100 Lendas do Folclore brasileiro



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O ADIVINHO
Havia, pois, um  suj eito que, cansado de passar necessidade, decidiu um  dia
fazer-se adivinho. Depois de se apresentar no palácio do rei e provar suas
habilidades divinatórias, conseguiu tornar-se hóspede real. A partir daí, o
sabichão passou a levar um a vida boa e cheia de regalos.
Certo dia, porém , o rei decidiu pôr à prova os dotes fabulosos do seu
adivinho.
– Grande adivinho, preciso dos seus serviços! Algum  m iserável furtou a
m inha coroa real!
O adivinho ergueu-se do seu leito de sedas e, depois de envergar o seu
m anto estrelado e colocar sobre a cabeça o chapéu bicudo de m ago, m andou
reunir no salão real todos os criados do palácio.
Ao chegarem  lá, depararam -se todos com  um a pequena criatura colocada
sobre um  poleiro. Ela estava envolta num  pano tam bém  estrelado.
– Aqui está o galo carij ó de sua m aj estade – anunciou o adivinho, num  tom
cavernoso. – Doravante, cada um  de vós deverá introduzir a m ão por debaixo do
m anto e acariciar as costas do galo. Aquele que o fizer cantar será o culpado do
furto da coroa.
Um  a um , os criados foram  alisar o galo. Cada vez que um  deles introduzia
a m ão por debaixo do m anto, o adivinho gritava algum as palavras extravagantes
com o estas:
– Carij ó real, aponta o ladrão assim  que o larápio m eter-lhe a m ão!
Ficaram  nisso o dia inteiro, até que, encerradas as alisações, o adivinho
m andou todos os criados estenderem  a m ão com  a qual haviam  alisado o carij ó.
De todos os criados, apenas um  não tinha a m ão suj a de fuligem .
– Muito bem , é este o ladrão – disse o m ago ao rei, apontando o suj eito das
m ãos lim pas.
Um  oh! de assom bro subiu até a abóbada do salão e desceu com o um  eco.
– Com o fez para descobrir? – disse o rei, curiosíssim o.
– Muito sim ples, alteza. As costas do carij ó estavam  besuntadas de fuligem .
Todos os que a alisaram  ficaram  com  as m ãos suj as, m as este, tem endo ser
denunciado, apenas fingiu alisá-la.
E foi assim  que, pela prim eira vez naquele reino, um  ladrão teve a cabeça
cortada por ter as m ãos lim pas.



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