100 Lendas do Folclore brasileiro



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A FESTA NO CÉU
Este conto é um  dos m ais fam osos do gênero etiológico, ou sej a, daquele
que explica o porquê de as coisas serem  com o são. Apesar da sua fauna
abundante sugerir um  conto puram ente brasileiro, é certo que se trata de fábula
im portada desde o m ais longínquo Oriente. Esopo, Fedro, La Fontaine e quase
todos os fabulistas do m undo recontaram  esta lenda que pretende explicar a razão
de o sapo – ou, dependendo da versão, a tartaruga ou o j abuti – ter o corpo cheio
de rem endos.
Diz-se, então, que, certa feita, anunciou-se um a festa no céu. Todas as aves
foram  convidadas, m as o sapo, ao saber da coisa, tam bém  quis ir.
– Você? – disse-lhe um  grou, num  tom  de deboche. – E com o pensa chegar
ao céu?
O sapo piscou os olhos arregalados várias vezes, com o quem  é
surpreendido por um a boa pergunta.
– Bem , eu dou um  j eito – disse ele, deixando a questão para depois.
Mas que ele iria, iria.
No m esm o dia, o sapo foi visitar o urubu, que era o tocador de viola oficial
dos bailes celestiais.
– Olá, com padre urubu – disse ele, saltitando.
– Com o vai, com padre sapo? – respondeu o urubu, enquanto afinava a sua
viola.
O urubu tirou alguns acordes, quase sem  dar pela presença do am igo, e
tornou a falar.
– É verdade o que andam  dizendo por aí?
– Dizendo o quê?
– Que você vai à festa no céu.
– Sim , com  toda a certeza.
O urubu dedilhou as cordas m ais um  pouco e não tocou m ais no assunto.
Dali a pouco, o sapo fez m enção de partir.
– Bem , j á vou indo para a festa.
– Já?! Um  dia antes?
– Claro. Com o não tenho asas, devo partir bem  antes que os dem ais.
O sapo partiu, saltitando, enquanto o urubu ficou a sorrir de piedade.
– Coitado! Nem  todos conseguem  se conform ar com  suas lim itações!
Verdade é que ele poderia ter ido além  da com iseração e oferecido um a
carona ao sapo. Mas isso seria um a am olação, afinal, e ele não era tão am igo do
sapo assim  para incom odar-se por ele.
Ao ver, então, que se livrara do sapo, o urubu levantou-se para ir fechar a
casa. Nesse m om ento, porém , o sapo, que não tinha ido em bora coisa nenhum a,
retornou escondido e entrou de novo pelos fundos, indo m eter-se ligeiro no


interior da viola.
– Pronto, agora é ficar bem  quietinho! – disse, encolhendo-se todo no fundo
do instrum ento.
Na m anhã seguinte, o urubu levantou voo na direção do céu, levando a
tiracolo a viola. O sapo fez toda a viagem  ali dentro, sem  se m exer, e foi assim
que chegou ao céu j unto com  o am igo carniceiro.
Quando a festa ia com eçar, o urubu deu os prim eiros acordes na viola e
um  ronco grotesco se fez ouvir de dentro do instrum ento.
– Ora, m as eu afinei-a direitinho ontem  à noite! – disse o urubu,
desculpando-se.
– Esse tal de urubu j á foi violeiro! Já foi...! – disse, de bico em pinado, um a
garça antipática.
O urubu fuzilou a garça com  um  olhar e, depois de afinar novam ente, um a
por um a, as dez cordas da viola, com eçou um a nova m odinha.
– Coach! – fez algo no tam po, quebrando toda a harm onia dos acordes.
Um  coro viperino de risos ecoou pelo céu.
Só então o sapo, surgindo por entre as cordas, fez a sua aparição triunfal.
O urubu, ferido no m ais profundo da sua vaidade artística, sentiu ganas de
estrangular o intruso nas cordas, e só não o fez porque o sapo foi m uito bem
recebido por todos.
Ah, ah, ah!, isto é que era ser engraçado!, diziam  todos, vertendo lágrim as
de riso, enquanto o urubu, de perna trançada, entortava o bico.
Quando tudo cessou, porém , a festa com eçou e se estendeu por todo o dia,
entrando noite adentro. O baile foi um  sucesso trem endo: todo m undo dançou,
com eu, bebeu à vontade, até que, chegada a hora do encerram ento, cada qual
tratou de partir.
Quanto ao sapo, retornou do m esm o m odo que viera, dentro da viola do
urubu.
– Pode vir, am igão! – disse o violeiro, com o quem  j á esquecera o m au
gracej o.
Quando retornavam , porém , em  pleno ar, o urubu tom ou a viola e tocou
alguns acordes, chacoalhando o instrum ento com  tanta força que o sapo saltou
para fora, caindo no abism o.
O pobre sapo veio rebolando pelo ar até esborrachar-se nas pedras,
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