1984 Edição especial



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1984 - Edicao especial - George Orwell
07 - Cronograma de Julho 2022
OS SUPERESTADOS
É tão frequente citar Mil novecentos e oitenta e quatro como uma visão do
pior mundo futuro possível que pode parecer estranho dizer que, ao menos
num aspecto, Orwell subestimou em grande medida um perigo geral. Nem
sempre se leva em conta que, no romance, já houvera uma guerra com
bombas atômicas nos anos 1950. Não há muitos detalhes, embora se
mencione o lançamento de uma bomba atômica em Colchester. Esse é um
dos vários casos em que, lendo o romance no ano de 1984, nota-se
claramente que ele pertence à década de 1940. Orwell logo comentou a
importância da nova arma. Escreveu no Tribune, em outubro de 1945, que
ela era perigosa sobretudo porque fortalecia muito mais os que já eram
fortes; a complexa produção da bomba significava que ela ficaria reservada
a algumas poucas sociedades poderosas, que já eram maciçamente
industrializadas. “A grande era da democracia e da autodeterminação
nacional” fora “a era do mosquete e do fuzil”. Agora, com essa invenção,
temos diante de nós a perspectiva de dois ou três superestados
monstruosos, cada qual dotado de um armamento capaz de
apagar milhões de pessoas em poucos segundos, dividindo o
mundo entre eles.
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Isso não é apenas o perfil do mundo de Mil novecentos e oitenta e quatro.
É também um arguto reconhecimento do verdadeiro poder das novas armas.
Apesar disso, ele incluiu em sua história uma guerra com armas nucleares à
qual sobreviveram, mesmo que com seus horrores próprios, uma terra e
uma sociedade ainda capazes de serem reconhecidas como tal. Não há aí
nenhum demérito para Orwell. Repetidas vezes, tem sido quase impossível
imaginar as verdadeiras consequências de uma guerra atômica, à diferença
do uso unilateral da bomba, que foi o único acontecimento real. De fato,
existe uma espécie familiar de duplipensamento sobre as armas nucleares,
em que se sabe que elas levariam a uma destruição em massa e, em muitos
casos, absoluta, mas que, ao mesmo tempo e contraditoriamente, com


determinação política suficiente, seria possível absorvê-las e sobreviver a
elas.



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