100 Lendas do Folclore brasileiro



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PISADEIRA
O estado de São Paulo e os arredores de Minas Gerais são as duas regiões
onde a Pisadeira, esta verdadeira cria da noite, costum a surgir para espalhar o
seu cortej o horrendo de pesadelos.
Hoj e é coisa firm ada entre os eruditos que a Pisadeira é um  m ito
im portado de Portugal, com  nom e e tudo. Mas não é exclusivo de lá nem  de
lugar algum , pois desde sem pre os povos se acostum aram  à presença incôm oda
desse ser m aléfico, cuj a distração predileta é a de sentar-se sobre o estôm ago do
adorm ecido, im pedindo-lhe a respiração.
Versão popular dos dem ônios noturnos, a Pisadeira é um a alegoria
evidente da indigestão, m oléstia noturna que a insaciável fantasia hum ana dotou
de causas sobrenaturais. (Não é por acaso que a palavra pesadelo provém  de
“peso”.)
O local preferido da Pisadeira são os telhados e as cham inés, por onde ela
se introduz logo no com eço da noite para dar exercício, m ais tarde, às suas
atividades noturnas de perturbadora do sono.
Prim a-irm ã do Fradinho da Mão Furada – tam bém  este um  ente
genuinam ente português – e do nosso brasileiríssim o Jurupari, am bos versados
nas artes do pesadelo, a Pisadeira tem  as feições clássicas da bruxa: nariz adunco
cutucando o queixo apontado para cim a, os olhos chispantes e as gadeias
esparram adas. Apesar de m agricela, ela sabe bem  fazer-se pesar quando se
acocora sobre o estôm ago da sua vítim a (algo que faz com  perfeita naturalidade,
j á que possui as pernas curtas).
Outro atributo fundam ental da Pisadeira são as suas m ãos enorm es, de
dedos aduncos e unhas afiadas. Quando ela pousa essas verdadeiras patas de
m egera sobre o estôm ago do glutão adorm ecido, é aí então que principia para ele
o m artírio noturno.
Mas a coisa pode ser ainda pior: quando a Pisadeira quer mesmo atrapalhar
a vida da sua vítim a, ela lhe pressiona o estôm ago com  firm eza ainda m aior, a
fim  de provocar um  vôm ito que, pela posição do adorm ecido, pode levá-lo até a
m orte por sufocação
Na m aioria das vezes, porém , após debater-se um a noite inteira, o m ais
terrível que pode suceder ao com ilão ou beberrão im prudente é acordar na
m anhã seguinte com  as faces arranhadas pelas unhas aduncas da dem ônia e um
belo par de olheiras.



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