500 dias sem você



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“Um salve para os recomeços que me
ensinaram a acreditar que eu mereço mais do
que já perdi.”
177º dia
Não posso negar que algumas das pessoas que mais me decepcionaram
também desempenharam um papel importante em minha vida: me ensinaram
a ser forte. Temos que ser tolerantes quanto às falhas dos outros, afinal,
somos igualmente imperfeitos. A questão é conhecer seu limite: se o perdão
te leva a um ciclo vicioso de dor, por que insistir? Não é egoísmo, é
simplesmente entender que algumas pessoas não valem a pena. Mas que
sempre vão existir aquelas que te farão mudar de ideia e, por elas, não
podemos nos desmotivar.
Eu costumava pensar que você fosse insubstituível, mas quanto mais o tempo
passa, percebo que você me marcou bastante, e não porque me faz falta ou
porque me fazia bem, mas porque me ensinou a seguir em frente. Quando
você pede para que eu mude e me julga ao invés de me ajudar, claramente
não me aceita por quem sou. A pessoa certa pra mim não deve ter medo de
me conhecer ou tentar me mudar, muito menos fazer com que eu me sinta
trouxa por demonstrar afeto. Esse é o meu filtro. Eu já perdi muito tempo
tentando te convencer a gostar de mim e me convencer de que valia a pena.
Eu não preciso mudar pra te agradar, eu preciso aprender a selecionar melhor
as pessoas com quem me envolvo, isso sim. Amor é quando um quer o bem
do outro, já apego é quando um quer que o outro seja outro.
Relacionamentos não seriam tão complicados se as pessoas dissessem aquilo
que sentem e ouvissem mais o próprio coração e menos a boca dos outros. Ou
se, simplesmente, não tivessem receio de se arriscar.


Às vezes, para que a gente se sinta bem, temos que afastar algumas pessoas,
enterrar sentimentos, quebrar promessas. O único compromisso que a gente
tem é com a nossa própria felicidade. Não dá pra ser fiel ao passado e esperar
por um futuro melhor. Desapego é não temer ser aquele que saiu perdendo.
Se eu não tivesse ficado só, sem chão, não teria aprendido a cuidar de mim, a
me reerguer, e continuaria achando que preciso de quem faça isso em meu
lugar. Eis algo que eu aprendi: ninguém tem a obrigação de me amar, além de
mim. Um salve para os recomeços que me ensinaram a acreditar que eu
mereço mais do que já perdi.


“Se te dei amor é porque sempre dou o melhor
de mim, não porque você merecia tanto
assim.”
184º dia
Dei o meu melhor, disso eu tenho certeza. Foram os erros mais sinceros, o
arrependimento mais amargo, os beijos mais doces os que guardei pra te dar.
Foram as cenas mais dramáticas que aconteceram, primeiro dentro de mim, e
que se repetiram dia após dia até se tornarem reais. Foi a realidade mais linda
e dolorosa que já vivi ao lado de alguém. Foram as risadas mais honestas ao
soltar disparates, sem perceber que falava sem filtro enquanto estava contigo.
Foi o sono mais tranquilo quando permiti que o peso do seu corpo sob o meu
me confortasse. Foi a história mais intensa que já escrevi por alguém. E
reescrevi em vão milhares de vezes na esperança de mudar o final.
Fiz o melhor que pude e reconheço que não tenha sido o suficiente porque eu
precisava mudar, porque eu precisava te aceitar. Eu aprendi tanto sobre mim
com você que era como se esse meu lado estivesse desacordado até a sua
chegada e ficado desamparado com a sua partida. Agora é ter o peito aberto e,
ainda assim, esconder a chave para que nenhum desavisado possa entrar. É
chorar de rir e, ainda assim, sorrir chorando ao lembrar de ti. É saber que,
muitas vezes, fiz papel de trouxa, dei um escândalo por besteira, agi sem
pensar e me contradisse e, mesmo assim, eu cresci.
Dei o meu melhor, mas fiz por mim, disso eu tenho certeza. Simplesmente
percebi que eu fazia por quem amava o que precisava que fizessem por mim.
Eu era a pessoa que eu esperava encontrar. Depois disso ficou fácil entender
que eu não poderia estar com quem não me desse, no mínimo, reciprocidade.
Porque eu não consigo entender como amar alguém e não querer por perto,


como é renegar a pulsação do próprio coração, como é dar as costas a quem
segurou sua mão. Porque eu prefiro me despedaçar no fim do que perder a
chance de viver como se não houvesse amanhã. Porque um dia não haverá.
Dou o meu melhor, portanto, mereço encontrar quem faça por mim o que eu
fiz por ti. E, quando esse dia chegar, eu vou fazer o que você não fez. Se te
dei amor é porque sempre dou o melhor de mim, não porque você merecia
tanto assim.



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