100 Lendas do Folclore brasileiro



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OS Q UATRO LADRÕES
Segundo Câm ara Cascudo, o conto que vam os ler agora é tão antigo “que
fazia rir aos cruzados”. “Os quatro ladrões”, de fato, é um  dos contos m ais
dissem inados pelo m undo – sua prim eira aparição se fez na Índia, na m ais
rem ota Antiguidade, até encontrar no Brasil a sua m oderna versão tropical.
Diz-se, pois, que quatro ladrões estavam  descansando certo dia debaixo de
um a árvore quando viram  passar um  suj eito gordo levando consigo um  boi
enorm e e rechonchudo.
– Vej am , am igos! – disse o Ladrão Um . – Ali tem os carne para o ano
todo!
– Psiu! Vam os passar logo a perna no bobo – disse o Ladrão Três.
O Ladrão Quatro, que não era de m uita conversa, sim plesm ente seguiu os
dem ais.
Já estavam  quase chegando quando o Ladrão Um  teve um a ideia m elhor.
– Mesm o estando em  quatro, este gorducho ainda pode nos criar
problem as. Vam os nos separar e fazer o seguinte.
Ele explicou direitinho o plano, e logo os quatro estavam  espalhados pela
m ata.
O proprietário continuou seu cam inho com  o boi até o Ladrão Um  lhe
aparecer pela frente.
– Bom  dia, senhor cachorreiro! – disse ele, sorridente.
O gorducho apertou os olhos para ver quem  era o autor da bobagem .
– Cachorreiro, disse você? Onde há cachorro por aqui?
O Ladrão Um  fez um  ar de pasm o e retrucou:
– Ora, e este cãozinho felpudo aqui, o que é? – e passava a m ão no cachaço
do touro, enquanto assoviava.
O gordo, m eio assustado, deu as costas e saiu ligeiro, puxando o boi pela
corda.
– Só dá louco por aqui!
Andou m ais alguns passos e se deparou com  o Ladrão Dois.
– Linda m anhã para passear com  o fila! – disse este.
– Está m aluco? Que fila? – exclam ou o gorducho.
– O cão fila, aí. Meus parabéns, deve ser caçador, e dos bons!
– Se ele é um  fila, você é um  vira-lata! – exclam ou o gorducho, levando o
boi.
Andou m ais um  pouco até topar com  o Ladrão Três.
– Ora, viva – disse este. – Já vai cedo pra caça?
– Ah, m eu Deus! Que caça? Não vê, então, que levo um  boi?
O Ladrão Três caiu na gargalhada.
– Ah, ah! Boa, esta! Mas que é cão, é! E cão dos bons!
O Ladrão Três com eçou a alisar as fuças chatas do boi.
– Este focinho pontudo aqui não engana! Deve farej ar um a cutia a
quilôm etros de distância!
– Adeus! – disse o gorducho, levando o boi de arrasto.
No seu íntim o, porém , crescia cada vez m ais a dúvida.


– Será boi m esm o? – disse ele, parando, a certa altura, para conferir.
Ele havia com prado o bicho na feira, m as agora com eçava a desconfiar de
algum  logro m uito bem  engendrado.
Neste ponto o boi m ugiu alto, para desfazer a dúvida, e o proprietário
acalm ou-se.
– Graças a Deus! É boi, m esm o! E que m ugido!
Seguiu adiante, certo de que um a epidem ia de loucura grassava por perto.
De repente, porém , surgiu-lhe pela frente o Ladrão Quatro.
– Ah, aí está! – disse ele, a sorrir. – Pelo latido bem  vi que era um  senhor
perdigueiro!
– Que loucura! – exclam ou o gordo. – Onde há cachorro algum  por aqui?
Não vê, então, que é um  boi, estrupício?
O boi abanou a cauda, nervoso, e o Ladrão Quatro arreganhou ainda m ais
os dentes.
– Ah, ah! Abana o rabo que nem  cachorro m ateiro! E vem  m e dizer que é
boi!
A esta altura o boi, apavorado, pressentindo que ia virar um  assado antes do
tem po, com eçou a deitar pela boca um a espum a branca.
– Oh, m as que pena! – disse o Ladrão Quatro. – Parece que o seu cão está
hidrófobo!
Depois desta, o gorducho não quis saber de m ais nada: atirou a corda pra
cim a e saiu correndo m ata afora antes que o buldogue raivoso o estraçalhasse.
Assim  que o gorducho sum iu, os quatro ladrões se reuniram  e passaram  a
faca no boi.
Ao que consta, estão carneando o bicho até hoj e.



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