1984 Edição especial



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1984 - Edicao especial - George Orwell
07 - Cronograma de Julho 2022
George Packer nasceu na Califórnia em 1960. É repórter da revista The
New Yorker e autor de Desagregação: Por dentro de uma nova América,
ganhador do National Book Award de 2013, e The Assassins’ Gate:
America in Iraq, finalista do prêmio Pulitzer em 2006. Também escreveu
romances e uma peça de teatro, além de ser o responsável por uma edição
em dois volumes reunindo os ensaios de George Orwell.



SOBRE O AUTOR 
E OS COLABORADORES


George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 25 de junho
de 1903, em Motihari, Bengala, Índia. Já em seu primeiro livro, Na pior em
Paris e Londres, de 1933, passou a assinar como George Orwell (o
sobrenome é derivado do rio Orwell, na região da Ânglia Oriental).
Orwell nasceu na classe dos administradores coloniais de Bengala. O pai
era um funcionário subalterno no serviço público indiano; a mãe, de
ascendência francesa, era filha de um malsucedido negociante de teca na
Birmânia (atual Mianmar). As atitudes dos pais eram as da “aristocracia
sem terra”, como Orwell mais tarde chamaria a classe média baixa cujas
pretensões a privilégios sociais tinham pouca relação com seu nível de
renda. Desse modo, Orwell foi criado numa atmosfera de esnobismo
empobrecido.
Após retornar com os pais para a Inglaterra, foi enviado em 1911 a um
internato no litoral de Sussex. Posteriormente, recebeu bolsas para dois dos
mais conceituados colégios do país, Wellington e Eton. Depois de
frequentar o primeiro por um breve período, continuou os estudos no
segundo, onde permaneceu de 1917 a 1921. Aldous Huxley foi um de seus
mestres em Eton, onde Orwell teve um texto publicado pela primeira vez,
numa revista acadêmica.
Em vez de se matricular numa universidade, Orwell preferiu seguir a
tradição familiar e, em 1922, seguiu para a Birmânia a fim de ocupar o
cargo de vice-superintendente distrital da Polícia Imperial Indiana. Serviu
ali em diversos postos e, a princípio, parecia ser um funcionário imperial
exemplar. No entanto, desde pequeno queria ser escritor e, ao se dar conta


do quanto o domínio britânico era contrário à vontade dos birmaneses,
passou a se envergonhar cada vez mais de seu papel como oficial da polícia
colonial.
Em 1927, gozando de licença na Inglaterra, Orwell decidiu não retornar à
Birmânia. Em 1o de janeiro de 1928, tomou a decisão de se demitir da
polícia imperial. Já no outono do ano anterior havia se lançado no tipo de
vida que lhe iria determinar o caráter como escritor. Mergulhou no mundo
dos miseráveis e dos párias da Europa. Vestindo roupas surradas, passou a
viver, no East End londrino, em albergues baratos frequentados por
trabalhadores e mendigos; morou um tempo nos cortiços de Paris,
trabalhando como lavador de pratos em hotéis e restaurantes da capital
francesa; percorreu os caminhos do interior da Inglaterra ao lado de
vagabundos profissionais, e juntou-se aos moradores das áreas pobres de
Londres em seu êxodo anual para trabalhar na colheita de lúpulo na região
de Kent.
Tais experiências proporcionaram a Orwell o material de Na pior em
Paris e Londres, no qual incidentes verídicos são rearranjados em algo
similar à ficção. O primeiro romance de Orwell, Dias na Birmânia, de
1934, estabeleceu o padrão das obras de ficção posteriores, ao retratar um
indivíduo sensível, consciencioso e emocionalmente isolado que não se
adapta a um ambiente social opressivo ou desonesto. O protagonista dessa
obra é um administrador subalterno que procura escapar da influência
tacanha de seus companheiros colonialistas britânicos na Birmânia. A
simpatia que sente pelos birmaneses, porém, termina numa imprevista
tragédia pessoal. No romance seguinte, A filha do reverendo, de 1935, a
personagem central é uma solteirona infeliz e oprimida pelo pai que alcança
uma breve e acidental liberação após sofrer um ataque de amnésia. A flor da
Inglaterra, de 1936, tem como tema um vendedor de livraria, de inclinações
literárias, que despreza o materialismo vazio da existência de classe média,
mas no fim acaba reconciliado com a prosperidade burguesa ao se ver
forçado a casar com a jovem que ama.
A repulsa de Orwell ao imperalismo levou-o não só a rejeitar para si o
modo de vida burguês, como também a uma reorientação política. Logo
após voltar da Birmânia, passou a se considerar anarquista, e assim
continuou por vários anos. Durante a década de 1930, contudo, começou a
se definir como socialista. A primeira obra socialista de Orwell, publicada


em 1937, foi um original e pouco ortodoxo tratado político, intitulado O
caminho para Wigan Pier. O livro começa pela descrição de suas
experiências da época em que viveu entre os mineiros despossuídos e
desempregados no norte da Inglaterra, partilhando e observando a vida que
levavam, e termina com uma série de críticas incisivas aos movimentos
socialistas existentes. A obra mescla uma reportagem mordaz e um tom de
ira generosa que viriam a marcar as produções subsequentes de Orwell.
Quando O caminho para Wigan Pier foi lançado, Orwell estava na
Espanha, onde fora com a intenção de cobrir a Guerra Civil. Contudo, lá
ficou e alistou-se na milícia republicana, servindo nas frentes de Aragão e
Teruel, onde acabou ferido na garganta, o que afetou para sempre sua fala.
Mais tarde, em maio de 1937, depois de lutar em Barcelona contra os
comunistas que tentavam eliminar seus opositores políticos, viu-se obrigado
a fugir do país para não ser morto. Dessa experiência saiu com horror ao
comunismo, que expressou no vívido relato de suas tribulações espanholas,
Lutando na Espanha, de 1938.
De volta à Inglaterra, em 1939 publica Um pouco de ar, por favor!, no
qual usa as lembranças de um homem de meia-idade para exprimir os
temores diante de um futuro ameaçado pela guerra e pelo fascismo. Quando
de fato eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Orwell, incapacitado para o
serviço militar, tornou-se um dos responsáveis pelos programas
radiofônicos do Serviço Indiano da 
BBC
. Em 1943, deixou a emissora e
tornou-se editor de literatura no jornal socialista Tribune. Nesse período,
produziu muitos artigos e resenhas para várias publicações, e também
críticas de maior fôlego, além de obras sobre a Inglaterra (em especial O
leão e o unicórnio, de 1941) que combinavam o sentimento patriótico com
a defesa de um socialismo libertário.
Em 1944, concluiu A revolução dos bichos, no qual um grupo de animais
se revolta e expulsa da granja os senhores humanos e exploradores,
estabelecendo eles mesmos uma sociedade igualitária. No final, os líderes
dos animais, porcos inteligentes e sequiosos de poder, subvertem a
revolução e impõem uma ditadura ainda mais opressiva e impiedosa que a
anterior (“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que
outros”). Orwell encontrou dificuldade para achar uma editora para essa
pequena obra-prima, mas quando foi lançado, em 1945, o livro trouxe-lhe
muita fama e, pela primeira vez na vida, dinheiro. A revolução dos bichos,


no entanto, acabou sendo ofuscada por seu livro derradeiro, 1984.
Publicado em 1949, 1984 é um romance monumental que Orwell escreveu
após anos de meditação sobre as ameaças do nazismo e do stalinismo. A
ação se passa num futuro imaginário no qual o mundo encontra-se sob o
domínio de três Estados policiais totalitários sempre em guerra. O herói do
romance, o inglês Winston Smith, é um pequeno funcionário do partido
num desses Estados. A sua nostalgia pela verdade e pela decência o leva a
se rebelar secretamente contra o governo, cujo domínio se perpetua por
meio da sistemática deturpação da verdade e da incessante reescrita da
história de modo que atenda a seus propósitos.
O alerta de Orwell em 1984 sobre os perigos do totalitarismo causou
forte impressão em seus contemporâneos e em seus leitores subsequentes.
Tanto o título do livro como as palavras e expressões cunhadas pelo autor
(“O Grande Irmão está de olho em você”, “Novafala”, “Duplipensamento”)
tornaram-se termos correntes para os modernos abusos políticos. Orwell
escreveu as páginas finais de 1984 numa casa remota, na ilha de Jura, nas
Hébridas. Lá ele trabalhou febrilmente entre períodos internado por causa
de uma tuberculose pulmonar, que o levou à morte em 21 de janeiro de
1950, em um hospital de Londres, aos 46 anos.


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