100 Lendas do Folclore brasileiro


A MENINA DOS BRINCOS DE OURO



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A MENINA DOS BRINCOS DE OURO
Ainda hoj e circula por aí este conto saboroso, que com eça assim .
Havia um a m enina que gostava de ir buscar água na fonte, sem pre com
seus brincos de ouro. Toda a delícia da sua vida era ver-se refletida na água com
aqueles dois pingentes dourados, um  em  cada orelha.
Certo dia, ela resolveu tirá-los um  pouco, para banhar-se na água, pois
tinha m uito m edo de perdê-los na correnteza. Ao sair, porém , esqueceu-se de
recolocá-los, e eles ficaram  lá na m argem .
Ao chegar em  casa e ver que esquecera os brincos am ados, ela voltou
correndo à fonte. Ao retornar lá, porém , deparou-se com  um  velho asqueroso.
– O que quer, fedelha? – rosnou o velho.
– O senhor não viu por aí uns brincos dourados?
– Não, m as estou vendo um a bela m enina de cabelos dourados!
Apesar de velho, ele ainda tinha força o bastante para fazer ruindade e,
com  um a rapidez espantosa, tom ou a m enina e enfiou-a num  saco.
– Agora, você vai ficar quietinha aí dentro do surrão até eu m andar você
cantar! – disse o velho, levando-a nas costas, ao m esm o tem po em  que lhe
ensinava um a cantiga que ela deveria repetir sem pre que o velho fosse fazer seus
peditórios.
Ele dizia: “Canta, canta, m eu surrão, senão te m eto o porretão!”, enquanto
ela tinha de responder: “Metida no surrão de couro, nele hei de sofrer, por causa
de uns brincos de ouro, que na fonte achei de perder!”.
Os dois andaram  pra cim a e pra baixo o dia inteiro, e a cada novo pedido
do velho um a bordoada no saco fazia a pobre m enina repetir a sua ladainha:
– Metida no surrão de couro, nele hei de sofrer, por causa de uns brincos de
ouro, que na fonte achei de perder!
Certo dia, as andanças do velho levaram -no à casa da m ãe da m enina dos
brincos de ouro. Ao reconhecer a voz da filha, a m ãe, aflitíssim a, convidou o
velho para passar a noite na casa.
– O senhor está m uito cansado. Com a, beba e depois ponha-se a descansar!
O velho encantou-se com  tanta caridade, especialm ente com  aquele
negócio de beber. Depois de entornar quase um a pipa de vinho, ele se atirou
num a esteira e com eçou a roncar feito um  bugio.
Então a m ãe, expedita, tratou de abrir logo o surrão e retirar a filha, quase
m orta, do seu interior.
– Filhinha am ada! – disse a m ãe, enternecida, ao ver a m enina ainda com
os brincos de ouro que ela lhe dera no seu aniversário.
Enquanto o velho dorm ia, a m ãe encheu o surrão de excrem entos dos
porcos e galinhas da casa, e deixou-o partir no dia seguinte com o se levasse ainda
no surrão a pobre m enina.
– Adeus, m as voltarei, pois aqui passei m uito bem ! – disse o velho.
Depois de andar um  quarto de hora, a fom e voltou a roer as tripas do velho.
– Prepare-se, m enina, pois é hora de cantar!
Ao chegar a outra casa, bateu palm as e um a senhora apareceu. Com o
sem pre ele disse ao surrão:


– Canta, canta, m eu surrão, senão te m eto o porretão!
Só que desta vez o surrão ficou m udo.
– Quer apanhar, fedelha? – disse ele, repetindo o refrão: – Canta, canta,
m eu surrão, senão te m eto o porretão!
Nada outra vez.
Então, tom ando o porrete, o velho aplicou um a paulada com  tal força no
surrão que ele explodiu, enchendo-o de titica de porco e de galinha, dos pés à
cabeça.
O velho, depois disso, foi preso e enforcado, para aprender a nunca m ais
andar por aí raptando m eninas com  ou sem  brincos de ouro.



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