e energia somente na intenção de estar ao seu lado. E admito que já lhe culpei
por acreditar que você me impediu de chegar aonde eu quero, sem perceber
que fui eu quem lhe deu esse poder. Eu permiti que você decidisse a minha
vida.
Gostar de alguém é como ter um elástico amarrado em volta da cintura e
preso ao outro, em muitos casos. A gente faz de tudo para andar para longe,
mas sempre é puxado de volta. A gente nem sente que acaba se limitando ao
perímetro que aquela pessoa nos proporciona. Ou então anda em círculos.
Em tese, isso parece terrível, mas, na prática, amamos viver assim. Deus sabe
por quê. A gente, muitas vezes, passa a vida esperando por alguém que
também queira nos dar seu elástico. No entanto, algumas pessoas – a grande
maioria delas, hoje em dia – preferem cortar o elástico e caminhar sozinhas
porque acham que é mais fácil do que aprender a andar na mesma velocidade
que outra pessoa, lado a lado. E, dependendo da pessoa a quem estão presas,


isso é um fato. O conhecido “atraso de vida”. Mas até que ponto isso é
sabedoria ou covardia?
O amor não pesa nada, não devemos colocá-lo na balança da relação. Eu
ainda acredito que, apesar de tudo, sempre vale a pena lutar por amor. Desde
que não seja só. Foi isso que eu aprendi.


“Uma das coisas mais difíceis que aprendi é
que o desapego é uma necessidade. Não
evita que o coração seja quebrado, mas
impede que quem o partiu uma vez o faça
de novo.”
@BENDITACUCA


199º dia
Se eu sinto saudades suas? É claro que eu sinto. Todos os dias me desafio a
lembrar dos motivos pra não te procurar. E dói, de verdade. Apesar de saber
que racionalmente não faz sentido; não é pra doer, não é pra existir. Não
somos um nem metades. Eu estou incólume, por incrível que pareça. Apesar
disso, tenho um espaço só seu em meu peito, não consigo comparar a nada
que já tive com ninguém. Um dia alguém vai caber ali ou eu vou esquecer; o
que acontecer primeiro.
Se afastar ainda gostando te faz perder um pouco a esperança, confesso. A
gente acha que quando for amor vai ser tudo diferente, vai desmentir as
milhares de histórias que criamos na cabeça. Vai ser simples. Vai só fazer
bem. E então descobre que, às vezes, é amor em plena tempestade. É amor
entre gritos, promessas e choro. É amor até quando decide ter fim. Apesar de
não ser recíproco. É bem egoísta querer tanto alguém assim. Portanto, dói.
Mas eu acho que o caminho é esse porque, à medida que isso me machuca,
também me faz perceber o quanto não é justo. Não é justo que eu ainda me
sinta desse jeito. Que eu ainda te queira, apesar de tantos pesares.
O problema, e só agora eu percebo, é que eu preciso de alguém que goste de
mim como eu gosto de você. Preciso de alguém que me olhe com a certeza de
que faria qualquer coisa por mim, que pense “que sorte a minha! Entre todas
as pessoas, você me escolheu!”. Eu preciso dessa pessoa, entende? Que veio
dar sentido a toda essa bagunça que trago aqui dentro. Alguém que não
queira competir para se envolver e, pelo amor de Deus, que se deixe levar,
que não se reprima tanto. Chega de joguinhos!
Qual é o mal de mostrar o que se sente? Quando foi que nos tornamos essas
pessoas, tão preocupadas em impedir o coração de se afetar? Isso é capricho
ou trauma? Não, chega disso! Já não aguento mais me fazer de insensível e
morrer por dentro. Eu mereço alguém que goste de mim como eu gosto de
você. E por isso escolhi a mim ao invés de ti. Então, respiro fundo. Conto até
dez e recomeço. Sei que não tenho culpa. Pior seria se eu me contentasse em
ser tão pouco pra você. Uma das coisas mais difíceis que aprendi é que o


desapego é uma necessidade. Não evita que o coração seja quebrado, mas
impede que quem o partiu uma vez o faça de novo.



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