100 Lendas do Folclore brasileiro


AVENTURAS DE PEDRO MALAZARTE II



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AVENTURAS DE PEDRO MALAZARTE II
Malazarte andou às voltas com  um  urubu adivinho. Com o tudo isso
aconteceu, saberem os agora.
Andando pela roça, Pedro Malazarte topou, um  dia, com  um  urubu todo
m achucado. Tinha um a asa partida, um a perna quebrada, e as penas no corpo
contavam  um a sim , outra não.
– Para algo ainda há de servir – disse ele, enfiando o bicho m oribundo para
dentro de um  saco.
Pedro seguiu viagem  até chegar, noite alta, a um a casa m uito bonita.
– Ô, de casa, tem  com ida para um  viaj ante? – disse ele, batendo palm as.
Um a m ulher de rosto todo pintado surgiu no vão de um a persiana.
– Não tem  com ida nenhum a, dê o fora! – ralhou ela.
Malazarte subiu num a árvore e viu a m ulher escondendo num  arm ário
várias travessas cheias de com ida, além  de quatro botij as de um  vinho gostoso de
fazer bico.
Malazarte desceu e voltou à carga, batendo palm as.
– Se não tem  com ida, dê-m e abrigo.
– Eia, fora! Meu m arido não está em  casa! – disse ela, azeda. – Não hei de
receber pela porta da frente um  hom em  estranho, com o um a desavergonhada!
Dali a pouco, chegou outro hom em , todo em buçado. Este não era estranho
e foi recebido pela porta dos fundos.
O j antar ia no auge quando o m arido, chegando de repente, desceu do
cavalo e entrou na casa. Assim  que a porta da frente se fechou, a dos fundos se
abriu e o visitante discreto sum iu.
Malazarte achou que era a hora certa para voltar a carga.
– Ó, m eu senhor, dá-m e com ida!
Desta vez, ele foi levado condignam ente até a sala de j antar. A com ida que
veio, porém , era um a lavagem  de porco perto daquela que ele vira pela j anela.
Então, ao se lem brar do urubu, ele com eçou a cochichar algo com  ele.
– Com  quem  o am igo conversa? – disse o dono da casa, revirando no prato
o m ingau fedorento.
– Oh, não é nada, não – disse Malazarte, indiferente. – É só um  urubu
adivinho.
– Urubu adivinho? Esta é forte! Nunca vi tal! Faça-o adivinhar algo!
Então Pedro cochichou com  o bicho m oribundo, que se rem exeu dentro do
saco, lançando um  grasnido lam entável.
– Ele diz que dentro daquele arm ário há com ida e bebida de deuses.
– Mulher, abra j á esse arm ário! – ordenou o dono da casa.
Torcendo a boca de todas as form as, a altíssim a dam a escancarou os
batentes e retirou a com ida apetitosa com  a qual ela e o visitante discreto haviam
se refestelado um  pouco antes.


– Ora viva, este urubu é realm ente prodigioso! – disse o dono da casa.
Malazarte com eu e bebeu do bom  e do m elhor e, antes de se retirar, ainda
vendeu o urubu profeta ao dono da casa por um a pequena fortuna.
Antes de partir, o urubu deu um  silvo, e o dono da casa quis saber o que
era.
– Ele acabou de profetizar a coisa m ais im portante da vida dele.
Malazarte picou a m ula e, logo depois, o urubu deu o couro às varas, ou
sej a, m orreu.



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