100 Lendas do Folclore brasileiro


A VING ANÇA DE MAIRE-POCHY



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A VING ANÇA DE MAIRE-POCHY
A saga dos descendentes de Monan não term inou com  os dois irm ãos do
conto anterior. Depois deles, vieram  outros, e dentre esses sobressaiu-se um  certo
Maire-Pochy .
Apesar da nobre ascendência, Maire-Pochy , por algum a desgraça do
destino, nascera votado à infelicidade. Além  de servo do cacique, ele era feio e
corcunda.
Maire-Pochy  gostava de pescar, e certo dia trouxe do rio um  belo peixe.
Ao vê-lo, a filha do seu am o lam beu os lábios de apetite.
– Que beleza! Tudo faria para saboreá-lo!
Maire-Pochy  correu logo a preparar, ele m esm o, o belo peixe no
m oquém , um a espécie de grelha na qual os índios assam  a carne.
O peixe devia ser m uito especial, pois tão logo a j ovem  o com eu, ficou
grávida. O m enino nasceu com  um a rapidez inaudita, e logo o pai da j ovem  quis
saber quem  era o pai da criança.
Mas ninguém  se apresentou, o que obrigou o cacique a ter um a conversa
com  o paj é.
– Os m iseráveis estão calados, e ninguém  quer assum ir a paternidade! –
disse o m orubixaba. – Com o hei de saber quem  é o pai da criança?
O paj é, porém , que tinha receitas para todos os m ales, tinha um a tam bém
para este.
– É fácil descobrir – disse ele, com  um a em páfia serena. – Reúna todos os
hom ens da tribo e os faça desfilar diante da j ovem  portando seus arcos. Quando
o verdadeiro pai se apresentar, a criança tocará o seu arco.
O cacique fez com o o paj é dissera, e todos os hom ens saudáveis da tribo
desfilaram  diante da j ovem  com  o bebê ao colo. Mais de cem  índios, de todos os
tam anhos, passaram  à frente do bebê, m as ele não tocou o arco de nenhum
deles.
Então, o terror cresceu na alm a do cacique.
– Será Anhangá, o espírito m au, o pai da criança?
Mas, quando todos j á estavam  se dispersando, o paj é gritou:
– Esperem ! Faltou Maire-Pochy , o corcunda!
Um  coro de risos explodiu entre os índios.
– Está brincando? – exclam ou o cacique ao paj é.
– Ele é um  hom em  saudável, apesar da aparência – disse o paj é. – Que
desfile tam bém !
Então Maire-Pochy  desfilou diante da índia e de seu bebê. Assim  que ele
passou diante dos dois, portando o seu arco, o garoto esticou o bracinho e fez
vibrar a corda.
Um  som  parecido com  o da harpa soou, fazendo calar a tribo inteira.
– Afronta e vergonha! – gritou o m orubixaba, fuzilando a filha com  os


olhos.
No m esm o dia, o cacique ordenou que a tribo inteira partisse daquele lugar,
abandonando a filha e o neto j unto com  Maire-Pochy .
– De hoj e em  diante, não tenho m ais filha! – esbravej ou o cacique, antes
de partir.
Desde aquele dia, a taba florescente converteu-se num a taba-fantasm a,
habitada apenas pela m ulher, a criança e Maire-Pochy .
Mal sabia, porém , o cacique que, ao partir, levara consigo um a m aldição,
pois nas novas terras verdej antes onde a tribo se instalou não crescia m ais um
único talo de erva, a água havia secado e toda a criação perecera.
– Isto só pode ser um a m aldição de Maire-Pochy ! – disse o cacique.
Nas terras onde haviam  perm anecido o corcunda e a índia, tudo continuava
às m il m aravilhas: as plantações brotavam  por si m esm as, a água corria fresca e
estuante e os anim ais procriavam  com o coelhos.
Ao saber dos infortúnios do cacique, Maire-Pochy  m andou dizer a ele que
poderiam  vir abastecer-se nas terras onde agora era o senhor.
– Maire-Pochy  diz que não guarda m ágoa algum a – disse o em issário ao
cacique.
O m orubixaba pensou um  pouco e disse:
– É, não tem  outro j eito, vam os ter de nos hum ilhar diante daquele
m iserável!
Então apresentaram -se diante do corcunda e da j ovem .
– Abasteçam -se de tudo quanto quiserem  – disse Maire-Pochy , com  um  ar
piedoso.
Os esfom eados se lançaram  à com ida farta, espalhada por dúzias de
m oquéns. Ao experim entarem  os pitéus, no entanto, sobreveio im ediatam ente a
desgraça, pois tudo não passava de um a arm adilha. Logo todos com eçaram  a se
converter em  porcos, em  grilos e em  m aracanãs (espécie de arara m enor, de
plum agem  verde). O cacique se converteu num  j acaré, enquanto sua esposa
virou um a tartaruga.
Cum prida a vingança, Maire-Pochy  fez com o o seu antepassado Monan e
subiu às nuvens, para nunca m ais retornar à Terra.



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