500 dias sem você



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“Não há nada de errado em se desapegar de
uma história que não te dá nada mais do que
saudade.”
121º dia
A gente erra, mas também perdoa. A gente xinga, mas também acaricia. A
gente se esperneia, mas também se emudece. A gente se adapta. A gente se
transforma. Quando estamos dispostos, quando a nossa força de vontade se
sobrepõe às nossas angústias, a gente faz tudo o que pode. A gente tenta. Mas
nem por todo mundo vale a pena esse confronto.
O segredo talvez seja esse: não desistir. Acreditar que qualquer sapo pode
virar príncipe, que um amor de verão pode terminar em casamento. Mas o
que temos de nós se vivemos para nos doar? Somos o resto. Resquícios de
planos, sonhos e traumas. Dizer que não esperamos retorno é utopia – além
de estúpido. É claro que queremos reciprocidade, é claro que sonhamos com
o dia em que todo esforço valerá a pena. É claro que no fundo estamos
inundados de esperança. Por isso a gente tenta, por isso a gente aguenta. Mas
nem todo mundo vale o tempo investido.
Se apaixonar não tem receita de bolo: faz isso, faz aquilo e serão felizes para
sempre. Nada disso. Algumas vezes, você vai fazer coisas que nunca
imaginou por alguém; vai se contradizer, vai se confrontar. Outras vezes,
alguém vai fazer por ti o que não fez por nenhuma outra pessoa; vai se doar,
vai mudar. Mas, na maior parte das vezes, ninguém está contando esse placar,
ou seja, tenha em mente que, independente do seu esforço, se envolver e
fazer dar certo é um resultado em conjunto. Se um não tenta, dois não
conseguem e, se for o caso, o ponto final tem que partir de alguém.
Esquecer é parte de um longo e doloroso processo de autossuperação. Eu luto


primeiramente contra mim, incansavelmente, torcendo para, um belo dia,
descobrir que já nem me lembro mais. Não há nada de errado em se
desapegar de uma história que não te dá nada mais do que saudade. Ser feliz
com alguém faz parte do mesmo processo. O amor não é feito de certezas e,
sim, de tentativas. Ora falhas, ora bobas. Porém sempre na esperança de que
duas pessoas construam uma só vida.
O que pra mim foi eterno talvez não tenha durado mais do que um segundo
para você. Discordo piamente da ideia de que ao final da nossa relação a
conclusão foi de que não demos certo. Todo mundo é capaz de dar certo por
um tempo, mas eventualmente histórias muitos desgastadas ou com excesso
de cobranças tendem a não durar. Isso porque estamos tão apegados a um
ideal de relacionamento, a um perfeccionismo de sentimentos, que
menosprezamos atitudes e palavras que não condizem com a nossa
expectativa de par perfeito.
Pessoas diferentes têm maneiras diferentes de demonstrar sentimentos. Não
dá pra ensinar alguém a te agradar “da forma correta”. Há muitas formas de
demonstrar amor. Não só aquela que vimos nos filmes. Não só aquela que
lemos em livros. Não só aquela que ouvimos de amigos. Não só aquela que
vemos nas redes sociais. Não só aquela que idealizamos. Não só aquela que
queremos.
Amor é sobre adaptação. No início da paixão somos uma massinha de
modelar feliz e, com o passar do tempo, enrijecemos em nossas perspectivas.
O amor é tão abrangente em sua definição que não deve ser medido, apenas
sentido. Quando conseguimos sentir o amor, não precisamos de provas. Em
razão disso, nós demos certo, sim. Pelo tempo que foi necessário, pelo tempo
que foi bom. Você foi inesquecível, mas não insubstituível.
Muitas vezes, a fraqueza se reduz à insistência de manter alguém que se faz
distante ao lado. Pra desistir é preciso ser mais forte do que eu pensava. É
preciso trocar o conforto pelo medo, a segurança pelo risco, cortar nossas
próprias asas antes que alguém o faça e não temer a queda. Porque, meu bem,
a verdade é que você não vale nem a porra dessa saudade.


“Às vezes, a gente precisa se reinventar,
pois, enquanto permanecermos com as
mesmas atitudes, não podemos esperar por
um final diferente, quem dirá por um final
feliz.”
@BENDITACUCA


128º dia
Acreditei durante muito tempo que um amor realmente curasse o outro. Era
mais fácil desse jeito, agora eu sei disso. Quando eu sentia que estávamos
próximos ao fim, já correspondia com mais interesse às investidas de outras
pessoas, saía de casa olhando com mais atenção para quem estivesse ao meu
redor. Então o ciclo se repetia e, assim que terminava uma relação, me
forçava a sair com outras pessoas. Já dei conselhos desse tipo também: “Você
tem que tentar sair pra desopilar. No mínimo, você se diverte.” Afinal, havia
funcionado pra mim a vida inteira.
Aprendi duas coisas nessa fase: 1) o placar não zera, só acumula. Qualquer
semelhança entre meu presente e meu passado já causava uma guerra numa
proporção muito maior do que eu merecia. Eu trazia no peito feridas abertas,
nas mãos os planos que nunca se concretizaram, e despejava à queima-roupa
na primeira pessoa que tivesse a oportunidade. E foi assim que eu fiz contigo,
agora eu sei disso. Não era sua culpa não suprir essas expectativas. Até
porque, sinceramente, sequer haviam sido criadas para você ou com você.
Era apenas eu impondo minhas vontades a um novo relacionamento devido
ao fracasso do antigo. E 2) eu podia até achar que tinha driblado o
sofrimento, que mantive meu coração intacto enquanto ocupava minha mente
com a nossa história, mas a verdade é que a mágoa estava ali, pronta pra se
lançar ao menor sinal de perda.
Se nem eu priorizei a mim, como poderia achar que outra pessoa pudesse
fazê-lo? Ninguém sabia o que eu havia passado e sentido. Só eu tinha o poder
de me curar, mas enfrentar a si pode ser um desafio mais assustador do que se
imagina. A gente aprendeu a repulsar a solidão, aprendeu que estar só é
sinônimo de fracasso. É normal sentirmos medo de não termos outra chance
ou deixarmos escapar mais um romance. É normal sentirmos pressa; o tempo
não espera que nos recuperemos, como podemos desperdiçá-lo sem tentar
outra vez?
Às vezes, a gente precisa se reinventar, pois, enquanto permanecermos com
as mesmas atitudes, não podemos esperar por um final diferente, quem dirá


por um final feliz.



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