1984 Edição especial



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1984 - Edicao especial - George Orwell
07 - Cronograma de Julho 2022



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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais
lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir
a um novo nível."
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Sumário
Capa
Folha de rosto
Sumário
APRESENTAÇÃO: 
1984: Recepção problemática e o paradoxo do exílio - 
MARCELO PEN
1984
PARTE 1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
PARTE 2
1.
2.
3.
4.
5.
6.


7.
8.
9.
10.
PARTE 3
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Apêndice: Os princípios da Novafala
1984: 70 ANOS EM CAPAS
FORTUNA CRÍTICA
1984 - 
GOLO MANN
1984
A história como pesadelo - 
IRVING HOWE
Mil novecentos e oitenta e quatro em 1984: Como o romance
nos ajuda a entender o ano? - 
RAYMOND WILLIAMS
Rumo a 1984 - 
THOMAS PYNCHON
duplifalar e a minoria de um - 
HOMI K. BHABHA
A morte da piedade: Orwell e a vida política americana -
MARTHA C. NUSSBAUM


Mil novecentos e oitenta e quatro: Contexto e controvérsia -
BERNARD CRICK
duplipensamento é mais forte do que Orwell imaginava: o
que 1984 significa atualmente - 
GEORGE PACKER
SOBRE O AUTOR E OS
COLABORADORES
CRÉDITOS


 
 
 
 
 
 
 












APRESENTAÇÃO


1984: RECEPÇÃO 
PROBLEMÁTICA 
E O PARADOXO 
DO EXÍLIO
MARCELO PEN


Ninguém está verdadeiramente isento de
tendências políticas. A opinião de que arte
não deveria ter a ver com política é em si
mesma uma atitude política.
GEORGE ORWELL
, “Por que escrevo”
1
Setenta anos depois de seu lançamento, a história da recepção de 1984 é
quase tão intensa, tortuosa e controversa quanto a biografia de seu autor.
George Orwell nasceu Eric Arthur Blair em Bengala, na Índia, onde seu pai
trabalhava para o Departamento de Ópio do Serviço Público Indiano da
Grã-Bretanha; estudou em instituições de elite e foi ele próprio durante
cinco anos agente da polícia imperial na Birmânia; viveu com os miseráveis
de Paris e Londres no final dos anos 1920; lutou pela causa republicana na
Guerra Civil Espanhola ao lado de uma milícia minoritária de inspiração
anarquista e trotskista, quando levou um tiro na garganta que quase lhe tirou
a vida. Autointitulado socialista democrático, criticou o socialismo oficial
da Inglaterra e denunciou o governo soviético, o que suscitou a
desconfiança da esquerda britânica e dificultou a publicação, entre outros,
de A revolução dos bichos. Escreveu 1984 em meio a crises de tuberculose,
doença que o matou sete meses depois da publicação da obra. Tinha apenas
46 anos.
O romance obteve sucesso imediato. Até hoje, junto com A revolução
dos bichos, vendeu quase 50 milhões de cópias em mais de sessenta países.
Na época, o uso de 1984 como munição ideológica na Guerra Fria fez
Orwell declarar: “Meu recente romance não consiste num ataque ao


socialismo ou ao Partido Trabalhista Britânico (o qual apoio)”. E completou
que a escolha da Inglaterra como espaço onde se desenrola a ação serviria
para mostrar que “se não for combatido, o totalitarismo pode triunfar em
qualquer parte”.
2
A alegação, somada a um comunicado de imprensa em
que ele associa o totalitarismo gerado nos Estados Unidos ao americanismo,
não impediu o incômodo da crítica progressista nem o impulso defensivo da
crítica conservadora, a julgar, no segundo caso, pelos títulos dos ensaios de
Christopher Hitchens, seu mais ferrenho apologista: A vitória de Orwell 
3
 e
Why Orwell Matters [Por que Orwell tem importância].
A polêmica estende-se para o campo da teoria do conhecimento. Richard
Rorty, por exemplo, baseia-se na ideia de que Orwell ofereceria, com 1984,
um contexto e uma perspectiva alternativos (em oposição ao que seria a
descrição de uma “realidade objetiva”), para defender sua tese de que o
autor propõe relações a partir das quais podemos estabelecer nosso
julgamento com base na ideia de solidariedade social e liberdade, e não no
pressuposto de que, digamos, “a verdade está lá fora”. Por outro lado, o
filósofo James Conant assume posição contrária ao sugerir que o
totalitarismo, na visão de Orwell, fundamenta-se em uma noção de “mentira
institucionalizada”, que nega qualquer possibilidade de liberdade de
pensamento.
4
A controvérsia poderia soar acadêmica se não contivesse o germe de
como 1984 costuma ser reavaliado nos dias atuais. Depois de Donald
Trump prestar o juramento de investidura no cargo de presidente dos
Estados Unidos diante de um grupo de apoiadores menor do que o
esperado, sua assessoria de imprensa divulgou a notícia de que se tratou do
“maior público jamais presente a uma cerimônia de posse”. O argumento
dos “fatos alternativos”, empregado pela então conselheira do presidente
para justificar a impostura, sem dúvida irritaria um defensor do senso
comum e da evidência empírica, como Winston Smith. Como o irritariam a
atual vigilância tecnológica ou o arsenal de fake news, que são acessadas,
repassadas e entendidas como informação fidedigna. Ou o modo como a
própria imprensa hoje se refere aos acontecimentos como narrativas, como
se vivêssemos em meio a um acúmulo de versões divergentes diante das
quais nosso único processo de adesão se dá por simpatia ou ideologia, uma
perspectiva pragmática de mundo para a qual teóricos como Rorty decerto
contribuíram.


Assim, o fantasma de alguma maneira deslocou-se da ameaça do
totalitarismo — ou do fetichismo do Estado, na expressão de Irving Howe
— para a sensação de que “o óbvio, o simplório, o verdadeiro” devem ser
preservados. Se o fetichismo de Estado substituiu o fetichismo das
mercadorias, viveríamos agora sob o fetichismo da alienação? Não deve ser
coincidência que Dorian Lynskey tenha intitulado sua recente crônica sobre
o romance de O Ministério da Verdade, referência ao órgão do governo do
Grande Irmão responsável por destruir informações, falsear a história e
propagar a mentira. “1984 continua sendo o livro ao qual nos voltamos
quando a verdade é mutilada, a linguagem distorcida e o poder violado”,
afirma Lynskey, que salienta que as vendas do livro de Orwell dispararam
10 mil por cento em quatro dias após a afirmação da conselheira de Trump.
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E, se o debate compreende as áreas do direito, da psicologia, da história,
das ciências sociais, muitas vezes com resultados conflitantes, o risco está
em transformar Orwell em um “caso”, como advertiu Raymond Williams
em Culture and Society. “Nós viemos usando-o, desde sua morte, como
base para uma discussão geral”, observou ele, quase sessenta anos atrás.
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Mas uma pergunta que também podemos fazer é se o romance não solicita
que o debatamos, que constantemente o reatualizemos em função das
urgências do momento. O que não significa que outras obras de valor para o
pensamento ocidental, como a OdisseiaDom Quixote ou Dom Casmurro,
não possam ser historicamente reavaliadas e que delas se extraiam novos
significados de acordo com o desenvolvimento histórico.
Poderíamos argumentar que 1984 ainda é relativamente recente diante
dos outros exemplos, o que explica em parte a afirmação de Rorty de que os
melhores romances de Orwell continuarão a ter apelo junto ao grande
público na medida em que “descrevamos a política do século 
XX
do modo
como Orwell a descreveu”. A despeito de opiniões contrárias, então, quem
sabe essa não seria a nossa história? Quem sabe a diferença não estaria na
intensidade com que a experimentamos, no sentido de que teríamos de
tornar mais urgentes, por exemplo, as teses e os ensaios de Walter Benjamin
sobre o conceito de história e o espírito humano, escritos nos anos 1930,
para entender o nosso tempo? Vale ressaltar, aliás, que as famosas teses
antifascistas de Benjamin foram redigidas quase no mesmo período em que
Orwell viria a lutar na Espanha, um momento decisivo para moldar suas
convicções e no qual, para muitos, encontram-se as sementes de 1984.
7


Mas será que acessamos o romance da mesma maneira que lemos O
processoO som e a fúria ou Grande sertão: veredas? Há uma diferença na
forma como as ideias ou opiniões são debatidas, ao modo de alguns
romances russos do século 
XIX
, ou mesmo, se quisermos, Doutor Fausto.
Entretanto, mais do que detectar um dialogismo polifônico, o que
encontramos muitas vezes em 1984 são monólogos. Quando algum
personagem fala ou quando Winston tece suas considerações ou lê a Teoria

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