100 Lendas do Folclore brasileiro



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O PEQ UENO HOMEM
Havia um a vez um  príncipe que gostava de caçar. Certa feita, ele entrou na
floresta com  seus irm ãos e acabou perdendo-se deles.
– E esta, agora! – disse ele, olhando para todos os lados.
Sem  os seus cães, o príncipe era um  zero à esquerda na floresta.
Desorientado, errou em  todas as direções, só para descobrir que, em  todos os
quadrantes, continuava perdido.
Então, após tom ar um  rum o às cegas, foi dar num a terra de gigantes. Isso
ele soube quando viu um a casa que m ais parecia um a m ontanha de m adeira.
Após bater na porta, ele viu-se diante de um  hom em  gigantesco, que lhe
perguntou quem  ele era.
– Estou perdido, m eu am igo, e preciso de abrigo.
O gigante, que não era m uito am igo de intrusos, fingiu ser hospitaleiro ao
reconhecer na figura do hom enzinho perdido o príncipe do reino vizinho.
– Pode entrar – disse, de m á vontade.
Junto com  o gigante m oravam  sua esposa e sua filha. A filha, que tam bém
era gigante, cham ava-se Guim ara.
O príncipe ficou abrigado na casa colossal, à espera de que viessem  buscá-
lo. Enquanto os irm ãos não apareciam , acabou apaixonando-se pela princesa
gigante. Ela, por sua vez, tam bém  achou qualidades bastantes naquele ser
m inúsculo para por ele se apaixonar.
O pai de Guim ara, no entanto, não gostou disso e resolveu com plicar a vida
do príncipe.
– Chegou-m e aos ouvidos que você pretende, num a só noite, erguer um
novo palácio para m im  – disse o gigante. – Se for verdade, quero vê-lo fazer. Se
não for, quero vê-lo m orrer.
Apavorado, o príncipe teve de confirm ar tudo.
– Certam ente que o farei – balbuciou ele.
– Isso, am anhã verem os – respondeu o gigante, desaparecendo.
O hom enzinho foi chorar as m ágoas para a sua am ada, que tratou de
acalm á-lo.
– Deixa com igo, belo hom enzinho. Sou um a m aga, e posso fazer tudo isso
num  estalar de dedos.
E de fato, durante a noite, ela construiu um  m aj estoso palácio.
Na m anhã seguinte, ao ver o palácio, o gigante ficou com  cara de palhaço.
– Aqui tem  truque! – disse ele, m as só para si.
Então, o gigante procurou de novo o hom enzinho e o desafiou a lim par a
Ilha das Feras Bravias, tornando-a um  j ardim  am eno e aprazível.
– Se for verdade, quero vê-lo fazer. Se não for, quero vê-lo m orrer.
O hom enzinho correu, então, novam ente, à am ada, que tratou de lim par a
Ilha das Feras Bravias, transform ando-a num  verdadeiro Jardim  Botânico.
O gigante torceu a boca ao ver o resultado.
– O que está feito, está feito, m as o que há de ser feito, tam bém  há de ser
feito.
O que ele queria dizer com  sua charada é que pretendia m atar naquela


m esm a noite tanto o hom enzinho insolente quanto a sua própria filha
desobediente.
Guim ara e o hom enzinho, porém , fugiram  do quarto antes da chegada do
pai, deixando sob os lençóis duas bananeiras, um a gigante e a outra pequena.
Os dois fugitivos ganharam  a noite m ontados num  cavalo veloz, levando
consigo um a espingarda. Ao descobrir o logro, o gigante m ontou noutro cavalo
veloz e partiu no seu encalço.
Ora, acontece que o cavalo do gigante era m ais veloz, e não dem orou
m uito para que os fugitivos se convencessem  de que logo seriam  alcançados.
– Vam os passar-lhe outro logro – disse a m ulher gigante.
Quando o gigante chegou à beira de um  rio, foi isto que encontrou:
Guim ara transform ada num  riacho; o hom enzinho, num  preto velho; o cavalo,
num a árvore; a sela do cavalo, num a réstia de cebolas; e, finalm ente, a
espingarda, num  beij a-flor.
O preto velho banhava-se no rio.
– Diga lá, não viu passar por aqui um  casal de fugitivos a cavalo?
O preto velho, j ogando água sobre os cabelos com  a cova das m ãos, disse,
olhando para as cebolas:
– O que eu sei é que plantei estas cebolas, m as não sei se m e sairão boas!
“Que m aluco!”, pensou o gigante, desviando o olhar.
Então, ao ver o beij a-flor, correu até ele. Mas a avezinha estava tão brava
que quase furou-lhe os olhos, o que o obrigou a voltar correndo para casa.
– Danação, perdi a pista dos dois! – disse ele à esposa.
– Você é um  bobo, m esm o! – disse ela. – Então não vê que é tudo truque?
Ponto por ponto, a m ãe gigante deslindou os truques da filha, fazendo com
que o gigante, enfurecido, m ontasse no cavalo e partisse novam ente no encalço
dos fugitivos.
Ao vê-lo, a filha se converteu num a catedral e transform ou o am ado num
padre, a sela num  altar, a espingarda num  livro de reza e o cavalo num  sino.
Ao ver a catedral resplandecente, o gigante se atirou para dentro.
– Hom em  de Deus, o senhor viu por aí m inha filha e um  hom enzinho?
O padre, com  o nariz enterrado no m issal, respondeu em  feitio de poesia:
Nada vi, não,
Que estou em oração,
E quem me azucrina
Entra em danação.
Assustado, o gigante retornou, persignando-se todo, e foi contar tudo à
esposa.
– Seu bobo! – disse ela. – É tudo enganação da m arota!
E lá se foi de novo o gigante, sedento da vida da filha e do hom enzinho.
Desta vez, no entanto, Guim ara resolveu m udar de tática. Após tom ar um
punhado de cinzas, atirou-as para o alto e um a neblina escandinava desceu, com o
por m ágica, sobre a floresta.
O gigante perdeu-se de vez, enquanto o casal chegava, finalm ente, ao


castelo do príncipe. Antes de entrar, porém , a gigante lhe fez esta estranha
advertência:
– Quando entrar, não beij e a m ão de sua tia, ou m e esquecerá para
sem pre.
É claro que a prim eira coisa que o príncipe fez foi ir correndo beij ar a m ão
da tia, o que provocou o im ediato esquecim ento da sua am ada. Desde então,
Guim ara converteu-se num a m ulherzinha pequena e triste. Com o doida, ela
passou a peram bular noite e dia pelas cercanias do palácio, na tentativa inútil de
convencer o príncipe de que um  dia fora a sua am ada.



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