3 Joaquim Nabuco e o abolicionismo f perlato


  CONTEXTO  DA  PRODUÇÃO  DE  O  ABOLICIONSIMO:  RESISTÊNCIA



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2.  CONTEXTO  DA  PRODUÇÃO  DE  O  ABOLICIONSIMO:  RESISTÊNCIA 

ESCRAVA E MOVIMENTO ABOLICIONISTA 

 

 A  obra  O  Abolicionismo  foi  escrita  em  1883,  estando  inserida,  portanto,  em  um 

contexto bastante complexo e conturbado que se consubstanciaria – alguns anos mais tarde 

–  no  fim  do  Império  e  da  escravidão.  Conforme  evidenciou  Hebe  M. Mattos de  Castro, a 

extinção do tráfico de escravos em 1850, devido à Lei Eusébio de Queirós, representou uma 

profunda  inflexão  na  experiência  do  cativeiro.

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  A  prisão  exemplar  de  alguns  destacados 



fazendeiros  e  a  forte  repressão  aos  capitães  das  embarcações  convenceu  a  maioria  dos 

                                                 

12

 SKIDMORE, Thomas E. Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro. Rio de Janeiro: 



Paz e Terra, 1976, pp. 12, 63.  

13

 DA MATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à antropologia social. Petrópolis: Vozes, 1972, p. 



172.  

14

  CASTRO,  Hebe  M.  Mattos  de.  “Laços  de  família  e  direitos no final da escravidão”. In: ALENCASTRO, 



L.F. de (org). História da Vida Privada no Brasil. Vol. 2. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp. 343-

344. 




 

 

grandes senhores que a lei seria dessa vez aplicada com rigor. Essas restrições levaram ao 



aumento  do  preço  dos  escravos  e  uma  concentração  social  da  propriedade  de  cativos. 

Restaram  poucos  e  ricos  senhores  concentrados  nas  áreas  de  exportação,  sobretudo  no 

Sudeste.    Devido  a  essa  medida  houve  uma  expansão  do  tráfico  interno  intra  e  inter 

provincial, fazendo regredir a pulverização da posse de escravos, até então típica do Brasil.  

 Muitas  páginas  já  foram  gastas  e  ainda  o  serão  no  debate  a  respeito  da  resistência 

escrava. À abordagem de Gilberto Freyre, em “Casa Grande e Senzala” que, de certa forma, 

suavizava as relações entre senhores e escravos no Brasil colonial, seguiram os estudos que 

procuravam enfatizar somente a rigidez e a violência do regime escravista, demonstrando o 

cativo somente como vítima e objeto da ação dos senhores.

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 Por outro lado, alguns estudos 



buscaram  realçar  que  somente  através  das  fugas,  violência  contra  os  senhores  e  formação 

de  quilombos,  que  os  cativos  negariam  a  escravidão.  Alguns  líderes  dessas  revoltas  eram 

transformados  em  heróis  e  os  pequenos  mocambos  ou  revoltas  rapidamente  sufocadas  ou 

até  mesmo  a  resistência  cotidiana  eram  considerados  de  menor  ou  de  quase  nenhuma 

importância histórica.

16

  



 Visando contestar a dicotomia destes estudos que colocavam de um lado Zumbi dos 

Palmares – o escravo que luta “revolucionariamente” contra o sistema – e de outro Pai João 

–  o  cativo  submisso  e  conformado  –  surgiram  novas  abordagens,  baseadas  em  profundas 

pesquisas empíricas, assim como dialogando com outros aportes teóricos e metodológicos, 

que visavam reexaminar e problematizar a resistência escrava em diferentes ópticas. Estes 

estudos  apontam  para  o  fato  de  que  os  escravos  negociaram  mais  do  que  lutaram 

abertamente  contra  o  sistema.  Os  proprietários  e  a  sociedade  como  um  todo,  foram 

obrigados  a  reconhecer  um  certo  espaço  de  autonomia  para  os  cativos.

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  Estas  novas 



abordagens, que passaram a valorizar o escravo como um agente histórico, preocuparam-se 

em  evidenciar  que  antes  de  chegar  ao  Brasil,  estas  pessoas  possuíam  uma  história,  uma 

                                                 

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  Entre  os  estudos  que  seguiram  esta  perspectiva,  podemos  destacar  as  análises  da  chamada  “Escola 



Paulista”, cuja umas das obras mais debatidas neste sentido foi: CARDOSO, Fernando Henrique. Capitalismo 


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