1984 Edição especial


Partes dessa área estão sempre trocando de mãos, e é a possibilidade de



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1984 - Edicao especial - George Orwell
07 - Cronograma de Julho 2022

Partes dessa área estão sempre trocando de mãos, e é a possibilidade de
tomar este ou aquele fragmento mediante um ato súbito de traição que
determina as infinitas alterações de alinhamento.
Todos os territórios disputados contêm minérios valiosos, e alguns deles
são produtores de bens agrícolas importantes, como a borracha, que nos
climas mais frios é preciso produzir sinteticamente através de técnicas um
tanto onerosas. Mas, acima de tudo, esses territórios contêm uma reserva
infinita de mão de obra barata. Seja qual for a potência que, num momento
dado, controla a África Equatorial, ou os países do Oriente Médio, ou a
Índia Meridional, ou o Arquipélago Indonésio, essa potência também
dispõe dos corpos de dezenas ou centenas de milhões de trabalhadores
braçais operosos e mal pagos. Os habitantes dessas áreas, reduzidos de
forma mais ou menos explícita à condição de escravos, passam
continuamente das mãos de um para as mãos de outro conquistador, e são
usados como se fossem carvão ou óleo na corrida para fabricar mais
armamento, para conquistar mais territórios, para controlar mais força de
trabalho, para fabricar mais armamento, para conquistar mais territórios, e
assim por diante infinitamente. Convém observar que os combates nunca
chegam a ultrapassar as fronteiras das áreas disputadas. As fronteiras da
Eurásia vão e vêm entre a bacia do Congo e o litoral norte do Mediterrâneo;
as ilhas do oceano Índico e do Pacífico estão constantemente sendo
capturadas e recapturadas pela Oceânia ou pela Lestásia; na Mongólia, a
linha divisória entre a Eurásia e a Lestásia jamais é estável; em torno do
polo, as três potências dizem ter direito a enormes territórios que na
realidade são, em grande medida, desabitados e inexplorados: mas o
equilíbrio de poder sempre permanece grosso modo equilibrado, e o
território que forma o interior de cada superestado sempre permanece
inviolado. Além disso, o trabalho dos povos explorados das cercanias do
equador não é realmente necessário à economia mundial. Esses povos nada
acrescentam à riqueza do mundo, visto que tudo o que produzem é usado
para fins de guerra, e o objetivo de travar uma guerra é sempre estar em
melhor posição para travar outra guerra. Com seu trabalho, as populações
escravas permitem que se acelere o ritmo da guerra contínua. No entanto, se
não existissem, a estrutura da sociedade mundial e o processo graças ao
qual ela se mantém não apresentariam diferenças essenciais.


O objetivo primário da guerra moderna (em consonância com os
princípios do duplipensamento, esse objetivo é ao mesmo tempo
reconhecido e não reconhecido pelos cérebros dirigentes do Núcleo do
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