3 Joaquim Nabuco e o abolicionismo f perlato



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Abolicionismo que o governo havia dado uma “classe social por aliada: o Exército”.

32

 Esta 

ascensão  após  a  Guerra  de  setores  até  então  excluídos  da  cidadania  restrita  abalou  a 

estrutura  hierarquizada  e  trouxe  conseqüências  diretas  para  a  crise  da  escravidão  e  do 

Império, contribuindo de forma decisiva para o movimento abolicionista.

33

 Nabuco aponta 



para  o  fato  de  a  que  a  cooperação  dos  escravos  com  o  Exército  constituiu-se  no 

“enobrecimento legal e social daquela classe”.

34

 

 Em 1871 houve grande batalha no Parlamento em torno da Lei do Ventre Livre, que 



dava  liberdade  para  as  crianças  nascidas  de  mãe  escrava  a  partir  daquela  data,  mas  que 

previa indenização aos senhores pela criação delas até os oito anos, que podia ser paga em 

serviços das próprias crianças - prestados até os 21 anos –, ou em dinheiro, pelo Estado. A 

partir da aprovação dessa lei, as reivindicações dos escravos nascidos no Brasil passaram a 

estar, de certa maneira, reguladas pelo Estado monárquico. A Lei do Ventre Livre também 

reconhecia o direito do escravo ao pecúlio próprio e à compra de sua liberdade através do 

preço  estabelecido  pela  justiça.  Apesar  dos  avanços  concretos  não  terem  sido  tão 

significativos,  foi  enorme  o  impacto  simbólico  da  liberdade  do  ventre,  tanto  entre  os 

senhores,  como  entre  os  cativos.

35

    Joaquim  Nabuco  destaca  em  O  Abolicionismo: 



“imperfeita, incompleta, impolítica (sic), injusta, e até absurda, (...), essa lei foi nada menos 

do que o bloqueio moral da escravidão: ‘Ninguém mais nasce escravo’” (grifo do autor).

36

   


                                                 

31

  SCHWARCZ,  Lilia  Moritz.  Retrato  em  Branco  e  Negro:  jornais,  escravos  e  cidadãos  em  São  Paulo  no 



final do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 35. 

32

 NABUCO, op. cit, p. 43. 



33

 SALLES, Ricardo. Negros guerreiros. Nossa História. Rio de Janeiro: Editora Vera Cruz, n° 13, p. 32. 

34

 NABUCO, op. cit, p. 43. 



35

 MATTOS, Hebe Maria. A face negra da Abolição. Nossa História. Rio de Janeiro: Editora Vera Cruz, n° 

19, p. 19.  

36

 NABUCO, op. cit., p. 51. 




 

 

Nos anos que se antecederam à Lei Áurea, a escravidão ia perdendo visivelmente a 



legitimidade frente à sociedade brasileira. Hebe Mattos destaca que houve uma “quebra da 

cumplicidade  do  conjunto  da  população  livre  com  a  continuidade  da  escravidão”.

37

  O 


movimento  abolicionista  ganhava  força  em  todos  os  setores  da  sociedade,  não  se 

restringindo somente à Câmara. Na imprensa, os mulatos Francisco de Paula Brito, André 

Rebouças,  José  Ferreira de  Menezes, José  do Patrocínio, entre outros, fundavam jornais  e 

produziam  artigos  contrários  à  escravidão.  Em  1883,  mesmo  ano  em  que  foi  escrito  



Abolicionismo,  foi  publicada  a  obra  póstuma  de  Castro  Alves,  chamada  Os  escravos,  na 

qual  se  destacava  a  poesia  Navio  Negreiro,  escrita  em  1868,  configurando-se  em  uma 

denúncia dos horrores do tráfico.  

Em  todos  os  ambientes  da  cidade  debatia-se  a  questão,  seja  nas  ruas,  teatros  ou 

salões. Pessoas de todas as concepções políticas, de todas as cores, credos e nacionalidades 

organizavam manifestações, boicotes e protestos contra esta instituição que já se mostrava 

falida.  Arrecadavam-se  fundos  para  promover  alforrias.  Milhares  de  anônimos  militantes, 

profissionais  liberais,  biscateiros,  libertos,  escravos,  capoeiras,  negros,  mestiços,  brancos 

brasileiros,  africanos  e  imigrantes  participavam do  processo. Os escravocratas respondiam 

incendiando  jornais  e  perseguindo  abolicionistas,  mas  o  clamor  pelo  fim  do  regime  já  se 

espalhava por todo o país.

38

 



Joaquim  Nabuco  aponta  para  o  fato  de  que  existia  no  país  um  núcleo  de  pessoas 

identificadas  com  o  movimento  abolicionista.  Defendendo  a  criação  de  um  partido 

abolicionista,  ele  destaca:  “sob  a  bandeira  da  abolição  combatem  hoje  liberais, 

conservadores  e  republicanos”.

39

  É  interessante  observar  que  logo  no  prefácio  de  






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