1984 Edição especial


Partido exige de seus membros, e que se obtém mais facilmente numa



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1984 - Edicao especial - George Orwell
07 - Cronograma de Julho 2022

Partido exige de seus membros, e que se obtém mais facilmente numa
atmosfera de guerra, é agora quase universal, mas quanto mais alto se chega
na hierarquia, mais ela se acentua. Com efeito, é no Núcleo do Partido que a
histeria guerreira e o ódio ao inimigo são mais fortes. Em sua qualidade de
administrador, muitas vezes é necessário que um membro do Núcleo do
Partido saiba que este ou aquele item do noticiário de guerra é fictício, e
acontece com frequência estar ciente de que a guerra inteira é espúria e que
ela ou não está acontecendo, ou está acontecendo por razões bem diferentes
das declaradas: mas esse conhecimento é facilmente neutralizado pela
técnica do duplipensamento. Ao mesmo tempo, nenhum membro do Núcleo
do Partido vacila por um instante sequer em sua fé mística de que a guerra é
real e de que ela está fadada a terminar com a vitória da Oceânia, que
passará a senhora incontestável do mundo.
Todos os membros do Núcleo do Partido acreditam nessa conquista
vindoura como num artigo de fé. Ela será obtida ou bem mediante a
aquisição de mais e mais território — com a consequente construção de
uma preponderância avassaladora de poder —, ou bem pela descoberta de


alguma arma nova e definitiva. A busca por novas armas prossegue sem
trégua, e é uma das pouquíssimas atividades remanescentes em que as
mentes inventivas ou especulativas conseguem encontrar algum desafogo.
Hoje em dia, na Oceânia, a Ciência, no sentido antigo, praticamente deixou
de existir. Não há palavra em Novafala para “Ciência”. O método empírico
de pensamento, em que todas as realizações científicas do passado se
fundavam, opõe-se aos princípios mais fundamentais do Socing. E mesmo o
progresso tecnológico só se verifica quando, desta ou daquela maneira, seus
produtos podem ser utilizados em prol da diminuição da liberdade humana.
Em todas as artes úteis, o mundo ou está imóvel ou retrocede. Os campos
são cultivados com arados puxados a cavalo, enquanto os livros são escritos
por aparelhos. Mas em assuntos de importância vital — ou seja, a guerra e a
espionagem policial — a abordagem empírica continua sendo encorajada,
ou pelo menos tolerada. Os dois objetivos do Partido são: primeiro,
conquistar toda a superfície da Terra; segundo, extinguir de uma vez por
todas a possibilidade de pensamento independente. Assim, há dois grandes
problemas que o Partido se preocupa em resolver. Um é como descobrir o
que um ser humano está pensando, à revelia dele; outro é como matar várias
centenas de milhões de pessoas em poucos segundos sem aviso prévio. Na
medida em que a pesquisa científica continua existindo, esse é seu principal
tema. Das duas, uma: ou o cientista de hoje é uma mistura de psicólogo
com inquisidor, estudando com extraordinária minúcia o significado de
expressões faciais, gestos e tons de voz, e testando os efeitos de drogas,
choques elétricos, hipnose e tortura física na produção da verdade; ou é um
químico, físico ou biólogo preocupado exclusivamente com ramificações de
suas áreas de estudo relevantes para a extinção da vida. Nos vastos
laboratórios do Ministério da Paz e nas estações experimentais ocultas nas
florestas do Brasil, ou no deserto australiano, ou em ilhas perdidas da
Antártica, equipes de especialistas trabalham, incansáveis. Alguns se
preocupam unicamente com o planejamento da logística das guerras
futuras; outros criam bombas-foguetes cada vez maiores, explosivos mais
potentes e em maior quantidade, e blindagens cada vez mais impenetráveis;
outros estão atrás de gases novos e mais mortíferos, ou de venenos solúveis
que possam ser fabricados em quantidade suficiente para destruir a
vegetação de continentes inteiros, ou de linhagens de germes patogênicos
imunizados contra todos os anticorpos possíveis; outros fazem tudo para


produzir um veículo que consiga abrir caminho debaixo da terra como um
submarino dentro d’água, ou um aeroplano tão independente de sua base
quanto um veleiro; outros exploram possibilidades ainda mais remotas,
como focalizar os raios do sol através de lentes suspensas a milhares de
quilômetros de distância no espaço, ou provocar terremotos artificiais e
tsunâmis manipulando o calor do centro da Terra.
Mas nenhum desses projetos jamais chega perto de se realizar, e nenhum
dos três superestados jamais sobrepuja os outros de forma significativa. O
mais notável é que as três potências já possuem, na bomba atômica, uma
arma muito mais poderosa do que qualquer outra que suas pesquisas atuais
tenham condições de descobrir. Embora o Partido se comporte exatamente
da maneira habitual, reivindicando a invenção para si, as primeiras bombas
atômicas apareceram ainda no início da década de 1940 e só foram usadas
em larga escala cerca de dez anos depois. Naquela época, algumas centenas
de bombas foram jogadas em centros industriais, sobretudo na Rússia
europeia, na Europa Ocidental e na América do Norte. O resultado foi que
os grupos governantes de todos os países se convenceram de que com
algumas bombas atômicas mais, a sociedade organizada chegaria ao fim,
bem como seu próprio poder. A partir de então, embora nenhum acordo
formal tivesse sido celebrado ou mesmo discutido, não se jogaram mais
bombas. As três potências limitam-se a continuar produzindo bombas
atômicas e a armazená-las para a oportunidade decisiva que todas acreditam
que, mais cedo ou mais tarde, há de chegar. E, enquanto isso, a arte da
guerra permanecia quase estacionária durante trinta ou quarenta anos. Os
helicópteros são mais usados do que antes, os aviões bombardeiros foram
em ampla medida suplantados por projéteis autoimpulsionados, e o frágil e
móvel navio de batalha deu lugar à Fortaleza Flutuante, praticamente
impossível de afundar. Fora isso, porém, quase não houve desenvolvimento.
O tanque, o submarino, o torpedo, a metralhadora, até o rifle e a granada
continuam sendo usados. E, a despeito dos massacres intermináveis
relatados pela imprensa e pelas teletelas, jamais se repetiram as batalhas
desesperadas de antes, em que centenas de milhares ou mesmo milhões de
homens muitas vezes eram mortos em poucas semanas.
Nenhum dos três superestados jamais realiza manobras que envolvam o
risco de derrotas sérias. Quando empreendem uma operação de grandes
proporções, em geral é um ataque-surpresa contra um aliado. A estratégia


adotada — ou pretensamente adotada — pelas três potências é idêntica. O
plano é adquirir, graças a uma combinação de combates, barganhas e golpes
bem planejados de traição, um círculo de bases que cerquem
completamente um ou outro dos Estados rivais, e depois assinar um pacto
de amizade com esse mesmo rival e manter relações pacíficas com ele
durante um número suficiente de anos para acalmar toda suspeita. Durante
esse período de trégua, todos os pontos estratégicos serão abastecidos com
foguetes carregados de bombas atômicas; por fim, todos serão disparados
simultaneamente, e seus efeitos devastadores impossibilitarão toda e
qualquer reação. Será o momento de assinar um pacto de amizade com a
potência mundial remanescente, já preparando o ataque seguinte. Nem é
preciso dizer que esse esquema é um mero devaneio: sua realização é
impossível. Além disso, todos os confrontos se dão nas áreas disputadas
próximas ao equador e ao polo: os territórios inimigos jamais são invadidos.
Isso explica o fato de que em alguns lugares as fronteiras entre os
superestados são arbitrárias. A Eurásia, por exemplo, poderia facilmente
conquistar as Ilhas Britânicas, que geograficamente fazem parte da Europa,
ou, por outro lado, a Oceânia poderia facilmente empurrar suas fronteiras
até o Reno, ou mesmo até o Vístula. Fazê-lo, porém, seria violar o princípio
adotado por todas as partes — mas jamais formulado —, de integridade
cultural. Se a Oceânia fosse conquistar as áreas que um dia foram
conhecidas como França e Alemanha, seria necessário ou bem exterminar
seus habitantes, empreendimento de grande dificuldade física, ou bem
assimilar uma população de cerca de cem milhões de pessoas que, no
tocante a desenvolvimento técnico, encontra-se perto do nível dos
habitantes da Oceânia. O problema é o mesmo para os três superestados. É
absolutamente necessário para suas estruturas que não haja contato com
estrangeiros, exceto, até certo ponto, com prisioneiros de guerra e escravos
negros. Mesmo o aliado oficial do momento é sempre visto com profundas
suspeitas. Fora os prisioneiros de guerra, o cidadão médio da Oceânia
jamais põe os olhos num cidadão da Eurásia ou da Lestásia, e está proibido
de conhecer idiomas estrangeiros. Se tivesse permissão para manter contato
com estrangeiros, descobriria que são criaturas semelhantes a ele, e que
quase tudo o que lhe disseram sobre essas pessoas é mentira. O mundo
lacrado em que vive seria aberto, e o medo, o ódio e a presunção sobre os
quais se apoia sua disposição para a luta poderiam evaporar-se. Diante


disso, todos os lados percebem claramente que por mais que Pérsia, Ceilão,
Egito ou Java troquem de mãos, suas fronteiras jamais deverão ser cruzadas
por nada que não sejam bombas.
Por trás disso tudo há um fato jamais mencionado de viva voz, mas que é
entendido tacitamente e que justifica uma série de ações: as condições de
vida nos três superestados são quase as mesmas. Na Oceânia a filosofia
vigente tem o nome de Socing; na Eurásia tem o nome de neobolchevismo;
na Lestásia tem um nome chinês que costuma ser traduzido por Adoração
da Morte, mas que talvez fosse mais bem representado por Obliteração da
Identidade. O cidadão da Oceânia está proibido de se inteirar de quaisquer
detalhes dos credos das outras duas filosofias, mas aprende a execrá-las
como ofensas bárbaras à moralidade e ao bom senso. Na verdade, as três
filosofias não têm quase nenhuma diferença entre si, e os sistemas sociais
que elas justificam são idênticos. Em toda parte existe a mesma estrutura
piramidal, a mesma adoração a um líder semidivino, a mesma economia
justificada única e exclusivamente por uma atividade contínua de guerra.
Em decorrência, os três superestados, além de não terem como conquistar
uns aos outros, não alcançariam vantagem alguma se o fizessem. Ao
contrário, enquanto permanecerem em conflito promovem um ao outro,
como três fardos de milho. E, como de hábito, os grupos dominantes das
três potências sabem e não sabem, ao mesmo tempo, o que estão fazendo.
Dedicam suas vidas a conquistar o mundo, mas têm consciência de que a
guerra necessita prosseguir para sempre, sem vitória de nenhuma parte.
Enquanto isso, o fato de que não há possibilidade de conquista permite a
denegação da realidade, que consiste na principal característica do Socing e
de seus sistemas rivais de pensamento. Quanto a esse ponto, convém repetir
o que já dissemos antes, ou seja: pelo fato de tornar-se contínua, a guerra
mudou fundamentalmente de caráter.
Em outros tempos, a guerra, quase por definição, era uma coisa que mais
cedo ou mais tarde chegava ao fim — em geral com uma vitória ou uma
derrota inquestionável. No passado, também, a guerra era um dos principais
instrumentos por meio dos quais as sociedades humanas eram mantidas em
contato com a realidade física. Todos os governantes de todos os tempos
tentaram impor uma falsa visão do mundo a seus seguidores, sem poder,
contudo, dar-se ao luxo de estimular ilusões que significassem prejuízo à
eficiência militar. Sempre que “derrota” significasse a perda da


independência ou qualquer outro resultado geralmente visto como
indesejável, as precauções contra a derrota tinham de ser sérias. Impossível
ignorar fatos físicos. Em filosofia, religião, ética e política, talvez o
resultado de dois e dois seja cinco, mas quando se trata de projetar uma
arma de fogo ou um avião, o resultado tem de ser quatro. Mais cedo ou
mais tarde, as nações ineficientes eram conquistadas, e a busca por
eficiência era prejudicial às ilusões. Mais: para ser eficiente era necessário
ser capaz de aprender com o passado, o que significava ter uma ideia
bastante clara de todos os fatos do passado. Jornais e livros de história eram
sempre enfeitados e parciais, claro, mas falsificação do tipo praticado hoje
seria algo impossível. A guerra era uma salvaguarda segura da sanidade
mental, e enquanto os interesses das classes dominantes estivessem em
jogo, provavelmente era a mais importante de todas as salvaguardas.
Mas quando a guerra se torna, sem exagero, contínua, ela também deixa
de ser perigosa. Quando a guerra é contínua, não existe isso que
denominamos “necessidade militar”. O progresso técnico pode cessar e os
fatos mais palpáveis podem ser negados ou desconsiderados. Como vimos,
ainda se realizam pesquisas que poderiam ser consideradas científicas,
sempre para atender a necessidades bélicas, mas elas são essencialmente um
tipo de devaneio, e o fato de que careçam de resultados não tem a menor
importância. A eficiência, mesmo a eficiência militar, torna-se
desnecessária. Nada é eficiente na Oceânia, exceto a Polícia das Ideias.
Visto que os três superestados são inconquistáveis, cada um deles é, na
realidade, um universo separado no interior do qual é seguro praticar quase
todo tipo de perversão do pensamento. A realidade somente exerce pressão
por intermédio das necessidades da vida diária — a necessidade de comer e
beber, de conseguir abrigo e roupas, de evitar a ingestão de veneno ou a
queda de janelas de andares elevados, coisas do tipo. Entre a vida e a morte
e entre o prazer físico e a dor física ainda existe uma diferença, mas isso é
tudo. Destituído de contato com o mundo externo e com o passado, o
cidadão da Oceânia é como um homem no espaço interestelar, que não tem
como saber o que está acima e o que está abaixo. Os dirigentes desse tipo
de Estado conseguiram ser mais absolutistas que faraós e césares. Verdade
que são obrigados a evitar que seus seguidores morram de fome em número
muito elevado — fato que poderia prejudicá-los — e que são obrigados a


manter o baixo nível de técnica militar dos rivais; mas, uma vez obtido o
mínimo, podem torcer a realidade na direção que lhes aprouver.
A guerra, portanto, se julgada pelos parâmetros das guerras anteriores,
não passa de impostura. É como as lutas entre certos animais ruminantes
cujos chifres estão implantados num ângulo que impossibilita que um fira o
outro. Ser irreal, porém, não significa que ela não tenha significado. A
guerra devora o excedente de bens e contribui para preservar a atmosfera
mental que convém a uma sociedade hierárquica. Hoje a guerra é apenas,
como veremos, um assunto puramente interno. No passado, os grupos
dominantes de todos os países, mesmo reconhecendo seus interesses
comuns e com isso limitando a força destruidora da guerra, de fato lutavam
uns contra os outros, e o vencedor sempre saqueava o vencido. Hoje eles
não lutam entre si. Absolutamente. A guerra se trava entre cada grupo
dominante e seus próprios súditos, e o objetivo dela não é obter ou evitar
conquistas de território, mas manter intacta a estrutura social. A própria
palavra “guerra”, portanto, tornou-se ambígua. É provável que fosse correto
afirmar que ao se tornar contínua a guerra deixou de existir. A pressão
peculiar que ela exerceu sobre os seres humanos entre o Neolítico e o início
do século 
XX
desapareceu e foi substituída por coisa bem diferente. O efeito
seria o mesmo, em ampla medida, se os três superestados, em vez de lutar
um contra o outro, concordassem em viver numa paz perpétua, cada um
inviolado dentro das próprias fronteiras. Porque nesse caso cada um deles
continuaria sendo um universo autossuficiente, livre para sempre da
influência moderadora do perigo externo. Uma paz que fosse de fato
permanente seria idêntica a uma guerra permanente. Esse — embora a
imensa maioria dos membros do Partido só o compreenda de forma
superficial — é o significado profundo do lema do Partido Guerra é Paz.
Winston interrompeu a leitura por um momento. Em algum lugar ao longe
trovejou uma bomba-foguete. O sentimento abençoado de estar sozinho
com o livro proibido num aposento sem teletela não se dissipara. A solidão
e a segurança eram sensações físicas que de alguma forma se fundiam ao
cansaço de seu corpo, à maciez da poltrona, à carícia que a brisa suave que
entrava pela janela fazia em seu rosto. O livro o fascinava, ou, mais
exatamente, tranquilizava-o. Em certo sentido não lhe dizia nada de novo, o
que era parte do fascínio. Dizia o que ele teria dito, se tivesse a capacidade
de organizar seus pensamentos dispersos. Era o produto de uma mente


semelhante à dele, porém muitíssimo mais poderosa, mais sistemática,
menos amedrontada. Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe
dizem o que você já sabe. Acabara de voltar ao Capítulo 
I
,
Quando ouviu os
passos de Julia na escada e ergueu-se da poltrona para ir ao encontro dela.
Julia largou a bolsa marrom de ferramentas no chão e se jogou nos braços
dele. Fazia mais de uma semana que não se encontravam.
“Estou com o livro”, disse ele, quando os dois se soltaram.
“É mesmo? Que bom”, disse ela sem grande interesse, e quase no mesmo
instante ajoelhou-se ao lado do fogareiro a óleo para fazer café.
Só voltaram ao assunto depois de passar meia hora na cama. A noite
estava fria o suficiente para que puxassem a colcha. Da rua vinha o ruído
familiar de cantorias e pés roçando as lajes. A mulher vigorosa de braços
vermelhos que Winston vira em sua primeira visita parecia fazer parte do
pátio. Pelo jeito não havia hora do dia em que ela não estivesse caminhando
de lá para cá entre o tanque e o varal, ora sufocando a si mesma com
prendedores de roupa, ora cantando canções maliciosas a plenos pulmões.
Julia se acomodara em seu lado da cama e já parecia a ponto de adormecer.
Ele estendeu o braço, apanhou o livro do chão e sentou-se com o tronco
apoiado na cabeceira da cama.
“Precisamos ler isto”, disse. “Você também. Todos os membros da
Confraria precisam lê-lo.”
“Por que você não lê?”, disse ela de olhos fechados. “Leia alto. É a
melhor maneira. E você pode ir me explicando enquanto lê.”
Os ponteiros do relógio marcavam seis, ou seja, dezoito horas. Tinham
três ou quatro horas pela frente. Ele ajeitou o livro sobre os joelhos e
começou a ler:

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