100 Lendas do Folclore brasileiro



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SACI-PERERÊ
O Saci-pererê disputa, j unto com  o Curupira, o título de personagem  m ais
fam oso do nosso folclore. Sua figura é conhecida em  todo o Brasil, m esm o nas
regiões onde ele é m enos “cultuado”.
Mas nem  sem pre o Saci teve a figura que hoj e conhecem os. Desde a sua
prim eira versão, ele sofreu um a série radical de alterações e acréscim os, até
transform ar-se na versão brasileira dos gnom os e duendes europeus que hoj e
conhecem os.
A versão m ais autenticam ente nacional do Saci é a indígena, que o
apresenta com o um a sim ples ave. (Matintapereira é um a das diversas aves às
quais se atribui a gênese do m ito, m as existe tanta controvérsia sobre o assunto
que podem os estar certos de j am ais virm os a saber a verdade.)
Segundo a crença, essa ave m isteriosa tem  por hábito fazer com  que os
viaj antes se percam  na floresta, graças ao poder do seu canto enganador – o que
tam bém  não é nenhum a novidade, j á que, espalhadas por toda a Am érica Latina,
abundam  aves sim ilares, a ponto de m uitas delas tam bém  terem  se convertido,
com  o passar dos anos, em  clones do nosso Saci (o Crispin argentino, ou o Ecaco
boliviano – com  gorro verm elho e tudo – são apenas dois exem plares da enorm e
lista que se estende da Argentina ao México).
À m edida que o m ito desce para o centro-sul do Brasil, ele vai se
transform ando, por força da influência europeia e africana, até se converter no
m oleque que hoj e conhecem os.
Segue um a breve descrição do Saci:
O Saci é um  m oleque de um a perna só – m uito raram ente apresentado
com  duas – e aparece geralm ente nu, portando apenas um a carapuça verm elha
na cabeça. (A carapuça m ágica é um  elem ento im portado de seus protótipos
europeus – os anões e duendes tam bém  possuem  gorros encantados, capazes de
operar prodígios –, em bora alguns nacionalistas inveterados queiram  ver na
carapuça um a m era adaptação da cabeleira verm elha do curupira, sem  atentar
para o fato de que tam bém  o nosso m oleque dos pés invertidos está repleto de
traços alienígenas.) Além  de tornar o Saci invisível, a carapuça, um a vez
arrancada da sua cabeça, tem  o dom  de prem iar o ladrão com  pedidos m ágicos.
O Saci é personagem  traquinas por excelência: além  de extraviar viaj antes
e de prom over toda sorte de bagunças no lar, gosta m uito tam bém  de m ontar em
cavalos e prom over disparadas noturnas, fazendo um a m açaroca nas crinas dos
bichos. Fum a feito um  condenado e perde as estribeiras com  todo viaj ante que se
recusa a reabastecer o seu cachim bo. Anda invariavelm ente no interior de um
redem oinho e pode ser apanhado se o caçador de sacis atirar, bem  no m eio, um a
peneira invertida, trançada em  form a de cruz, ou um  terço ou um  rosário de
capim . Alguns tam bém  o apresentam  com  as m ãos furadas, outro detalhe
im portado, retirado do seu protótipo português, o Fradinho da Mão Furada, prim o-
irm ão da Pisadeira e de outras entidades m aléficas do pesadelo. (As m ãos
furadas são para im pedir que a vítim a m orra sufocada durante as suas investidas
noturnas.)


TUTU
Irm ão do Bicho-Papão e do Boi da Cara Preta, o Tutu é um a criatura toda
negra, sem  ter, porém , form a discernível algum a. (A palavra Tutu, segundo
Câm ara Cascudo, provém  do term o africano quitutu, que significa “ogro” ou
“papão”.)
Apesar de não ser tão popular quanto o Bicho-Papão, que chegou a virar
term o proverbial, o Tutu é senhor dos terrores noturnos infantis na Bahia, em
Pernam buco, no Rio de Janeiro e em  Minas Gerais.
Existem  várias m odalidades da criatura, das quais a m ais singular é a do
Tutu-zam bê, que, além  de não possuir form a, não possui tam bém  a cabeça. Na
Bahia, por sua vez, o Tutu deixa de ser um a m era som bra para assum ir a form a
explícita de um  porco-do-m ato, graças à sem elhança dos term os tutu e caititu. (O
caititu, ou queixada, é um a espécie de porco selvagem , m ontaria predileta do
Caipora nortista.)
Segundo a crença, o Tutu persegue as crianças arteiras e, principalm ente,
aquelas que não querem  dorm ir. O m ito, segundo Câm ara Cascudo, é im portado
da Europa e da África. Nossas m ães indígenas, ao contrário, preferiam  invocar,
num a adm irável lição de delicadeza, o auxílio dos pássaros ou anim ais de sono
prolongado, a fim  de que o em prestassem  a seus indiozinhos insones. (Acatipuru,
empresta teu sono / para meu filho dormir... / Iacuturu, empresta teu sono / para
meu pequeno filho dormir..., diz, com o num a oração, o suave acalanto.)


ZUMBI
O Zum bi é outra criação brasileira calcada no tipo universalm ente
conhecido do m orto-vivo, em bora aqui ele sej a um  fantasm a incorpóreo, e não
um  cadáver teleguiado, com o estam os acostum ados a ver nas recorrentes
versões cinem atográficas. Apesar disso, tornou-se quase im possível dissociar a
im agem  de um  e de outro, de tal form a que, na m entalidade popular, os dois
personagens tornaram -se sósias.
Na versão brasileira, porém , o Zum bi é m ais “elétrico” e gosta de dar susto
nas pessoas, enquanto o m orto-vivo dos film es, m esm o quando está em penhado
em  estraçalhar e m atar, o faz m ergulhado num  estado de apatia catatônica.
Zum bi acabou tornando-se em blem a, tam bém , do m aior herói negro da
nossa nacionalidade, o guerreiro Zum bi dos Palm ares, que nada tinha de apático.
Diz a nossa crendice – e este é um  traço realm ente original do nosso Zum bi
– que, quanto m ais perto a vítim a está dele, m ais ele cresce em  estatura,
inclinando-se para diante de um a form a sinistra.
Graças à origem  africana do term o – nzumbi, “fantasm a” –, o Zum bi é
norm alm ente visto com o um  hom em  negro, m as nada im pede que possam os ver
passeando pelas nossas m atas e cidades versões étnicas m ais claras do ser
am edrontador.
A fam a do Zum bi é m ais consistente nos estados da Bahia, do Rio, de
Minas e de Sergipe.

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