100 Lendas do Folclore brasileiro



Baixar 0.75 Mb.
Pdf preview
Página47/97
Encontro07.02.2022
Tamanho0.75 Mb.
#21490
1   ...   43   44   45   46   47   48   49   50   ...   97
as-100-melhores-lendas-do-folclore-brasileiro-a-s-franchini
A RAPOSINHA
Este conto narra as peripécias que um  príncipe passou para arrum ar um
rem édio para o seu pai cego.
Diz-se, então, que o príncipe, depois de m uito andar, chegou a um  lugar
onde um  grupo de hom ens ocupava-se em  surrar um  defunto com  um  pau.
– Monstros! Por que com etem  tal atrocidade? – gritou ele, indignado.
– Este hom em  era um  caloteiro! – explicou o chefe do bando.
– Mas ele está m orto!
– E daí? Em  nossa cidade, a lei é severa para com  os corruptos e os
desonestos, e nem  m esm o os m ortos escapam  à punição!
– Quanto ele devia? – disse o príncipe, e pagou o que o defunto devia. –
Agora, enterrem -no com o a um  cristão.
Depois disso, o príncipe seguiu adiante até dar com  um a raposinha.
– Aonde vai, m eu príncipe? – disse a raposa.
– Vou em  busca de um  rem édio para os olhos do m eu pai.
– Pois saiba que rem édio para olho de rei cego só há um : cocô de
papagaio.
– E onde encontro cocô do papagaio? – disse o príncipe.
– No Reino dos Papagaios, naturalm ente – respondeu a raposa.
– Onde fica esse reino?
A raposa ensinou o cam inho e depois com pletou:
– Chegue lá à m eia-noite e escolha o papagaio m ais triste da gaiola m ais
tosca que houver.
O príncipe foi e encontrou o tal reino. Ao entrar nele, viu gaiolas de todos
os tipos e form atos penduradas por toda parte. Todas eram  de ouro, e cada qual
trazia dentro um  papagaio m ais saudável, feliz e tagarela que os outros. Não é
preciso dizer que o príncipe agarrou a gaiola m ais bonita que viu.
Lá no fim  da cidade, no bairro dos papagaios pobres, estava um a gaiola de
pau, coberta de excrem entos e com  um  papagaio todo triste no seu interior, que o
príncipe nem  viu.
O príncipe j á ia cruzando o portão da cidade quando o papagaio da gaiola
de ouro gritou, alertando os guardas.
– Muito bem , espertinho, o que leva aí? – disse o guarda, um  enorm e
papagaio.
O príncipe explicou o seu dram a até com over o papagaião.
– Muito bem , m as só levará a gaiola se trouxer antes um a espada do Reino
das Espadas.
O príncipe suspirou e, depois de largar a gaiola, foi em  busca do tal Reino.
– Sem pre essas repetições! – disse ele, chutando um a pedra que quase
acertou o focinho da raposa, que andava peram bulando pela estrada.
– O que resm unga aí, m eu príncipe? – disse ela.
Ele explicou, e a raposa, desgostosa, abanou a cabeça.
– Tsc, tsc, tsc! Eu não disse para pegar a gaiola m ais tosca? Pois agora vá
ao Reino das Espadas e faça com o eu digo: entre à m eia-noite e pegue a espada


m ais faj uta que houver.
Não é preciso dizer que o príncipe foi e pegou a espada m ais bela que
havia, toda de ouro, deixando de lado a m ais feia. Na saída, a espada deu um
estalo, e o guarda barrou a passagem  do príncipe.
– Vá ao Reino dos Cavalos e m e traga um  de lá. Só então poderá levar a
espada.
O príncipe quase desm aiou de raiva.
E atirou-se, de um a vez, para o Reino Am aldiçoado dos Cavalos.
A esta altura, j á sabem os tudo o que se passou: o príncipe cruzou com  a
raposa, ouviu dela um a nova repreensão e escutou o conselho de escolher o
pangaré m ais feio que houvesse no reino.
Algum as horas se passaram , e vem os, agora, o príncipe m ontado no m ais
belo puro-sangue, a deixar o Reino dos Cavalos. Então, o cavalo relinchou, e
com eçou tudo outra vez.
– Aonde vai com  nosso m elhor cavalo? – relinchou o guarda.
O príncipe explicou.
– Pois só pode levar o cavalo se furtar a filha do rei – retrucou o cavalo.
O príncipe partiu, m uito aliviado. O pesadelo das repetições parecia ter-se
acabado! No cam inho, ele cruzou pela últim a vez com  a raposa.
– Aonde vai? – disse ela.
O príncipe explicou m ais um a vez.
A raposa olhou bem  o príncipe nos olhos e disse, m uito solenem ente:
– Muito bem , chegou a hora da revelação: eu sou a alm a daquele caloteiro
que os cobradores surravam . Infelizm ente, você não ouviu m eus conselhos, e por
isso toda essa confusão.
Então, a raposa disse ao príncipe o que ele deveria fazer, e desta vez ele fez
direitinho. Para com eçar, furtou a princesa. Depois, pegou o pangaré no Reino
dos Cavalos, a espada ferruginosa no Reino das Espadas e o papagaio triste no
Reino dos Papagaios.
Quando j á ia no cam inho de casa, encontrou seus irm ãos, uns m alvados
que logo conceberam  um  plano para se apossarem  de tudo o que ele trazia.
– O que está fazendo nesta estrada cheia de ladrões? – disseram  eles,
falsam ente zelosos. – Tom e aquele atalho, pois só assim  chegará ao nosso palácio
são e salvo.
Ao tom ar o atalho deserto, ele encontrou novam ente os irm ãos, que o
am arraram  e o lançaram  num a cova para m orrer.
– Essas coisas nós m esm os levarem os! – disseram  eles, carregando a
princesa, o cavalo e o restante que o príncipe trouxera.
Ao chegarem  diante do rei, porém , a princesa ficou feia, o papagaio ficou
ainda m ais triste, a espada desm anchou-se e o cavalo cobriu-se de sarnas.
– Patifes! Que gracej o é este? – disse o rei, que apesar de cego não era
bobo. – Prendam -nos na m ais profunda m asm orra!


Logo que os m aus filhos foram  aprisionados, o príncipe deam bulador
chegou, radiante. A raposa, num  últim o ato de gratidão, libertara-o da cova, e ele
agora j á podia apresentar-se diante do pai.
Assim  que o príncipe colocou os pés no palácio, a princesa voltou a ser
bela, a espada tornou-se de ouro, o cavalo engordou, e o papagaio deixou de ser
triste.
O rei cego teve seus olhos besuntados e passou, desde então, a enxergar.
Quanto ao príncipe, casou-se com  a princesa e viveu com  ela feliz para
sem pre.



Baixar 0.75 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   43   44   45   46   47   48   49   50   ...   97




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal